Princípios Ágeis e a escola construtivista

Via de regra, somos criados para guardar as aparências e firmar competição, cuidando ao transparecer o que pensamos e sentimos, em especial com os “hierarquicamente” acima de nós, quer sejam pais, professores, chefes, autoridades, temos que “entender”, aprender, apoiar, não sermos rebeldes, não achar brechas na segurança, enfim, bons e comportados filhos e cidadãos.

A inovação é desejada, mas é temida, pois normalmemnte vem casada com a constestação, cria-se então uma dicotomia entre a ordem e progresso versus a liberdade do pensamento e negação do pré-estabelecido, “queremos” crianças ativas, mas as acalmamos com doses cavalares de TV e TeleTubes, “queremos” jovens empreendedores, mas lhes sugerimos carreiras seguras e rentáveis.

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Em casa, antes mesmo da escolinha

A origem do nosso mindset esta em premissas culturais, ainda achamos que o maior valor é ensinar aos filhos que devem crescer, casar, trabalhar, acumular fortuna, passar desta para melhor, individualistas desde o berço,  não temos tempo para pensar no mundo, no coletivo, na interação com os outros, nos sujeitamos a quase tudo para seguirmos este ciclo a risca.

“Joãozinho e Mariazinha estão brigando em casa, aquela gritaria própria das crianças, chega a mãe, pega os dois, os coloca frente-a-frente e ordena <João, peça desculpas a sua irmã, dê um beijinho nela e façam as pases>, complementando em seguida <Que coisa linda, assim que eu quero ver, os dois amiguinhos, sem briga>”

Pois é, quatro anos de idade e já estamos marcando em seu cortex cerebral como a vida funciona … Mais importante que o sentimento é a aparência!

Escola tradicional

O modelo de educação tradicional, baseado em transferência de conteúdo e regras, foi construído para formar bons súditos, cientes de seu lugar e suas obrigações, ensinando o que seria preciso para perpetuar o modelo sócio-político-econômico vigente em cada momento da história do homem.

As escolas atuais seguem este mesmo preceito, adaptadas a realidade e regras do estado em que esta inserida, civil ou militar, laico ou religioso, autoritário ou democrático, variando também de acordo com a história e cultura de cada povo, sob um viés de escola estatal ou privadas, segundo interesses justos ou espúrios.

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Escola Construtivista

Construtivismo é uma corrente teórica que foi aplicada a pedagogia, buscando explicar que a inteligência humana se desenvolve a partir das interações entre o indivíduo e o meio. Escolas construtivistas buscam entender as diferenças e valorizar o aprendizado individual segundo as habilidades individuais natas de cada criança, jovem ou mesmo adultos.

Pelo prisma construtivista, o conhecimento não pode ser visto como algo definitivo, posto que o conhecimento é resultado da interação de cada indivíduo com o seu entorno, em todas as suas dimensões, intelectuais, físicas, sociais, emocionais, levando cada indivíduo a ter a sua abstração, retenção e entendimento do mundo que o cerca.

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Piaget investigou o desenvolvimento da nossa inteligência, afirmando haver dois ciclos, o de assimilação e o de acomodação, ambos baseados no Princípio de Equilibração. Desde o nascimento estamos expostos a novos conhecimentos, que dispara mecanismos mentais destinados ao entendimento, assimilação e desenvolvimento, estabelecendo novos patamares cognitivos.

Ciclo de Assimilação – Se somos expostos a algo sobre o qual já possuímos conhecimento prévio, ocorre o que Piaget chamou de assimilação, quando rapidamente o classificamos.

Ciclo de Acomodação – Se somos expostos a algo novo, que não se encaixa a nada que já tenhamos conhecimento, nosso cérebro cria um novo modelo, que recebará este novo conteúdo.

Segundo o construtivismo, os ciclos acima descritos são apenas o primeiro passo para o desenvolvimento da inteligência humana, que precisa confirmar os seus modelos a partir das interações deste indivíduo com o meio onde esta inserido.

Escolas de Inovação ?

Agora, as empresas esperam funcionários inovadores, logo, apareceram as escolas de inovação, como se inovação fosse algo a se ensinar, na verdade, não há nada mais inovador que uma criança, só precisamos parar de desestimular o instinto curioso e criativo delas, parar de impor a elas a acreditar que obediência tem algo a ver com aprendizado, obediência tem a ver com controle.

Desde sempre, o sistema de ensino como o conhecemos esta voltado ao binário quantidade e conteúdo, para isto, estabelecemos regras, padrões e premiação. Como está, o modelo entraria em colapso se cada criança e jovem resolvesse ter liberdade para pensar diferente, não estamos preparados para isto, escolas, professores, monitores, funcionários, nem equipes de apoio.

Sob esta abordagem, primeiro despejamos toneladas de conceitos, esperando que a meninada tenha boa memória e repita tudo como papagaios, realize tudo segundo um padrão, para facilitar a avaliação e o enquadramento, para depois, já adultos, tentar resgatar o pouco de criatividade e inovação que lhe restou.

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Conclusão

Acredito no construtivismo como uma corrente pedagógica ágil, valorizando o que realmente deve ser valorizado – a pessoa! O desafio é preparar professores e equipes de apoio (pedagogos, psicologos, sociologos, …) aptos a entender a psique de cada criança, trocando a simples imposição de regras coercitivas e punições pelo aproveitamento das características de cada pessoa para ampliar sua absorção e geração de conhecimento, no atingimento de seu pleno potencial.

Mas, ATENÇÃO, dar liberdade para crescer nunca foi deixar que cada um faça o que quer, ser feliz não é esquecer as metas e remar na direção contrária, praticar o construtivismo, assim como agilidade, é trabalho duro e buscar desenvolver o potencial de cada um, de forma racional e transparente, não é tarefa fácil.

Após um Dojo aqui na RBS, o amigo e professor Maurício Machado da Rosa postou o seguinte texto, que faço questão de reproduzir, pois mostra que sempre é possível mudar, inovar, empreender, fazer diferente:
15/11/2012 – “Olá, resolvi sair da minha zona de conforto e realizar, por mim, o 1º coding dojo universitário. Tarefa: implementar a ordenação de vetores utilizando bubble sort; Estimativa: 2h. Quem de vocês não gostaria de ter aprendido algoritmos e lógica de programação desta forma? Segue o nível de satisfação dos alunos que vieram na véspera de feriado = 100% de aprovação!”

Agilidade não tem fronteiras, é para a vida, mais interação, entendimento de valor, menos desperdício, critério de urgência e valorização de todos no ecossistema, são princípios para trabalho, sociedade, escola, lazer, para tudo.

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6 comentários sobre “Princípios Ágeis e a escola construtivista

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