A Teoria do Bá (e não é piada de Gaúcho)

Quem acompanha meus posts já leu sobre o modelo SECI de Takeuchi e Nonaka, pais da Gestão do Conhecimento, pais das bases do Scrum, pais da estrutura organizacional em hipertexto baseada em princípios ágeis de auto-organização e Nonaka com Toyama e Konno são os pais da Teoria japonesa “mais Gaúcha” que conheço, teoria sobre os Ba, que são espaços para a geração de conhecimento.

Um simples encontro ou reunião, formal ou informal, pode ou não constituir um Ba, proporcionando a geração de conhecimento, o fator chave nesta percepção é a de que é pré-requisito ao Ba ter um substrato que possibilite e fomente o processo de compartilhamento e geração de conhecimento de forma consistente.

Podemos chamar de Ba cada espaço compartilhado momentaneamente para geração de conhecimento, de forma consciente e organizada, mesmo uma conversa na hora do intervalo, um café, se investido de contexto visando o debate, a troca, um Ba pode ser físico, Virtual ou Mental:

  • Um espaço Físico como escritório, espaço de negócios, etc;
  • Um espaço Virtual como e-mail , teleconferência, etc;
  • Um espaço Mental como ideias, valores, objetivos, experiências.

Não esperemos que a formação de um Ba seja algo linear, pode ser formado por mais de uma destas naturezas, o importante no conceito é que teremos um Ba ao constituirmos formal ou informalmente um espaço destinado a criação de conhecimentos, quer coletivo ou mesmo individual.

Quer dizer que estamos no caminho, pois o incentivo e proposição permanente de gerar a troca de conhecimento, ideias, percepções, as condições para métodos colaborativos e auto-organizados, o confronto positivo e permanente de posições e informações de forma a incentivar o questionamento e o empreendedorismo criam frequentes Ba’s nestas organizações.

O Ba não é um valor objetivo, mas subjetivo e dependente dos atores que o constituem ou constroem, cabe a organização proporcionar as condições, incorporar estes valores em seu modelo mental e de seus integrantes, não tem hierarquia pois é orientado ao sendo de pertencimento e não por coincidência em uma teoria criada por Nonaka, apoiado em princípios ágeis.

São quatro os tipos de Ba: originating, dialoguing, systemizing e exercising:
Bah

Originating Ba (tácito-tácito)

São espaços de originação do conhecimento, proporcionados através da interação pessoal de seus participantes, pela soma de percepções, vivências, aprendizado, sentimentos, etc. Reconhecemos ali a socialização do conhecimento tácito individual em coletivo, pelo compartilhamento de conhecimento, habilidade e atitudes.  Aqui teremos a gênese do sentimento de grupo, cada um colaborando de forma particular sua expertise e crenças em uma lente inter-pessoal

Dialoguing Ba (tácito-explícito)

São espaços que oportunizam a conscientização e externalização do conhecimento pertencente a cada indivíduo na construção de conceitos ou contextos comuns, como para a definição de produtos e serviços, processos e construções de interesse comum. Aqui há um processo der conversão do  conhecimento tácito em conhecimento explícito, do conceitual para a criação de ativos de conhecimento.

Systemizing Ba (explícito-explícito)

Espaços físicos ou virtuais com uma natureza coletiva interessada em gerar conhecimento a partir da combinação daqueles já explicitados entre seus participantes, construindo novos conhecimentos para a organização, partindo do geral para o específico, se utilizando de comunidades de conhecimento, redes, compartilhando o resultado desta construção na forma de documentação, licenças, bancos de informações, etc.

Exercising Ba (explícito-tácito)

Espaços que compartilham e que retroalimentam o conhecimento gerado e formalizado pelo grupo ou organização novamente para os indivíduos, possibilitando a aplicação deste conhecimento geral em novas conversões de melhorias aos processos e conceitos vigentes, aprimorando o trabalho e serviços, gerando ou refinando know-how, evoluindo processos produtivos, administrativos ou de serviços. É o esforço de profissionais que se alimentando de manuais e relatos conseguem perceber oportunidades de melhoria para sí.

2 comentários sobre “A Teoria do Bá (e não é piada de Gaúcho)

  1. Pingback: 14º TecnoTalks – Vamos planejar Gestão do Conhecimento | Jorge Horácio "Kotick" Audy

  2. Pingback: Um ano e meio de blog – Obrigado galera! | Jorge Horácio "Kotick" Audy

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