Revisitando Platão – A Alegoria da Caverna

Em um dos escritos de Platão ele teria escrito a Alegoria da Caverna, que pode ser vista como uma analogia a Zona de Conforto, condições psicológicas que restringem nossas percepções e ações apenas ao que já consta em nosso ínfimo espectro de conhecimento. Os grandes nomes da humanidade talvez fossem mais curiosos que nós, inquietos, desconfortáveis com o oceano que desconheciam frente a pequena gota de conhecimento que dominavam, seria esse o estopim?

Tem muita gente que se desdobra e se justifica para contornar e enquadrar a vida, com medo das mudanças e dos ritos de passagem que as acompanham, as vezes não queremos crescer, queremos continuar no útero, chupando o dedo e se alimentando pelo cordão umbilical, Freud explica, mas a vida é para ser um constante equilíbrio entre mudanças e estabilidades, muita mudança estressa e muita estabilidade nos acomoda, quer em meio ao conforto ou ao desconforto.

O filme “A vida de Truman” (The Truman Show) é uma releitura e adaptação da Alegoria da Caverna de Platão, um filme que mostra um homem que só conhece uma vida de falsa, uma fantasia, mas por uma série de eventos ele passa a encontrar dissonâncias no lugar onde vivia, que na verdade era um imenso estúdio protegido por uma cúpula e representando ser uma ilha isolada. Coube a ele próprio decidir aventurar-se ao desconhecido ou ficar na sua zona de conforto, naquela vida em que as peças se encaixavam perfeitamente.

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VIDA: Quantas pessoas conhecemos que se gabam de uma vida organizada, dedicada ao trabalho, aos filhos, a um esporte, a suas séries de televisão e novela, a SUA ROTINA, estão contentes e de bem com a vida, mas se olhassem para trás veriam que passaram-se anos e a vida está igual, quase nada mudou, o pouco que muda foi fora de seu controle. A pergunta é: Será que a vida é tão boa assim ou assim é mais fácil tocar a vida? Lembrando que a vida não nos pertence, é curta e o que mais passamos para os nossos filhos e os mais jovens é o nosso exemplo e atitude, o que será que eles vão querer para a vida deles?

HERANÇA: Tem gente que insiste com os filhos para comerem tomate, salada, porque faz bem, mas seu prato só tem carboidratos, no copo só cerveja, mesmo assim tem um discurso de saúde acima de tudo, querem que os filhos entendam a retórica de que vida saudável começa pela alimentação. Tem gente que instiga os filhos a inovarem, empreenderem, não se acomodarem, mas dormem, tomam café, trabalham, chegam em casa e vão para a  TV, ver a novela e seriados, briga com o pequeno porque não fez o tema e reinicia tudo indo dormir. Qual é o recado subliminar, qual é o exemplo, o que estamos deixando para eles?

TRABALHO: Tem gente que prioriza acima de tudo a estabilidade, alguns se acomodam e trabalham anos em operação padrão, fazendo 75% daquilo que poderiam fazer, afinal não são valorizados, tem outros que trabalham em dobro, se matam gerando valor para a empresa, estão aprendendo é verdade, mas a estratégia é investir 12 horas por dia sem valorização ou pretenção, afinal trabalham tanto que não sobra tempo para pensar em carreira e crescimento. Trabalho é como email marketing, o valor é conversão, trabalhar muito e deixar a carreira no gerúndio, mesmo trabalhando 12 horas/dia, é acomodação, é se enganar, como avestrus ocupar-se o máximo possível para não desanimar.

MILLENIALS: O estigma da geração Y é um pessoal que quer trabalhar, quer aprender, quer se divertir, quer ser reconhecido, quer ter tempo para tudo, se possível tudo junto, amigos, trabalho, prazer, orgulho do que fazem, com quem fazem e porquê fazem … estou para dizer que me esforço para estar neste time, pois Y é quem é Y e não quem nasceu para ser Y, tem velho que é 100% Y e tem muitos jovens que são na verdade Baby Boomers … E você, onde quer estar daqui a 10 anos e o que esta fazendo HOJE para chegar lá?

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Em Platão temos uma caverna subterrânea habitada por pessoas ali confinada  a gerações, desde a infância até a morte,  conhecem apenas aquilo que veem lá dentro, não sabem da existência de nada do mundo lá fora, a luz resume-se a uma fogueira existente junto a entrada e que projeta uma luz difusa e sombras na parede de entrada da caverna a partir de pequenas brechas de difícil acesso.

Vamos supôr que  alguém do lado de fora use bonecos e objetos para projetar diferentes sombras, como sombras de pessoas, animais, artefatos, para os prisioneiro da caverna, que nunca saíram daquele lugar, a caverna é a única realidade e as sombras projetadas são o que são vultos próprios, posto que desconhecem a existência dos objetos, tamanhos, volumes, cores, cheiro, odores, sua realidade restringe a aquele mínimo que percebem.

Se um destes “prisioneiros” pudesse sair, ver o mundo lá fora e provavelmente aterrorizado quisesse voltar e contar aos demais lá de dentro o que vira, segundo Platão o mais provável é que ele seria tratado como louco, as informações de luz, calor, percepções, maravilhas relatadas, seriam vistas com receio e restrições, talvez o quisessem demovê-lo de falar aquelas coisas, poderia quem sabe sofrer alguma punição ou restrição pelos mais velhos ou pela autoridade constituída para que não subverte-se a ordem do lugar.

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3 Respostas para “Revisitando Platão – A Alegoria da Caverna

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