Estruturas racionais ou orgânicas

Se você pensa que agilidade é idealismo, que as empresas não vão mudar do modelo industrial em que estão imersas porque nunca abrirão mão de nada, trocando o certo pelo duvidoso, garanto que não é nem 8 e nem 80, muitas já flexibilizaram e conseguiram chegar em um meio termo, existem riscos, exige tempo, mas na opinião de muita gente (inclusive a minha) vale a pena.

Há 70 anos atrás tínhamos alguns visionários, Taichi Ohno, Peter Druker, William Deming, há 30 anos tínhamos muitos mais, além dos signatários do manifesto ágil, há 20 anos muitas empresas mundo afora acreditaram e começaram a mudar, há 10 anos algumas empresas brasileiras começaram a apostar nesta idéia, por ser ágil nenhuma delas faliu ou virou comunista, apenas reequilibraram business, grana, pessoas e sustentabilidade.

Muita gente resmunga que agilidade é puro marketing, mas a verdade é que sempre tivemos que separar o joio do trigo, assim como CMMI, MPS-Br e PMBOK, Agile também é um mar de oportunidades para quem quer aparecer, surfar na onda, atrair talentos, mas também tem empresas e gente séria, é mais fácil para startups, pequenas e médias, mais difícil para as grandes que tem acionistas acostumados a resultados líquidos cifrados em bilhões a custas de alto turnover e mentalidade industrial clássica.

Todos conhecem a estrutura hierárquica baseada no modelo industrial de gerenciamento, com rígidas linhas de decisão, de comando-controle, um modelo que ainda é o mais utilizado por organizações de todos os portes, mas hoje em dia já existe um percentual que busca ajustar pelo menos as aparências, se mostrando de forma mais aberta e ágil, Taylor e Fayol ainda mandando bem, mas o discurso evoluiu, o que de alguma forma já é um progresso, mesmo que seja só marketing … pelo menos incentiva outros a tentarem  \o/

organograma

O objetivo é mudar para uma estrutura que não sufoque a criatividade, inovação e o empreendedorismo, que deve estar aliado a uma mentalidade ágil, em que o foco é atrair e RETER talentos que comporão equipes auto-organizadas, com senso de pertencimento em meio a uma cultura de maximização de valor e minimização de desperdícios de forma sustentável e inspiradora.

A seguir algumas formas mais contemporâneas de estruturas corporativas, não por acaso a que mais me chamou a atenção é a estrutura chamada hipertexto, apresentada por Takeuchi e Nonaka, pais do Scrum e dos modelo SECI e do modelo Ba de Gestão do Conhecimento.

HipertextoAgile na veia, auto organização, delegação, liberdade com responsabilidade, líderes servidores, de cima para baixo a constituição de uma estrutura organizacional tradicional, corporativa, que existe e trabalha para proporcionar suporte necessário as equipes, que de baixo para cima são independentes, com alçada para tocar suas áreas e os projetos da melhor forma possível. O segredo é harmonizar missão, estratégia e objetivos corporativos com equipes formadas de forma a terem consciência de seu papel e orgulho do quanto vão contribuir ao projeto empresarial onde estão inseridas:

imagem 6CObs: Crédito e link para o original ao final deste post

A tempo, a Toyota mostrou que é possível agilizar as decisões, abrindo mão do modelo industrial Taylorista, descentralizando e constituindo equipes com alçada para ir além, fazerem o seu melhor possível, a diferença essencial é que neste modelo é necessário valorizar as pessoas que fazem e não apenas o gerente que explora e acaba por gerar o turnover, a opção derradeira é ter o foco no futuro e na sustentabilidade, ou é ter o máximo de lucro no presente.

Invertida – Um modelo que é destinado á independência e autonomia dos profissionais que executam a missão da organização, como uma empresa de consultores associados em que o objetivo da estrutura de apoio é atendê-los, posto que o conhecimento e business esta representado pelos nodos de execução, pelos consultores, muitas vezes com especializações que os diferenciam e oportunizam um time complementar e de alta especialização.

Teia de Aranha – Não possui gerência e é comum em organizações do terceiro setor, é comum ONG`s criarem redes em que cada nodo tem autonomia e responsabilidade para executar os objetivos comuns que os unem, mas que cada um dos nodos possui independência para acoplar-se a realidade onde está inserido, ajustar-se a cultura, oportunidades e riscos de forma a viabilizar o máximo de resultado prático.

Raios de Sol – Uma estrutura que possui um centro que irradia conhecimento atualizado e revisões de planejamento enquanto os nodos executam, como o caso de franquias escolares, cooperativas ou redes de franquias, em que há uma disseminação de boas práticas, tecnologia e conhecimento de forma a que o coletivo potencialize resultados que seriam inviáveis isoladamente, contando com a união de forças para ampliar o escopo e espaço de atuação, gerando e viabilizando nodos autônomos e empreendedores, mas com baixo risco.

imagem 6D

Obs: Crédito das imagens hipertexto, invertida, teia e raios, extraídos de um artigo chamado “Um estudo da estrutura organizacional e as mudanças organizacionais: proposta de um novo modelo” de Maria Costa, Bruno Souza e André Fell na Revista de gestão e tecnologia NAVUS – http://navus.sc.senac.br/index.php/navus/article/download/62/40

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2 Respostas para “Estruturas racionais ou orgânicas

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