E por falar em desperdício … ninguém escapa!

É como se ninguém tivesse filhos ou ninguém se importasse nada com o futuro negro que estamos nos esforçando em construir e deixar à eles. A retórica ecológica e sustentável já passa desapercebida de tão vazia e inútil que ela é. Ninguém mais leva nenhum político, empresa ou ONG verde a sério, pois lá no fundo todos sabemos que todos, nós e eles somos culpados pelos status quo.

Todo mundo gosta de culpar alguém pelo efeito estufa, todo mundo gostaria que houvesse um só culpado, 75% do mundo gostaria de poder dizer que a culpa é dos EUA, da China ou do ‘pum’ das vacas (sim tem gente que culpa as vacas), mas enquanto isso em nossas casas é uma esbórnia … qualquer um de nós ficaria ruborizado se guardasse uma semana de lixo, analisasse e postasse o que viu.

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Se fizermos uma enquete, todos são conscientes, todos nós tentamos ser sustentáveis, mas menos de 0,1% se sujeita a abrir mão do desperdício, mesmo os mais conscientes temos dificuldade de nos forçar desperdiçarmos um pouco menos, menos embalagens fúteis, menos descartáveis inúteis, sempre em prol de mais alguns segundos de conforto dispensável.

Em breve, mais um Natal

Um simples boneca Barbie chega a ter o peso dela em lixo, á a caixa externa, tem o papelão com o fundo de cena onde ela está presa, tem os grampos plásticos que a sustentam, tem a capa plástica transparente, tem o embrulho em papel com fita e selos … TUDO isso vai para o lixo no dia 25 pela manhã.

Até a primeira metade do século XX havia venda a granel, bonecas e brinquedos ficavam na prateleira e iam para uma sacola ou caixa quando entregues ao comprador … em algum momento a Matel, a Estrela, a Grow, o Steve Jobs se deram conta que se colocassem um produto de R$20 em uma caixa bonita poderiam cobrar R$35 … pelo mesmo produto.

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Esse foi o começo do fim, mesmo com a densidade populacional crescendo, as empresas e os ‘consumidores’ (nós) aumentamos e sofisticamos sadicamente o desperdício, recursos naturais indo para o lixo, uso irracional de petroquímicos e florestas (papel), uma sociedade de consumo e pseudo-luxo que a cada dia antecipa o seu próprio fim.

Um bom termômetro são as festas

Querem um bom termômetro do grau de insanidade que chegamos, quase toda festa hoje em dia, quer seja de casamento, 15 anos, aniversário ou despedida de solteiro usa algumas dezenas de kilos de desperdício fútil de plástico e bagulhos ‘one way’ feitos na china, afinal, sem isso não tem como ser divertido.

Cada pulseira, colar, bolinha, óculos gigantes de plásticos com um micro dispositivo que faz piscar uma luz, faz um barulinho ou sei lá o que, cada vez mais sofisticados e todos descartáveis, cada um com uma ou duas pequenas pilhas (poluição grave), tudo vai para o lixo, alguns levam para casa … para então colocar em seu lixo.

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Traquitanas pseudo-tecnológicas chinesas

Hoje em dia, qualquer super-mercado ou biboca na esquina tem uma variedade de bugigangas chinesas, um país que é o sonho de grande parte da humanidade, onde alguém pode enriquecer produzindo bugigangas a preço mínimo, muito competitivo, as custas de trabalho semi ou completamente escravo.

A sandice é tal que tudo isso as custas de empresas e empregos nossos, e pior, pois quando acontece as pessoas ainda se dão ao requinte de dizer que a culpa são as leis trabalhistas brasileiras … não é a exploração chinesa, não é um modelo global autofágico, não é uma economia baseada em privilégios, oportunismos, especulação e corrupção … a culpa é da lei trabalhista.

Um professor aqui no mestrado citou o contra exemplo de uma pesquisa feita em uma empresa americana e exposta em um congresso internacional, era o case de sucesso de uma empresa que quebrou pequenos comerciantes usando de uma prática ‘comum’ de escala. Um modelo predatório, contra-sucesso em um país que no passado era exemplo de coletividade e tradição em pequenos negócios. Sucesso de um em detrimento a dezenas, ganham 10 e milhares perdem.

Conclusão

Temos bilhões esbanjando e desperdiçando a cada dia, luz, água, terra, minerais, vegetais, animais, e temos bilhões que passarão a fazê-lo assim que puderem, só não fazem porque não tem o suficiente para fazer. O que está errado não sou eu ou você, é o modelo mental da maior parte do mundo, na prática as coisas acontecem no piloto automático, sem pensar ou refletir, somos culpados e inocentes.

A revolução industrial atendeu uma demanda de sapatos, roupas, veículos, mas isso não era o suficiente, então criamos os artigos supérfluos para saciar a sede de status, demonstrar o que não somos, finalmente chegamos a uma fase em que não sabemos mais o que consumimos, pois não é a demanda que gera a oferta, é a oferta que dita o que queremos demandar.

Pó cacetear ai, mas essa é minha visão, temos muita estrada até esgotarem os recursos naturais mínimos, hídricos, vegetais, enquanto isto o número de pessoas que verdadeiramente se preocupam com isto e fazem algo para conscientizar e mudar é insignificante, desproporcional, é 0,000001%.

Em 2014 tem mais uma eleição

Sei que é difícil, mas vamos tentar achar alguém que não descenda de predadores, que não enlouqueça atrás de carniça, que ganhe seu salário como político e tente gerar leis e atos úteis para o nosso futuro.

Quer saber, nosso destino está lançado, não tem como mudar, mas se todos ajudassem podemos tentar garantir uma vida igual a nossa pelo menos para mais uma geração, para nossos filhos, isso já seria uma grande vitória.

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