Vamos aprender Agile e Gamification com os Escoteiros

E POR FALAR EM PRINCÍPIOS ÁGEIS:

O escotismo é um movimento sócio-construtivista por excelência, ele possui um programa e princípios que buscam oferecer atividades variadas, interessantes e divertidas, um abordagem lúdica na transferência de conhecimento e valores. Acima de tudo, a crença que cada indivíduo tem um potencial a desenvolver e algo a contribuir, ninguém é igual e unindo o melhor de cada um vamos além.

“Construtivismo é uma das correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligência humana se desenvolve partindo do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações mútuas entre o indivíduo e o meio.”

Como no SCRUM, há um guia que nos orienta, um framework baseado em princípios que valorizam as pessoas e suas individualidades, apostando no coletivo como meio de obter o pleno desenvolvimento de cada potencial, baseado em respeito, direitos e deveres, que a soma sempre é maior que um.

Visão: A organização de um grupo escoteiro fundamenta-se em reuniões semestrais chamadas INDABAs, onde todos os chefes reúnem-se para discutir como estão se saindo e como melhorar, organizando ou confirmando a programação futura, cada item com um responsável, meta e todas as idéias e sugestões anotadas.

Releases: Um ano é quebrado em diferentes ciclos de programa, cada qual com suas metas e objetivos, datas-marco e principais atividades, pensadas como meio para passar conhecimento na prática, se utilizando de todos os recursos disponíveis, sempre com muita criatividade e com um viés de desafios reais e superação, baseado sempre no perfil de seus escotistas e escoteiros.

Sprints: A cada semana há um grande esforço, reuniões e contatos, para organizar a próxima atividade de Sábado ou final de semana. O planejamento é complexo, sempre apoiado em 6 áreas, relacionadas ao desenvolvimento Físico, Intelectual, Social, Afetivo, Espiritual e Caráter. Não existe uma receita, fazer o melhor exige percepção do que se tem e potencial a cada momento.

Stakeholders: Há assembléias gerais entre escotistas + pais, conselhos de seção com escoteiros + escotistas + pais, há reuniões frequentes de escotistas + escoteiros, as famílias também podem participar como “pais de apoio”, interagindo e ajudando na administração e nas atividades. Cada pai pode contribuir com seu conhecimento profissional e vivências em eventos e passagem de conhecimento.

Kanban: Cada faixa etária, conhecida como seção ou ramo (lobinhos, escoteiros, seniors, pioneiros) possui mapas de avaliação com as seis áreas, etapas de crescimento e especialidades conquistadas e absolutamente nenhuma delas é imposta, deve partir de cada jovem interessar-se em dedicar-se a conquistar os famosos distintivos escoteiros.

Review: A todo momento, dada a valorização do coletiva para potencializar o desenvolvimento individual, jovens e seus pais participam e comemoram cada conquista, etapa atingida, distintivos alcançados, pequenas vitórias do dia-a-dia, um olhar especial ao fato de que cada um é especial e segue adiante em seu caminho.

Retrospectiva: Periodicamente os jovens de cada seção reúnem-se em rocas de conselho, côrtes de honra, comissões administrativas, além dos conselhos e assembleias, para avaliar o andamento do último período, decidir o que querem, como vem sendo o desenvolvimento, como melhorar, repactuar suas metas.

E POR FALAR EM GAMIFICATION:

Cada ano em um grupo escoteiro, cada trimestre, grandes eventos, mas principalmente cada reunião semanal é tratado como um grande jogo. Cada momento tem uma meta declarada a ser conquistada, uma sequencia de passos e atividades a serem superadas, medalhas e reconhecimentos a serem obtidos.  A elaboração de atividades escoteiras é uma construção sócio-construtivista, posto que em um ambiente descontraído e desafiador atingimos nosso melhor.

Quer seja um Sábado, um acampamento ou um evento escoteiro, ele inicia com um quebra-gelo, jogos divertidos de integração, instruções com novos conhecimentos, desafios a serem superados, mesclando games colaborativos e competitivos, iniciando sempre com um momento cívico junto a bandeira nacional e uma reflexão para desenvolvimento espiritual, sem religiões, mas a internalização de boas virtudes, valores, moral e ética próprios a cada idade.

Lobinhos: Cada Grupo Escoteiro pode possuir uma ou mais Alcatéias de lobinhos (crianças de 7 a 10 anos de idade), que realizam atividades lúdicas em que aprendem brincando o que são direitos e deveres, a respeitar o espaço dos outros, a cumprir sua promessa de fazer o melhor possível e boas ações. O fundo de cena é a Jungle Book, eles são lobinhos, reunidos em matilhas com nomes e cores próprias, que se reúnem em uma alcatéia, os adultos possuem nomes de animais da história de Mowgli e cada jogo segue suas histórias. Cada matilha possui um Primo e Segundo eleitos, são os lobinhos mais experientes, aprendendo a liderar, a ser um exemplo para os mais jovens.

Escoteiros: Os jovens entre 11 e 14 anos são escoteiros, são organizados em Tropas e divididos em patrulhas, cada uma delas auto-organizada de forma que eles mesmos selecionem papéis temporários entre eles – Monitor, sub-monitor, cozinheiro, primeiros-socorros, almoxarife, lehador, … Assim, eles desenvolvem diferentes habilidades e conhecimentos, aprendendo a trabalhar em equipe, liderança, responsabilidade, impacto de suas decisões e ações.

Seniors e Guias: Os jovens de 15 a 17 normalmente já possuem vivência nas seções anteriores e nesta etapa passam a desafiar seus limites, um passo além em autonomia, planejando suas atividades e as executando, o fundo de cena é aventuras radicais, jornadas de 15 kilometros, acampamentos em mata nativa, rapel, tirolesas, montanhismo, aventuras terrestres e aquáticas em que vão além nos mesmos princípios de equipe iniciados no ramo escoteiro.

Pioneiros: São os jovens adultos de 18 a 20 anos, o fundador Baden Powell imaginou esta seção como uma forma de mostrar aos jovens o quanto todo o aprendizado lúdico se materializa na vida social de cada um. O foco é cidadania, é ajudar o próximo em círculos concêntricos iniciando por si mesmo, família, grupo, sociedade, humanidade. As conquistas dizem respeito a ações em que se empenham a abrir horizontes durante atividades comunitárias e sociais. Geram oportunidades de fazer a diferença em suas vidas, dos que o cercam e de pessoas até então desconhecidas, obtendo reconhecimento comunitário de suas ações.

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A maioria dos agile games e dinâmicas lúdicas de transmissão de conhecimento sobre trabalho em equipe, colaboração, auto-organização, e muito mais são oriundos de minha experiência escoteira. Mais informações e conteúdo escoteiro que corroboram esta abordagem está no site do meu grupo de coração – http://www.guialopes.com.br.

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