Você ou sua empresa é Metodologista ou Agilista?

Na palestra sobre o framework ACIAMAR com a Alexsandra Sousóliver no evento GUMA-RS de Março/2014 na FACIN da PUC-RS teve um momento em que eu fiz uma viajem astral … sabe quando acontece alguma coisa que faz você desligar por alguns momentos e sua mente faz uma viagem no tempo e no espaço? Foi quando ela apresentou a diferença entre Metodologistas e Agilistas.

Alexsandra-1

Metodologista é a empresa ou profissional que adotam algo como SCRUM e só conseguem ver em sua frente números, timeboxes, papéis, artefatos e regras como ferramentas para fazer mais com menos, mas continuam reclamando, pressionando, competindo, achando que o simples “adotar” o método já é a solução. Adotar SCRUM é uma caixa de ferramentas, agilidade está na mudança comportamental das pessoas, interativa e iterativamente.

Struturation Theory (Anthony Giddens) oferece uma luz exatamente sobre isto, corroborada por outras teorias e autores, como Boudreau/Robey e Wanda Orlikoski, a tecnologia pode e deve ser encarada como ferramental, quer seja um sistema, um método, um processo, um know-how, mas o seu uso, sucesso ou insucesso não pode ser medido olhando-se para a tecnologia, mas através da interação humana e seus padrões, o que pode ser chamado de Human Agency.

Meia hora depois, assumiu o evento a Consultora Márcia Vasconcellos e ela selou a minha viagem com o eterno exemplo do gestor que reclama de sua equipe e os classifica como um problema. As equipes são a solução, se elas não funcionam é porque seu gestor é o problema ou porque não existe problema, está tudo em seu lugar.

Lermos e termos fundamentação para bons argumentos não garante nada, mas pelo menos teremos maios conhecimento de causa, muitas das idiossincrasias organizacionais estão previstas em estudos reconhecidos internacionalmente, como a Teoria da Agência, Teoria Institucional, Dissonância Cognitiva, Job Strain Model, “Lei” Yerkes-Dodson.

Conheço equipes normais, ágeis ou não, que realizam um bom trabalho e estão satisfeitos com o que fazem e com quem fazem, mas não são a maioria em TI, muitas sofrem estratégias que independem de agilidade, waterfall ou whatever, há muitas empresas que se acostumaram a desenvolver uma cultura de faz de conta, nem quero dizer que é bom ou ruim, meu papel é provocar a reflexão:

#1. Uma equipe boa, experiente, com um gestor que só sabe pressionar, não aceita os pedidos e alertas da equipe porque acha que eles são um problema, só fazem corpo mole, que tudo poderia ser feito na metade do tempo. Os projetos se desenvolvem em meio a dívidas técnicas, tornam-se órfãos e legado assim que entregues. O que vale aqui é cada um fazer bem aquilo que acha melhor e mais seguro para si e deixar a corda estourar o mais longe possível .

#2. Um cliente interno ou externo que se acha um grande negociador, que faz leilão para ver quem topa fazer pelo menor custo e menor tempo possível, corta custos e contrata um desenvolvedor pela metade do que o mercado paga. Depois reclama e se acha traído ou injustiçado quando as coisas dão errado, adotando medidas duras com os “culpados”, demitindo e colocando fornecedores e terceiros na geladeira. O que vale aqui é o teatro, todos sabem no que vai dar e já passaram inúmeras vezes por isso, mas a encenação sempre contorna as culpas.

#3. Uma equipe inexperiente, mais para júnior que senior, uma grade salarial acanhada, mesmo assim a cada percalço o gestor bate na mesa, tem faniquitos, diz que não pode aceitar tantos erros, quer saber o que vão fazer para garantir o sucesso a partir de agora. Este perfil é aquele que fica emburrado, passa o dia se fazendo parecer amargurado com a situação, mas se forem analisar, não demite ninguém e no outro dia já está feliz novamente. O que vale aqui é tirar o máximo de uma equipe que tem muito a aprender, ele sabe e está tranquilo quanto a isso, mas a equipe não pode saber, por isso toda a “raiva” efêmera, no fundo ele acha que a equipe deveria agradecer por ele “incentivar” seu crescimento.

#4. Uma equipe equilibrada, com Juniores, Plenos e Seniors, com tudo para dar certo, mas com conflitos internos entre seus integrantes, conflitos que o gestor e o RH fazem de conta que não veem para não correr o risco de perder alguém, posto que todos são importantes. Aí cria-se a cultura do colega genioso ou o colega inconveniente ou talvez o colega pegador, o clima não é bom mas a entrega é boa. O que vale aqui é a entrega, os resultados, então o gestor fecha um olho e torce para ser promovido antes que entorne o caldo.

#5. Tira bom e tira mau 😦 Por incrível que pareça, é uma prática mais comum que parece, o diretor ou gerente é cheio de boa vontade, flexível, mas pouco acessível, enquanto o gerente ou coordenador fica com a missão de tirar leite de pedra, tensionar a corda ao máximo, exigir mais resultados, jornadas dobradas, etc. Isso de tempos em tempos entorna e a solução é entrar o “bonzinho” na história e dizer que o que faltava era uma boa conversa, conclui que houveram excessos mas vamos corrigir. O que vale aqui é rolar com a barriga, enrolando a todos com uma situação arquitetada para ser assim mesmo.

Tem muitos outros padrões, estes são alguns que conheço, se você conhece outros, comenta aqui \o/

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