Fibonacci e Planning Poker, parece fácil, mas é uma revolução

As vezes alguém me pergunta como converter pontos de esforço do planning poker em horas e a resposta sai fácil: Pontos não são para isso! Horas são uma medida universal, comparativa, extrínseca, enquanto os tais pontos de esforço estimados usando a série de Fibonacci em um planning poker são intrínsecas, que só fazem sentido a ela sobre uma linha evolutiva no passar do tempo.

Phillipe Zarifian, um ícone da Gestão por Competências, cita a parábola do relógio, onde é difícil mudar para um novo modelo produtivo enquanto métricas de controle forem monitoradas em horas, minutos e segundos de trabalho.

Zarifian detalha que “há um enfrentamento entre duas concepções do tempo: o tempo espacializado, quantitativo e físico, medido pela sucessão de instantes materializados no relógio; e o tempo-devir, qualitativo e psicológico, entendido como duração, na qual há um ímpeto permanente da totalidade do passado em direção ao futuro. Esses tempos apresentam frente ao trabalho modos diferentes de manifestação social: o tempo espacializado se manifesta como disciplina e regulação dos atos de trabalho e o tempo-devir como mobilização da experiência passada e antecipação do porvir.”

Os pontos de esforço estimados em um planning poker são uma estimativa de transformação, uma medida interna a equipe, você não encontrará uma tabela price com taxas de conversão entre pontos e horas, se houvesse não teria muito sentido seu uso, pois havendo proporção genérica de 1:N seria dizer que trata-se de uma só dimensão que usa duas bases de cálculo. Horas são do relógio, os pontos de esforço oferecem uma percepção longitudinal de produtividade.

Por ser uma medida interna, própria de cada equipe, está relacionada ao seu perfil, talvez mais júnior ou mais sênior dos integrantes, depende da tecnologia, das facilidades em suporte, etc. Não é uma medida que se preste a comparações externas, não aponta se uma equipe é melhor que outra, mas pode gerar um histórico de produtividade e apóia a criação de planos de ação para refino do método e processo de desenvolvimento de software.

Há no bojo desta questão, a proposta do uso de uma métrica sobre produção que não o relógio, uma métrica que ao usar Fibonacci persegue a máxima que estimar horas é um preciosismo pouco válido, com uma tarefa estimada em 8Hrs, outra 9,5Hrs, outra 10Hrs, pois com pontos queremos saber a natureza da tarefa, se é algo que exigirá 1, 2, 3, 5, 8, 13 ou 21, se ela está mais para 8 ou 13.

Em uma reunião de Planning

Primeiro distribui-se as US`s que precisamos entender claramente para poder estimar pontos de esforço, a importância de estimar pontos primeiro é estabelecer uma percepção do que e quais são pequenas, médias e grandes dentro da série de Fibonacci.

Para cada US, em determinado e apropriado momento, nós a quebramos em tarefas que serão dimensionadas em horas pela equipe, não pela conversão dos pontos em horas, mas olhando cada tarefa e estimando em horas de trabalho, que depois comporão o nosso Scrum Board ou Kanban.

São coisas diferentes, como Litros e Centímetros, os pontos são usados para entender a produção e dimensão do trabalho da equipe em uma escala longitudinal própria que poderá ser comparada e usada para auto-comparação e estimativas de alto nível, que serão aos poucos refinadas com a repetição de iterações da equipe e tendem a gerar apurada visão de volume com o tempo.

Horas são horas, ótimas para previstos x realizados sob um prisma tradicional, facilmente entendido e monitorado por todos no seu principal destino, que são os postits e gráficos como burndown afixado no quadro de tarefas ou Kanban. Apesar de sabermos que orçamentos em horas são ainda mais imprecisos, as empresas e até mesmo os nosso cérebros estão acostumados a este sistema.

Em uma reunião de Mapping

Lembrem que estamos falando de software, tecnologia, sistemas complexos, fossem sistemas simples e nada disso seria necessário. Mas, cientes da média de pontos realizados pela equipe em seus últimos Sprints é possível inferir pontos às US`s resultantes de uma dinâmica de Mapping e assim quebrar com sucesso relativo um projeto, fragmentando-o em releases e sprints.

A pergunta que me fazem é como ter um mínimo de confiança que dá para se fiar e a resposta na ponta da lingua é: Depende! Se você escolheu as pessoas certas e confia no conhecimento e na expertise acumulada delas, podemos errar, mas provavelmente erraremos e gastaremos menos que em um processo tradicional.

Não é fácil, menos ainda para amadores, ao introduzir SCRUM em uma empresa ou equipe piloto, deixo isso para bem mais adiante, pois a mudança proporcionada pela adoção não pode significar mudar tudo, neste caso é muito possível que a galera se perca no meio de tantas mudanças … introduza novos conceitos em doses ágeis, homeopáticas. Lembre do James Shore e de seu modelo de fluência (maturidade) e faça um passo de cada vez.

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2 Respostas para “Fibonacci e Planning Poker, parece fácil, mas é uma revolução

  1. Gostei do seu post, porem na empresa que eu trabalho toda a produtividade é medido por estimado/ entregue. O Cliente interno contrata X horas por mês e sempre deseja ver onde estão indo essas X horas de desenvolvimento / mês. O que você sugere nesse caso?

    • É um looooooongo caminho, não tem como ser imposto, já participei de diversos processos de adoção de sucesso e até agora o cálculo de pontos de esforço ainda tem um papel periférico e não eliminou o velho relógio. Difícil mudar a forma de pensar enquanto medirmos a produção intelectual da mesma forma que se mede número de parafusos apertados, esse debate sempre me lembra Tempos Modernos do Charlie Chaplin … continuamos sendo medidos pelo relógio ponto. Vai demorar quebrar este paradigma, quando o que passaria a importar é a confiança que esta se fazendo o melhor possível e agregando o máximo de valor … nesse dia, assim como as mulheres queimaram sutiãs em 1968, vamos simbolicamente queimar os relógios pontos! \o/

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