E por falar em Design Thinking

Após uma palestra bem legal da Roberta da Bora Design eu percebi que entre tantos temas e posts eu nunca escrevi nada sobre Design Thinking, então a seguir tem uma compilação para quem nunca foi atrás para saber um pouco sobre o que é essa metodologia … se pratica métodos ágeis vai ver vários pontos em comum, em especial com Lean StartUp, mas também com nosso discovery.

Antes de prosseguir, pense nisso: O desenvolvimento de software tradicional precisa quebrar os paradigmas do “programador”, que ao saber do seu objetivo tenta “programar” o mais rápido possível. Um UX faz benchmark, estuda, se repertoriza, compara, para depois prototipar, validar, para enfim fazer seu melhor. O desenvolvedor ágil deveria ser igual, frente ao design técnico, quanto a componentização, qualidade, reuso, simplicidade, manutenabilidade, clareza, validade, … mas como só o que interessa é a quantidade e velocidade, prefere fazer Ctrl C + Ctrl V, pois o mais importante é receber os parabéns do chefe, o importante é estar funcionando (as vezes nem ele sabe o porquê).

Na internet há diversos esquemas apresentando suas fases, com alguns passos a mais ou a menos, a Roberta apresentou o duplo diamante com sete fases – entendimento, observação, ponto de vista, ideação, prototipagem, testes e iteração. Tudo isso sobreposto a conceitos básicos do Lean Startup para discovery, MVP, validação iterativo-incremental, get out of the building, interação permanente com os clientes, pivot e muito mais:

design thinking

Senão vejamos, vamos ver se soa familiar, um framework voltado a eliminação de desperdício, agregação de valor, em meio a uma construção iterativo-incremental em que a interação com o cliente e stakeholders é fundamental. Uma metodologia que valoriza o desenvolvimento de competências essenciais dinâmicas, gerando diferencial competitivo evolutivo.

1. Criar o campo percebe um campo interno e externo, o primeiro valorizando a capacidade absortiva pessoal, o acumulo de diferentes conhecimentos gerando inovação, criatividade, empreendedorismo, potencializando o conhecimento especializado. O campo externo é o universo lá fora, é pesquisar o cliente em suas diferentes perspectivas, através das mais diferentes técnicas;

2. Análise, síntese e ideação confunde-se ao nosso discovery, é a construção de um canvas, o desenvolvimento de um mapping, é analisar o problema e a solução por todos os ângulos, a procura do seu diferencial, da inovação que o leva a outro patamar, da identificação do seu MVP e das iterações necessárias para a sua melhoria contínua;

3. Prototipação e Testes confundem-se com a percepção de ver a nuvem como commodity, usando serviços, componentes, open source, freemiums, tudo que estiver ao alcance e disponível como aceleradores para a construção de protótipos, landing pages, funcionalidades fakes, pura validação, o quanto antes e da forma mais ágil. De nada adianta investir meses de trabalho, energia e recursos para só então descobrir que não vai rolar, tudo o que o Lean Startup;

4. Iteração é o conceito de gerar um espiral de construção seguido de validação ou pivot, é refinar o produto ou serviço em camadas evolutivas, pensando uma solução competitiva, diferenciada, escalável, repetitiva, música para nossos ouvidos. É não perder tempo na confirmação de pressupostos, hipóteses existem para serem confirmadas ou refutadas, praticando-se o desapego a ideias incorretas e investimento naquilo que tem de fato potencial.

duplo-diamante

A forma de diamantes é a mesma alusão a divergência-convergência que encontramos na metodologia de Gamestorming, que segue uma lógica de abertura, exploração e fechamento. Isto vale tanto para a fase de entendimento e criação do campo, que se expande para depois convergir na análise e síntese, expandindo-se na ideação, prototipação e testes para então novamente convergir nas tomadas de decisão durante a iteração.

O primeiro diamante é responsável pela definição da estratégia, enquanto o segundo dedica-se a proporcionar a melhor experiência ao cliente, mas é importante chamar a atenção que trata-se de um modelo crescente, dinâmico e evolutivo, mas não necessariamente linear da esquerda para a direita.

A seguir mais um diagrama ilustrativo (www.pinterest.com/wedostudios), destacando o design thinking como uma abordagem excepcional para concepção e ideação, um modelo que transcende as agências e estúdios, pois acredito que assim como Agile, seus princípios e método podem ser usados para qualquer processo de criação … inclusive o nosso!

design-thinking-full

Acho engraçado como empresas e gerências tradicionais veem técnicas como design thinking, gamestorming, métodos ágeis e gestão do conhecimento uma grande perda de tempo. Onde eu vejo interação humana com ganhos em estratégia, qualidade e valor, eles veem reuniões e perda de tempo, em que os profissionais deveriam estar sentados em suas baias fazendo o que são pagos para fazer: “trabalhar”.

Empresas que precisam de profissionais do conhecimento ainda veem trabalho de forma Taylorista, quanto mais quantidade e velocidade melhor. Pensamento pobre, burro, que gasta o dobro para fazer a metade do valor, explícito e implícito. Design Thinking, Métodos Ágeis, Gestão do Conhecimento e Gamestorming vão além, mas exigem habilidades inter-pessoais e coletivas, dons em falta e que devem ser desenvolvidos, mais fácil é continuar fazendo mais do mesmo, em um jogo de faz de conta.

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