No Brasil não aproveitamos o conhecimento científico

A Alemanha tem o maior índice de executivos com mestrado e doutorado, profissionais e empresas do velho mundo percebem o valor das teorias e modelos científicos oriundos de diferentes campos do conhecimento na construção de uma visão mais ampla para os tomadores de decisão. Os parques tecnológicos no mundo inteiro se beneficiam da fusão do mercado, universidade e governos, a Ásia na última década enviou milhares de seus pós-graduandos para mestrados e doutorados nos EUA e União Européia … e o Brasil?

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Lá fora, por trás da estratégia da valorização da educação e do conhecimento científico está a abertura de horizontes, a geração de profissionais que conseguem pensar além do reducionismo de artefatos e estratégias pobres e imediatistas que alavancam receita as custas da própria sustentabilidade. No Brasil, sempre hipervalorizaram o atingimento de metas a qualquer custo, usando teorias e técnicas irracionais colocadas em cheque a várias décadas.

Há mais de 50 anos a escola behaviorista está em cheque, evoluímos para as escolas cognitivista, construtivista e humanista, mas a maioria dos políticos e empresas insistem em abordagens baseadas no mecanicismo da revolução industrial, em fazer mais do mesmo, em recompensa e punição individual, onde os incentivo se resumem a itens decorativos e supérfluos. Já temos a lei da ficha limpa (que não funciona) e deveria ser lei as empresas apresentarem sua taxa de turnover a novos candidatos, uma empresa que perde parte de seu pessoal todos os meses faria um favor aos interessados evitando que eles entrem para sair.

Coletivo valorizado, modelo SECI, ensino e aprendizado, tudo isso deveria ter a ver com o cotidiano das organizações, a opção brasileira é acreditar em Taylor e Fayol, tratar a todos como gado em detrimento à percepção construtivista e humanista para o fortalecimento do capital intelectual, composto por todos os colaboradores e hoje sub-aproveitados. A maioria ainda investe nas ideias de Pavlov baseada em condicionamento de animais para que eles façam o que o treinador quer, no lugar de “cubo de açucar” tem pizza e Coca Cola. 😦
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Escola Behaviorista – No início do século XX o behaviorismo surgiu como uma importante corrente da psicologia, posteriormente usada na educação. A escola behaviorista pressupõe que o aluno possui uma posição passiva em relação ao aprendizado, que para ter sucesso depende de estímulos externos. Vem daqui a percepção do aluno como um mero receptáculo, sendo irrelevante sua história prévia, o ensino deve seguir padrões de condicionamento baseado na repetição. Seus desvios devem ser repreendidos para que não aconteçam novamente, em suma, o ensino é unidirecional e depende do professor.

Escola Cognitivista – O cognitivismo considera importante o entendimento da mente, que assim como um computador, ao receber entradas, possui uma forma de processá-las para gerar saídas ou resultados. Na segunda metade do século XX foi a opção predominante em substituição aos pressupostos da escola behaviorista. O conhecimento e em especial o aprendizado deixam de ser algo extrínseco a pessoa, mas dependentes de modelos mentais, memória, esquemas que precisam ser entendidos para que possam ser mudados.

Escola Construtivista – Esta é minha maior paixão, que na escola, escotismo, para a vida, o aprendizado deve levar em consideração o que cada pessoa possue como base para novos conhecimentos. Contrapondo o Behaviorismo, o aluno não é um mero receptáculo, pois possui crenças, vivências, fatores culturais, familiares, que influenciam em seu aprendizado. O ensino é inútil se não houver aprendizado, para que ambos aconteçam depende do empenho e percepção do professor e de cada aluno na construção de novos conhecimentos. O aluno participa ativamente do seu aprendizado, através da experimentação e do erro, estimulando-se a dúvida e o desenvolvimento do raciocínio.

Escola Humanista – Ainda além do construtivismo, na escola humanista a aprendizagem é um ato pessoal, individual, de acordo com suas crenças, intencionalidade e visão de si mesmo. Um paradigma surgido na década de 60 que valoriza a dignidade humana, o potencial de cada indivíduo. Relaciona-se ao auto-conhecimento, auto-motivação, auto-superação. Assim como no construtivismo, o ensino e aprendizado são inter-relacionados, o educador é um facilitador que deve perceber aspectos cognitivos e afetivos determinantes para o interesse e crescimento de cada aluno.

Métodos Ágeis & cia – Construtivista e humanista, métodos ágeis, assim como grandes nomes da gestão por competências e gestão do conhecimento, uma empresa é feita por pessoas e não por artefatos, com a certeza de que o maior ativo de uma organização é o seu capital intelectual em cultura colaborativa. Queremos que TODOS se envolvam, participem, se apropriem de seus projetos e de seus processos, os princípios ágeis são claros, cada integrante possui voz e valor, nem todos se adaptarão a este modelo, preferindo o tradicional comando-controle industrial, cabe a empresas e profissionais encontrarem o seu destino.

Conclusão

A cada nova década que passa todos sabemos que o Brasil não avança, quer por conceitos coronelistas ou coloniais, com crenças seculares da dominação de minorias que decidem e fazem o que querem a revelia do bom senso ou sensatez da maioria, sempre baseado em conveniência e oportunismo. É assim na política e na maioria de nossas empresas, cresce e aparece quem for mais afeito a poder e dominação, é verdade que uma minoria quer tentar novas abordagens, mais sustentáveis, onde colaboradores tem a capacidade de contribuir mais, entendendo, sugerindo, pensando e questionando, ao invés de só obedecer.

O pior é que nas empresas e na política o discurso é contemporâneo, o marketing e endomarketing são evoluídos, mas completamente descolados da prática. Passa o tempo e vamos enrolando, faturando, somos um país rico e a grana brota, mesmo rasgando boa parte dela, sobra muito … enquanto esta for nossa realidade, a pressão pela mudança para reter clientes, talentos, gerar melhores resultados e buscar um crescimento sustentável vai ter que esperar 😦

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