Design Thinking – Uma semana em uma hora

Acabei de sair da primeira noite do GUDay com o Desafio Open Data e como todo evento tem o seu momento especial, para este foi convidado para este protagonismo o Fábio Serrano para falar sobre Design Thinking, profissional com muita experiência neste tema em uma empresa que o pratica em seus projetos, a SAP Labs. Mais que isso, ele deu uma super-aula em uma hora muito pegada, falou de dinâmicas muito legais.

O Fábio divulgou o evento Mobile Generation SAP da SAP em 02/Setembro próximo que trará especialistas de todo o Brasil para falar sobre a geração mobile e tendências tecnológicas de mercado. Dei uma navegada e o link para inscrições está aqui, nos vemos lá o/

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Design Thinking

Iniciou lembrando que é um conceito que nos remete aos anos 70 e que qualquer profissional do mercado de agências de publicidade e áreas de criação o pratica, mesmo sem dar um nome para isto. É uma metodologia afeita a criar inovação combinando Pessoas diferentes, Espaço criativo e um processo I(n)terativo.

A muito tempo eu digo que chega a ser engraçado ler Métodos Ágeis, Gamification, Design Thinking, entre outros e ver que nenhum deles cita os outros, mesmo sendo irmãos siameses. Inclusive, o Fábio comparou o ciclo PDCA de Deming e Design Thinking, dizendo que a diferença é que o PDCA foca no ciclo e o DT foca nas bordas dele. Minha palestra este ano no XI Seminário do PMI-RS é sobre PDCL Ágil … acho que eu estou entre o ciclo e as bordas 🙂

INOVAÇÃO é o resultado da soma de Desejos (Pessoas), Factibilidade (Tecnologia) e Viabilidade (business).

PESSOAS a serem valorizadas são as em formato “T”, mas há as “-” que são generalistas e as “|” que são as especialistas. O ideal é termos diferentes especialidades, mas todos com boa percepção e amplitude de conhecimentos. Em métodos ágeis temos técnicas colaborativas para todos os fins e o conceito de multidisciplinaridade.

TEAM BUILDING e técnicas de WARM UPS, comuns para energização, integração, sinergia, empatia, muito usadas como Agile Games, procure na web, tem vários no meu blog … se não encontrar o que procura, você pode usar a riqueza existente nos jogos escoteiros, fica a dica!  😉

DEFINA AS REGRAS, lembra o conceito de transparência e do pacto de time, aquele em que o time se reúne e combina suas próprias regras, o que queremos e o que não queremos. O compromisso, o feedback, a liberdade com responsabilidade, qual o método e processo, papéis, etc.

TENHA ESPAÇO E MATERIAL, uma dica que vale para tudo na vida, devemos tratar cada momento e evento de forma responsável, nunca leviana, devemos nos preparar, ter o material disponível, GEMBA, fazer a coisa certa na hora e momento apropriado. Para isto deve haver a preocupação em pensar em qual a dinâmica melhor para cada momento e organizá-la adequadamente. Nada é por acaso!

DUPLO DIAMANTE, nesta palestra o Fábio não citou este jargão do DT, mas o explícitou em diagramas, assim como boas técnicas de gamestorming e métodos ágeis, devemos permitir o brainstorming para haver a profusão de ideias e opções, para então convergir e focar naquela melhor a ser primeiramente validada.

Dicas: O tempo é limitado, devemos estar atentos aos detalhes de tudo, mergulhar no contexto, equivalente ao get out of the building do Lean StartUp, sempre estar atento as situações inesperadas, o que ele chamou de “gambiarras que inspiram”, pediu para estarmos dispostos a experimentar e falhar o quanto antes, aceitar falhas como caminho para o sucesso e DIVIRTA-SE!

1. UNDERSTAND – Tudo começa com um desafio e o primeiro passo do primeiro diamante é o entendimento do problema, buscando esgotar ao máximo no tempo disponível. Citou a técnica de “charetting” em que escreve-se uma frase com a necessidade e faz-se a substituição de cada palavra conforme as diferentes percepções de cada participante, tentando entender o quê, para quem, construindo cenários … lembrei do 5W2H. 

2. OBSERVAÇÃO – significa pesquisar, descobrir, explorar e capturar, mas lembrando que devemos ampliar nossos horizontes, buscando pesquisa de campo, explorando stakeholders, perceber situações similares e análogas, observar os competidores e envolver os especialistas. Uma técnica bem interessante em pesquisas junto a usuários é distinguir o que ele DIZ, do que ele FAZ, do como ele PENSA e o que aparenta SENTIR. Lembrei da PNL, da comunicação verbal e não verbal, mas ele vai além, sugeriu que a gente tente fazer e não só perguntar.

Uma dica comum em pesquisas é não responder pelo respondente, evite perguntas fechadas (você gosta disto?) e privilegia perguntas abertas (o que você acha disto?). Lembrei das duas famosas pesquisas do pastel de feira, uma perguntou se as pessoas gostavam de pastel e a outra o que o pastel de feira os fazia sentir, uma concluiu que pastel de feira é muito apreciado e a outra que o motivo é que remete as pessoas a infãncia quando iam a feira com avós ou pais e ganhavam um pastel.

Veja e observe, sempre com atenção aos detalhes, atmosfera, curiosidade, falando com as pessoas, tirando fotos, formulando cenários (E se …?), comprando e fazendo você mesmo algumas coisas, coletando artefatos. Outra dica é tentar identificar quem são e o que pensam os usuários extremos … o que ama incondicionalmente e o que odeia, aqueles mais fora da curva, entendê-los pode oferecer grandes insights.

Outra fonte inesgotável são as gambiarras que as pessoas inventam para contornar problemas que nem elas percebem que estão ali, pois se acostumam, a frase (genial) dele é que “gambiarras são oportunidades”, refletem necessidades ocultas, impensadas, demonstram detalhes importantes já contornados e internalizados.

3. POINT OF VIEW é o começo do fechamento do primeiro diamante, ou seja, até aqui divergimos e abrimos hipóteses, agora esta na hora de entendê-las e fazer escolhas. A técnica demonstrada é a de StoryTelling, que é muito simples conceitualmente, lembra o início de uma inception ou open space: Cada um dos participantes que levantaram dados tem 3 minutos para apresentar o que descobriu, agrupa-se por similaridade os tópicos declarados e escritos em postits, depois é a hora de identificar a(s) persona(s) e usar um quadrante mágico para organizar as ideias (por exemplo com vetores de desejo e viabilidade), finalmente chegamos na construção de uma frase que represente o ponto de vista construído … que é a nossa User Story = quem + o que + porque.

Dicas: não tente resolver tudo, não confunda solução com necessidade, não inclua todas as ideias, não confunda o óbvio com relevância.

4. IDEATE, aqui iniciamos o segundo diamante, novamente divergindo, realizando brainstorming com características 100% ágeis – seja visual e use postits e desenhos, não julgue, não seja passional, não seja possessivo nem preconceituoso, encoraje ideias estranhas e faça ideias gerarem novas ideias, não restrinja, ouça, mas tente focar em algo. Brinque com as limitações usando cenários fantasiosos e provocativos: “como o superman faria?” ou “Como os egípcios, contrutores de pirâmides, fariam?”.

5. PROTOTYPE, conceito de extrema relevância, muito utilizado no mundo ágil, desenvolvendo iterativa e incrementalmente, buscando problemas escondidos, criando um entendimento comum a todos os envolvidos, (re)definindo o problema e garantindo pleno e constante feedback. Protótipos podem ser feitos de Lego, rabiscados em uma folha, usando sucata, usando dramatização, de experiência do usuário, storylines e storyboards, … tem para todos os gostos.

6. TESTES – Finalmente, uma dica muito legal e conhecida é usar especialistas, não se auto-impôr a restrição de fazer sozinho, a partir do convite a pessoas que podem contribuir, quer sejam stakeholders.

A imagem abaixo eu usei no post anterior sobre Design Thinking, após a palestra da Roberta da Bora Design em um Tecnotalks recente … eu a acho bem elucidativa e mostra o conceito do duplo diamante – divergindo para convergir no entendimento, divergindo para convergir na definição: clientes, parceiros, pessoas criativas, etc … montar um quadro de feedback com quatro quadrantes – O que foi bom, o que foi mal, novas perguntas que surgiram, novas ideias que tiveram.

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3 Respostas para “Design Thinking – Uma semana em uma hora

  1. Oi Jorge, tive a honra de ler o resumo da minha apresentação de ontem. Um texto muito bem escrito e extremamente completo. Parabéns por esse dom. Se resumi uma semana em uma hora, você resumiu uma hora em 2 min.

    Abraço,
    Fabio Serrano

    • Fábio, obrigado pela palestra, foi uma aula nota 10, e também agradeço o comentário. A tempo, o Rafael Chanin do Nós Coworking leu e me pediu teu contato, passei o linkedin para ele.
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  2. Pingback: 01/04 – SAP Inside Track São Leo 2015 | Jorge Horácio "Kotick" Audy

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