SECI, papéis do SCRUM e grupos de prática

Não importa se estamos em meio a um processo de adoção SCRUM ou se já somos praticantes veteranos, um dos fundamentos em métodos ágeis é o aprendizado e melhoria contínuas. O método proporciona auto-organização, com tomadas de decisões frequentes, ações subsequentes e resultados que devem ser analisados, entendidos e ter este conhecimento retroalimentados.

Nada materializa melhor a frase acima que o diagrama do modelo SECI de Takeuchi e Nonaka, a interação humana gerando pressupostos e opções (socialização), sendo experimentado pelo grupo e gerando resultados (externalização), estes resultados sendo debatidos e ampliados (combinação), para então se converterem em conhecimento institucionalizado, retornando às pessoas em um ciclo contínuo de aprendizado organizacional.

_ modelo SECI

Se somos uma das equipes experimentando SCRUM, na minha opinião o passo subsequente é tirar proveito da ideia do modelo SECI através de grupos de prática, momentos quinzenais ou mensais onde pessoas de mesmo papel se reúnem para compartilhar experiências e resultados. Exemplo, mensalmente diferentes Scrum Masters se reunirem para discutir avanços, dificuldades, discutir como vem atuando e como estas experiências podem ser úteis se discutidas e refletidas entre iguais.

Vamos imaginar algumas regras simples para estes grupos, lembrando que trata-se de ciclos contínuos, em que a galera propõe itens para a pauta do próximo conforme seus interesses e de sua equipe, onde cada reunião começa com uma devolutiva de cada integrante sobre os planos de ação que assumiu para si e termina com revitalização ou proposição de novos planos de ação:

  • Pauta – é preciso ter uma pauta, um roteiro, objetivos;
  • Gestão visual – ter um canvas, trazer fotos, diagramas;
  • Timebox – além de pauta, ter tempos máximos definidos;
  • Planos de ação – explicitar a que cada um se propõe.

No caso de um grupo de Scrum Masters, existem diferentes canvas e diagramas que podem ser utilizadas, uma dica é construir estes artefatos antecipadamente em folhas de flipchart ou papel-cartaz, como por exemplo, um quadro para os pontos discutidos em to do, doing e done, um diagrama de espinha de peixe para análises causais, um diagrama da metodologia, seus momentos e conceitos-base:

canvas-CoP

Um ponto importante é ter-se sempre o objetivo esperado em mente, NÃO privilegie mais a técnica ou a forma que o conteúdo, não se apegue demais ao processo, aproveite as oportunidades, se há um consenso naquele ou naqueles pontos mais importantes, parta para o maior valor, que é discuti-los e montar os planos de ação. Tenha o tempo disponível e mantenha em todos a percepção de que estamos ali não para preencher um canvas, mas aprender e propôr soluções.

Importante aproveitar estes grupos de práticas para experimentar e treinar dinâmicas, técnicas, agile games, simular cenários e muito mais. Com experimentos, é possível montar um banco de boas ideias e gerar roteiros para facilitar a prática de cada uma destas ideias em qualquer dos time. Impossível não ver estes grupos como a implementação da fase de “combinação” do modelo SECI, quando boas práticas em equipes são propostas e experimentadas por outras equipes da organização.

Para o debate de um ponto selecionado, analisando ideias e práticas no objetivo de encontrar alternativas e proposições a serem validadas, não esqueçam de boas técnicas como o Managing Dojo do Manoel Pimentel, que pode ser ajustada a nossa realidade, mas propõe uma ótima forma para debates focados em solução:

canvas-mng-dojo

Outro ponto muito relevante é a criação de um repositório para as pautas, atas, propostas, fotos, ebooks e tudo o mais que for trabalhado. Por exemplo, um local onde a galera pode gerar fóruns para trocar ideias, compartilhar links, também onde possam postar fotos de kanbans e burndowns.

Este post trabalhou uma possível abordagem para um grupo de prática de Scrum Masters, mas é importante provocar grupos de PO’s, desenvolvedores conforme tecnologia, PO’s, QA’s, UX’s, etc. Cada qual com características e abordagens adequadas aos seus papeis, entre designers é possível realizar UX Dojos, entre PO’s pode-se simular Inceptions ou User Story Mappings, etc.

Antigamente tínhamos salas agrupando cada papel, onde tínhamos todos os analistas de negócios juntos, designers lado a lado, pool de desenvolvedores, células de testes, etc. Uma boa prática em equipes pequenas e ágeis é agrupar seus integrantes, de forma a potencializar a comunicação e diminuir o desperdício em deslocamento, emails e telefonemas.

Se equipes ágeis privilegiam o valor para o negócio e a interação interna ao time, os grupos de prática garantem que haja pontos de contato periódicos para garantir a troca de ideias, práticas e anseios entre iguais de cada um dos papéis. Eu sou suspeito para falar, pois sou um aficionado dos métodos ágeis tanto quanto de comunidades de práticas (CoP), as vejo como complementares, uma potencializando o crescimento e melhorias na outra … \o/

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