Agile e CoP, como queijo e goiabada!

Tanto os princípios e Métodos Ágeis quanto teorias e práticas sobre Gestão do Conhecimento já são bem conhecidos da galera que me acompanha aqui no blog e no Baguete. Mas na esteira de meus recentes posts sobre GC, vamos juntos fazer um alinhamento conceitual e a práxis em áreas de TI que praticam SCRUM.

Afinal de contas, dez equipes ágeis que não se falam e não compartilham suas experiências não gerarão sinergia com foco em aprendizado vicário, as tentativas, erros e aprendizados de uma podem com certeza otimizar a curva de aprendizado de outras, o instanciamento do Modelo SECI elimina desperdícios e gera valor.

Comunidades de prática (CoP)

São grupos que interagem periodicamente com foco em uma área de interesse, campo de conhecimento ou profissão específica, um termo cunhado por Jean Lave e Etienne Wenger no início da década de 90. Uma CoP pode ser no mundo real ou virtual, mas quero destacar comunidades presenciais em empresas, quando compartilham, debatem, experimentam e geram conhecimento.

Desde a idade da pedra, nossos pajés, caçadores, construtores, etc, reuniam-se ritualisticamente para compartilhar conhecimentos, não só para crescimento pessoal, mas também perpetuá-los e estabelecer novos padrões de execução e excelência. No passado já tivemos guildas, corporações de ofício, hoje temos grupos de usuários, grupos de estudos, câmaras setoriais, comunidades de prática e variadas iniciativas semelhantes mas com outros nomes.

CoP

Muitas empresas incentivam a criação de comunidades de prática, mas há também exemplos de iniciativas pessoais, todas proporcionam mais que compartilhamento e experimentação de novos conhecimento, geram também networking, empatia, sinergia, oportunidades que decorrem da dinâmica construtivista gerada durante a organização e execução deste tipo de eventos.

GC inter-organizacional gerando intra-organizacional

Incentivar a criação de comunidades de práticas dentro de sua empresa e facilitar que seu pessoal participe de grupos de usuários e comunidades de práticas é uma das formas mais eficazes de gerar espirais de compartilhamento e gestão de conhecimento, otimizando o aprendizado vicário.

Aprendizado vicário é uma forma de acelerar nosso aprendizado a partir da observação percepção dos erros e acertos dos outros, é perceber riscos e encontrar alternativas e soluções a partir da interação e da colaboração com outras pessoas que vivem o mesmo contexto ou enfrentam o mesmo problema.

Sem isso, fica mais fácil nos acomodarmos em nossa zona de conforto, fica mais fácil de achar que a nossa forma de fazer é boa, pois como avestruzes enfiamos nossa cabeça em um buraco, o que facilita criar falsos silogismos e a partir de qualquer dado chegar  a qualquer conclusão, pois nos faltam comparações.

Pela minha experiência prática em grupos de usuário e comunidades de prática, sei que ali se encontram pessoas dispostas a aprender e ensinar, a se expôr e dispostas a compartilhar, debater e sobretudo construir novos conhecimentos a partir da sinergia de uma galera inquieta e em busca de fazer história.

Inter-organizacional

Se me perguntarem os porquês da participação em Grupos de Usuários e Comunidades de Prática abertas, fácil, reúnem-se ali pessoas de iguais interesses, inquietas, com fome de conhecimento, interessadas em interagir com pessoas com variadas expertises e vivências, dispostas a compartilhar tanto inquietações quanto convicções.

Unem forças para aprender, crescer, fazer diferente daquilo que já fazem, eficaz para trazer grandes nomes locais, promover palestras, debates e workshops em que o maior foco é buscar respostas, as vezes até mesmo novas perguntas.

As pessoas que colaboram em GU’s e CoP’s, com frequência são pessoas mais valorizadas, pois agregam outros prismas, argumentos e contra-argumentos, saem do seu quadrado, ousam e se aventuram. Se conseguem alçada, promovem reuniões equivalentes dentro da sua empresa, levando suas boas práticas de GC.

CoP2

intra-organizacional

Vamos considerar uma equipe tradicional de testes de software, chamada por algumas empresas de célula de testes ou fábrica de testes, mas que se vê em meio a um processo de adoção SCRUM. Na composição de equipes ágeis, podemos ter a constituição de equipes multi-disciplinares, colaborativas, com product owner, analista, desenvolvedor e testador.

Em muitos casos o ganho da aproximação física da equipe de projeto envolve também um afastamento de seus pares, mas afinal: O quanto é possível aproveitar o melhor de cada um destes dois modelos? Aproximação e integração no time ágil ao mesmo tempo que reforçamos vínculos entre iguais, seus pares.

A criação de Comunidades de Prática envolve compartilhamento de repertório, auto-organização e objetivos convergentes. A participação tende a oferecer uma visão maior que o seu projeto e processo, gera debate em um plano evolutivo que vai além do seu dia-a-dia e contexto atual. O senso de pertença e melhoria Kaizen oferecido às equipes SCRUM é complementar aos resultados de uma CoP.

Acrescente a isso alguns ganhos como integrar rapidamente novos colaboradores, diminuir curvas de aprendizado, conhecimento e alinhamento as boas práticas, auto-conhecimento, auto-diagnostico, repasse de know-how, alinhamento de riscos e oportunidades, favorecendo o exercício da discussão de ideias, negociação e outras competências.

 Não somos ilhas

Cuidado então, adotar Agile e não instanciar a Gestão do Conhecimento proposta pelo Modelo SECI e pelas Comunidades de Prática é um risco de ter ilhas, um arquipélago em que todos os times correrão o risco de cometer os mesmos erros.

O esperado é usar a GC para que o aprendizado dos times possam potencializar ao máximo o aprendizado organizacional … pense nisso!

2 comentários sobre “Agile e CoP, como queijo e goiabada!

  1. Pingback: A Práxis da Teoria da Capacidade de Absorção | Jorge Horácio "Kotick" Audy

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