Genba também tem a ver com esferas de atuação

Genba ( 現場 ) é um termo da cultura japonesa apropriado pela cultura Lean para identificar a importância de entender qual é o lugar e momento em que o “valor” é de fato criado. Entendamos valor como atingimento dos melhores resultados, quer para um debate de ideias, solução de problemas, resolução de conflitos, aproveitamento de oportunidades, no pleno potencial do objetivo.

Um conceito que nos leva a tentar entender algo através da participação ativa, presenciando fatos ao invés de apenas recebendo relatos. É criar ou aproveitar o momento certo, no lugar apropriado e com as pessoas certas, para então tratar de assuntos que necessitam de domínio para serem endereçados. Um desafio para os mais imediatistas, passionais ou geniosos.

De nada adianta chegar a conclusões e tomar decisões conversando com as pessoas erradas ou tentar solucionar algo baseado em relatos indiretos ou passando recados, meios imprecisos e passionais. Fazer isso, tendo a oportunidade e acesso aos locais e pessoas corretas é mais que desperdício.

Se somos contra algo, é no fórum adequado que devemos usar de nosso poder de negociação e argumentação para tratar deste assunto. De nada adianta não ter argumentos e apeçar para frases de efeito e retórica nos corredores e reuniões, provavelmente esta atitude não só não resolverá nada como irá gerar novos e maiores empecilhos para todos, prejudicando o ambiente geral e a execução.

Já escrevi muito sobre Genba nas relações internas a equipe e no cotidiano de papéis, timeboxes, artefatos e regras, sobre transparência, inspeção e adaptação, mas quero provocar uma reflexão sobre esferas de atuação.

Contrato e execução Ágil

Quando um cliente, externo ou interno, contrata um serviço de desenvolvimento de software estabelece-se duas esferas claras de atuação: uma de contrato e outra de execução. Não entender o que é uma ou outra leva pessoas a “desperdiçar” seu tempo e dos outros debatendo coisas fora de suas alçadas, pior que isso, gerará tensões e reações que prejudicarão ações futuras, sinergia e empatia.

Um cliente que não entenda o conceito de GEMBA e pressiona questões negociais no dia-a-dia com a equipe de desenvolvimento gerará e ampliará cada vez mais um sentimento de auto-defesa que gerará efeito diretamente oposto ao desejado. Ingenuamente, exercer uma pressão abstrata, descontente, sobre questões fora da alçada de qualquer dos interlocutores só leva a frustração e angústias.

Um cliente discutir e ameaçar com cláusulas contratuais os integrantes de um time de desenvolvimento é equivalente a estes integrantes discutirem com ele detalhes da configuração do Eclipse ou problemas salariais. O segredo de um bom relacionamento, empatia e sinergia entre fornecedor, cliente e equipes é GEMBA, esferas de atuação, é cada assunto e macaco no seu galho.
contrato e desenvolvimento 2
Cliente x Fornecedor – Deve haver uma política de confiança e transparência, ambos cientes do papel de cada um e de que tipo de relacionamento querem construir. Relações baseadas em artes cênicas e teatralidade inconsequentes geram uma relação prejudicial a ambos, baseados em defesas e ataques.

Cliente x Contrato – Deve trabalhar para deixar o mais claro possível suas expectativas e necessidade, com clareza nos termos e cláusulas que regem esta relação. Cada qual deve nomear seus representantes executivos e jurídicos, pois contratos devem refletir boa relação entre as partes e sustentação legal.

Cliente x Time SCRUM – O cliente deve empoderar seu representante, o product owner (PO), identificando também seus stakeholders em cada nível e área, de forma a que o time junto ao PO tenham máximo entendimento das features e protagonistas, necessidades e oportunidades, para geração de valor.

Fornecedor x Contrato – Os termos relacionados a metodologia a ser praticada deve ser ao máximo esclarecida, o cliente deve ser apresentado plenamente aos preceitos e condicionais relacionadas aos princípios ágeis e do método que será aplicado, alinhando plenamente as condições e expectativas.

Fornecedor x Time SCRUM – É preciso dar as condições e empoderamento ao time para que ele possa realizar seu melhor trabalho, consciente da grade de conhecimentos, capacidades, necessidades e restrições. Cabe ao fornecedor proporcionar ao time condições compatíveis ao contrato e expectativas.

Contrato x Time SCRUM – É importante que o Time tenha ciência do que é esperado deles, como o contrato exprime sua atuação, qual a responsabilidade de parte a parte, mas NÃO é alçada do time estabelecer discussões com o cliente sobre estes temas, que deve ser redirecionado ao gerente ou área apropriada.

A incapacidade de percebermos e termos uma atuação condizente em diferentes esferas de atuação gera um custo alto em desperdício, tensão e dispersão. Quanto mais perdemos o foco de nossos interlocutores, mais energia se esvai discutindo questões que não estão maduras ou necessitam outro fórum.

O estabelecimento de discussões e pressão na esfera de atuação incorreta gera um custo em confiança e quebra de empatia, que mesmo redirecionando e solucionado na sequência, exigirá ainda mais energia e tempo para resgatar.

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