Qual método você pratica?

Vamos botar um pouco de pimenta neste angu e pensar em métodos, em mudança, em velocidade de aprendizado, na importância de números e métricas para evolução pessoal e de grupo … Qual método você pratica? E mindset?

Estamos em pleno ano de 2015, século XXI, e muitas equipes ainda deixam a vida lhes levar, é aquela galera que ao perguntarem qual o método que praticam, ficam com aquela expressão de cusco que lambeu sabão. Alguns desdenham, eles tem um método próprio, mas não é preciso ter um método, pois faz seu trabalho e ele é reconhecido de uma forma ou outra pelo chefe.
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Algumas equipes tem crenças e valores alinhados a processos waterfall, praticam software da mesma forma que se constrói um carro. Ninguém vai detalhando um carro na medida em que o constrói, mas alguém com conhecimento suficiente o entende em sua plenitude, planeja, modela, as vezes essa mesma pessoa distribui tarefas, cobra resultados, junta tudo e entrega.
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Métodos iterativo-incrementais são mais antigos que a internet, são modelos em que temos os planejadores e distribuição de tarefas, cobrança, mas não segue uma lógica waterfall, vai-se antecipando algumas coisas, gerando-se entregáveis parciais, ainda em um mindset industrial, com gerentes, analistas, projetistas e engenheiros, que definem o que precisa ser feito.
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Muitas pessoas confundem Agile com o método GoHorse, da mesma forma que os Hyppies da geração Woodstock interpretavam a liberdade. Imersos na rigidez hierárquica familiar, civil e militar vigentes, eles acharam que a melhor forma de mostrar que eram livres era negando tudo. Eles se liberaram de tudo, negavam qualquer tipo de controle, de plano … só droga, sexo e rock n’roll!
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A mais relevante diferença entre todas as anteriores para os métodos ágeis são os princípios baseados em interação, co-criação, auto-organização e em processos mais sustentáveis. Não é o fato de pensar em valor e eliminar desperdícios, isso todos tentavam a seu modo, certo ou errado, eterno risco, a diferença essencial é o senso de pertença e de time em ciclos iterativos-incrementais-articulados.
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Sei que muitos agilistas afirmam que não é preciso estimar, que a equipe é auto-organizada e soberana, mas a meu ver métodos ágeis NÃO são uma ruptura com estimativas de prazos, orçamentos, métricas, … está mais para liberdade com responsabilidade! A diferença é o senso de pertença racional e sustentável, com clientes, empresas e integrantes do time puxando para o mesmo lado.

Vamos dar prazos, vamos estimar para podermos monitorar o andamento, usar métricas para podermos melhorar, trabalhar para cada vez mais termos orgulho do que e com quem fazemos. Não concordo com a visão de auto-organização como um bunker sem janelas onde a equipe delibera, deve ser como uma sala de controle com instrumentos a vista, todos empenhados na otimização do sistema.

Desculpas aos que acham que a solução é abandonar métricas, deixar de orçar, desapegar de tarefas e horas, até mesmo pontos agora são questionados, porque na opinião da vanguarda só o que importa é valor entregue e satisfação. Eu não acho que seja tão simples, até pode dar certo, mas com a maioria das empresas, com fornecedores e clientes, é preciso ter números e planos de ação.

Lamento aos utopistas, mas empresas que contratam pessoas e fornecedores precisam monitorar sua produtividade, querem poder sim comparar, querem decidir promoções, méritos, até mesmos demissões. Aos que pregam Agile como um Nirvana onde nada disso é preocupação, proponho um bom debate no próximo TecnoTalks … talvez um Fishbowl, um open space, qualquer forma.

Na prática essa abordagem se parece muito com os Hyppies que ao se rebelarem contra o sistema achavam que tudo era do mal, queriam andar por aí pelados, transando, fumando um baseado e sendo felizes. Métricas, controles, comparativos deveriam ser de interesse da própria equipe, interessada em tomar as decisões certas, para aprender, crescer, melhorar continuamente.

É claro que admiro quem diz que conseguiu transcender a tudo isso de forma sustentável, mas o que posso dizer é que eles aparentemente devem estar adiante na escala de evolução, tal qual um homo sapiens frente ao australophitecus …

4 comentários sobre “Qual método você pratica?

    • Muita gente enxerga métricas e números como exposição, tem que serem vistos como transparência … sem isso não se estabelece a melhoria. Sem saber como vamos, qualquer cadência serve, até aparecer um problema ou cobrança, daí vira briga de bugio 😦
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  1. Concordo contigo em gênero, número e grau! Excelente post! Só para jogar mais lenha nos hippies, eles queriam ter tudo, mas ninguém ali sabia o que era sequer plantar e colher maconha! Alguém tinha que sustentar aquilo tudo, e eles queriam ser livres até dessa informação! Hipocrisia máxima, na minha opinião, é isso: querer os bônus sem arcar com os ônus. (Ou é onuses e bonuses???)

    FELIZ ANO NOVO!!!

    • Sex, Drus & Rock’n roll não foi uma revolução, foi um grito de protesto … porque depois daquilo a galera teve que procurar emprego, pagar as contas e ser feliz sem excessos 🙂

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