Métodos Ágeis em contextos adversos

Um leitor ou iniciante em metodologias ágeis corre o risco de embarcar na ilusória perspectiva de que ao adotar métodos ágeis, como SCRUM, KANBAN e XP, tudo será maravilhoso. Afinal, a partir de agora todos vão trabalhar colaborativamente, com transparência e responsabilidade, em um ambiente mais leve e construtivo, gerando mais valor, mais rápido e com mais qualidade.

Se é assim: por favor, embrulha dois desses negócios mágicos para eu levar!

Até pode ser um processo rápido, já tive experiências assim com o Carlos Becker pela Software Process e com o Eduardo Peres na DBServer, contando com apoio da alta direção e linhas de comando da empresa, quando gerentes, gestores e equipes não depõem contra. Quando a dificuldade é só o tempo necessário para estabelecer um clima de confiança e de interesse pelo crescimento em todos, não só do software, mas das pessoas, times e resultados do trabalho coletivo.

Mas na maioria das vezes é um pouco mais difícil que isso, com frequência há profissionais que não abrem mão de serem as estrelas do show, priorizando sempre chamar a atenção para si. Outros usam a agilidade como escudo, na contra-mão de tudo o que o método almeja, distorcendo princípios para tirar vantagem. Um modelo mental de ganha-perde ao invés de um ganha-ganha.

pinguins, peixes e ursos

A única solução é equidade, onde cada um deve receber o quanto ele e o conjunto merecem e é justo. Cliente interno ou externo, área de TI, fornecedor, parceiros, todos precisam conscientemente ter foco no maior valor real daquilo que estão construíndo. Um ecossistema onde todos quererão permanecer enquanto houver equidade, não igualdade, mas aquele justo e transparente ao papel de cada parte.

Teorias como a Institucional, Yerkes-Dodson, Cynefin, Tuckman, Complexidade, Karasek, Restrições, Agência, …, todas nos ajudam a entender que os princípios ágeis não são uma proposta avançada, mas uma resposta a décadas de pesquisas e modelos que não tinham resposta nas teorias administrativas da virada do século XIX para o XX … está na hora de aprendermos com os erros.

Quais as semelhanças entre as grandes empresas de tecnologia, aquelas que revolucionaram seus mercados usando conceitos de Design Thinking, Lean StartUp, Metodologias Ágeis, Gamestorming, Service Thinking, Business Model Generation? Elas são colaborativas, campeãs em atrair e reter talentos, em usar o capital intelectual que possuem, baseados em equidade, colaboração, sendo sustentáveis, gerando agilidade, inovação e empreendedorismo.

multi-convergencia

Se você me perguntar por onde começar, um bom começo é melhorar a comunicação, incitar o senso de pertença, de interesse em melhorar. Eu começaria com um Open Space ou World Coffee, selecionando aqueles tópicos mais votados como sendo os Top 5 a serem melhorados, talvez usando um Managing Dojo ou Learning 3.0 como técnicas para os brainstormings.

O importante é construir uma boa análise de causa e efeito, montar planos de ação onde todos se comprometam e vejam valor na medida em que acontecem. É possível usar técnicas como a SWOT, Value Stream Mapping ou de Value Proposition, sempre, a cada reunião, realizando jogos e dinâmicas que valorizem a integração, interação, comunicação, criatividade e pró-atividade.

Uma dica genérica é usar a técnica de Mapping para os brainstormings iniciais, que se estabelecerão os principais pontos a serem debatidos e discutidos, pois apenas o fato de alinhar as percepções do que é valor e o que é premente para cada envolvido, equipes, áreas, papéis, etc … já é um grande passo.

baby steps
Adotar um framework já utilizado por milhares de empresas no mundo é uma boa opção, mas mesmo sem isso, desde os mais adversos aos mais abertos contextos, estabelecer uma melhor comunicação para a construção de planos de ação de comum acordo, empatia e sinergia é o primeiro passo e o único realmente convergente aos princípios ágeis.

Se quiser trocar uma ideia, concorda ou discorda … comenta aqui  o/

 

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Uma resposta para “Métodos Ágeis em contextos adversos

  1. Concordo em gênero, número e grau. Sempre que eu pude aplicar gestão ágil, os projetos tiveram (e estão tendo, no caso do meu projeto atual – Data Mining) bons resultados. Normalmente o que solapa o andamento da coisa é o entorno. É um gerente que não entende como funciona Scrum e se mete a dar pitaco em tudo (chegando ao extremo de “achar que standup todo dia é demais” – argh!!!!), é um time-fornecedor que não fala com a equipe, é um PO que não quer entender o que está sendo dito… É tudo! Por isso eu digo: embrulhe mais dois desse treco mágico para mim, faz favor! 😉

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