Design Thinking – Um exemplo prático em 5 passos

No evento de RED#2 (Robótica na Educação) da FATEC tive 60 minutos para em um oficina prática passar os princípios do Design Thinking aplicados na educação. Para isso criei uma sequencia que cumprissem os 5 passos propostos pela IDEO usando diferentes quadros e modelos.

Participar de eventos não é networking, é vida, reencontrei um colega de Rosário da década de 70 em um debate em que ele era um dos debatedores e eu o mediador – Ruben Dutra Fagundes (IPA) – além da parceria do Cássio e Betynha Trindade, do reencontro com o Roben Lunardi do IFRS com seus pupilos. Também com a Deborah, Henrique e o Broilo, organizadores do evento e todo o time que também foi do RED#1.

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Há dezenas de técnicas e dinâmicas interessantes para conduzir um processo de investigação, escolhas, ideação, validação, tomada de decisão, construção, muito especialmente na gestão da energia e conhecimento gerados nesta estrada.

Podemos ver tudo isso como um desafio esporádico, um framework utilizado quando estamos com problemas ou sem saída, mas é possível perceber estes conceitos e suas conexões como um modelo mental, uma nova forma de pensar.

Design Thinking é uma forma colaborativa, baseada na interação humana, na reunião de diferentes percepções, ideias, vivências, opiniões, é a valorização da diversidade, do debate, da provocação, em ir além do lugar comum.

No Brasil temos a tradução de material didático traduzido, exemplos e informações de uma iniciativa que está dando certo nos Estados Unidos, com o protagonismo de uma das maiores referência em design thinking no vale do silício, a empresa IDEO – http://www.designthinkingforeducators.com. A versão brasileira está em http://www.dtparaeducadores.org.br.
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O framework proposto pela IDEO é muito longo para ser entendido, com muitos campos explícitos a cada etapa, impossível de ser proposto em uma dinâmica de 90 minutos e que por atrasos outros e por ser a última oficina do evento, acabou se resumindo a 60 minutos. Mesmo assim, acho que o recado foi passado com sucesso e teve um excelente feedback.

A seguir um exemplo de como usei algumas ferramentas inspiradas em diferentes origens para cumprir os cinco passos de forma organizada e produtiva, sequencia que apliquei em uma oficina no RED#2 sobre Robótica na Educação na FATEC.

1. Descoberta

O primeiro passo é encontrar um desafio entre problemas ou oportunidades trazidas pelos participantes. Sem preconceitos ou restrições, com um tema geral “robótica na educação”, todos vão propondo suas percepções de problemas ou oportunidades que merecem debate e mapeamento de alternativas.

Usei um Canvas com quatro quadrantes, baseado em um eixo cartesiano onde X era AUTONOMIA e Y era RELEVÂNCIA. Por ser um eixo cartesiano, o ponto zero na esquerda inferior, crescente nestas duas dimensões para cima e a direita. O objetivo é permitir uma discussão racional para a identificação daquilo que mais merece e precisa nossa atenção.

Quanto mais para cima, indica que trata-se de algo mais relevante para o grupo e quanto mais para a direita, indica algo que depende mais de nós que dos outros. Este eixo gera um quadrante mágico na direita superior com aquilo que mais impacto gera e que maior autonomia temos para resolver.

Na medida em que vão surgindo os postits, quem o colocou o explica e coloca onde acredita ser o ponto nos quadrantes onde ele se posiciona entre relevância e autonomia EM RELAÇÃO AOS DEMAIS. Uma dinâmica onde cada novo postit pode fazer com que outros troquem de posição.

Quer por estourarmos o tempo previsto para este primeiro passo ou por ponto de saturação ou convergência, fazemos uma votação, para iniciar cada um ganha direito a votar duas vezes, podendo ser em um ou dois postits. A partir dos votos sabemos quais são os dois ou tres mais votados e tentamos argumentos que confirme o mais de todos. Este será o nosso desafio para debate e solução!

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 2. Interpretação

Uma vez escolhido aquele problema ou oportunidade que todos ou a maioria escolheu debater e tentar uma solução, partimos para um passo de interpretação. Aproveitei o conceito de Storytelling, fiz uma folha com três trilhas para que cada grupo desenvolvesse narrativas sobre os momentos, condições, personagens, desenhando ou dramatizando o problema ou oportunidade.

Em um exercício em evento, não tivemos entrevistas e pesquisas, mas contou com as opiniões e percepções do cotidiano e realidade de profissionais que compunham cada mesa. A ideia é ser algo lúdico, usando cores, desenho, animação, dramatizações, meios de passar e ver por trás e além do desafio.

Novamente uma meta de tempo para desenvolvimento deve ser considerado, mas pode ser antecipado pelo que chamamos de ponto de saturação, ao perceber que temos histórias claras e todos acreditam que é possível seguir adiante. Mas é importante não sermos afoitos, o entendimento é um passo importante.

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Eu tenho uma caixa grande com milhares de peças de lego-lego, também tenho uma caixa de tesourinhas e papéis coloridos, entre outras possibilidades são formas de contar histórias montando cenários e contextos. Não veja isso como desperdício, o nome disso é imersão e quanto mais conseguirmos entrar na discussão será mais fácil ter 100% da energia de todos, usamos jogos, brincadeiras e o lúdico para entrarmos em fluxo.

 3. Ideação

O terceiro passo é a ideação, para este passo há dezenas de boas técnicas, mas eu optei pelo managing dojo do Manoel Pimentel. Um quadro onde explicitamos fatos, ideias maluquinhas, planos e métricas para solução de problemas e aproveitamento de oportunidades.

Novamente, as técnicas de mockagem com sucatae papel colorido, lego-lego, desenho, tudo é bem vindo, mas eu optei por uma abordagem de brainstorming em um quadro organizado. É uma técnica bem simples, que pode ser trabalhada em formato Dojo, em que começa com um brainstorming, depois em fila circular um por vez vai dando sua opinião e manipulando o quadro, bem democrático.

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Existem outras técnicas coletivas de ideação coletiva, provocativas, mas técnicas como o managing dojo do Manoel Pimentel possibilitam que com pouco espaço e tempo, possamos realizar um bom exercício de ideação e debate sobre alternativas e convergência para a escolha daquelas que mais valor agregarão.

4. Experimentação

Quando usamos conceitos de design thinking em desafio de serviços, processos de trabalho, planejamento longitudinal, em diferentes casos as ferramentas necessárias são linhas de tempo, onde teremos proposições envolvendo ações e responsabilidades. São mapas conceituais e fluxogramas, não devemos ser preconceituosos com a origem da técnica, mas perspicazes com o potencial delas.

Nestes casos voltamos a contação de histórias, mas também e especialmente a User Story Mappings, Customer Journey Maps, Value Stream Mappings, entre outras tantas … todas elas precisam ser ajustadas ao contexto, eu aproveito cada uma delas alterando suas dimensões, criando raias.

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Trago este ensinamento adaptativo de uma fonte inesgotável de conhecimento, do escotismo, um mesmo jogo ou atividade pode ser usado com sucesso para faixas etárias diferentes e para ensinar princípios e valores diferentes mudando alguns ingredientes, abordagem ou principalmente o fundo de cena.

 5. Evolução

Aqui eu trago conceitos da gestão da inovação, do modelo SECI, comunidades de prática, nenhum aprendizado útil deveria ser desperdiçado, então nosso olhos deveriam sempre estar no horizonte, no próximo passo. Um projeto ou plano executado com sucesso sempre tem desdobramentos.

Neste caso, na educação, uma experiência exitosa pode ser aproveitada por outros educadores, por outros cursos, por outras escolas, em outros lugares. Ao melhorarmos algo em uma sala ou disciplina, o aprendizado adquirido, de sucesso ou invalidação de um pressuposto, tudo alimentas uma roda que nos levará a novos conhecimentos e ao crescimento.

Finalmente, lembrem-se sempre que no passo um escolhemos um desafio, mas outros tantos ficaram nos aguardando no eixo cartesiano e quadrantes que criamos, novos postits surgirão, a medida que uma solução é conquistada, outras soluções e desafios surgirão.

A esquerda temos o modelo SECI, iniciando na interação entre duas pessoas, passando para o grupo, organização e como resultado deste espiral do conhecimento temos aprendizado intra-organizacional e inter-organizacional … estamos falando de uma cultura de aprendizado, colaboração e ação social.

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No exercício do RED#2, a folha com o passo quatro tinha um quadro aberto para que cada grupo escolhesse sua abordagem e o cinco tinha o modelo SECI em pequena escala com a provocação para que pensassem na estratégia dos próximos passos a nível individual, de grupo, organizacional e cultural.

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A essência é aplicar design thinking o design thinking, agilidade na agilidade (métodos ágeis é meu carro-chefe – Lean, Scrum, Kanban, …). Se você quer uma receita que dê certo, esqueça! Nem receita de arroz dá certo sempre, tem gente que queima ovo frito e mesmo assim tem um povo que procura a receita para interação humana.

Junte-se, tente, inspire-se, o outro não é um problema ou mal necessário, é um desafio aguardando ideação. Não é a toa que o maior pilar do design thinking é a empatia … sem empatia não tem solução, tem frustração 😦

A segunda edição foi um sucesso, auditório lotado, transmissão pelo streaming do Youtube, participação em bancas, demonstração e palestras de todas as principais empresas da área, ligas e torneios. Que venha o RED#3:

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Uma resposta para “Design Thinking – Um exemplo prático em 5 passos

  1. Nossa, esse veio empacotado de coisas! Eu gostei de ver o site do Design Thinking – muito útil!

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