Sem humildade não aprendemos nada

Aprender algo a cada dia, esse é o segredo, todos nós vivenciamos, observamos, trocamos ideias e percepções, conhecimentos e informações, cabe a nós sermos humildes o suficiente para aproveitarmos cada oportunidade para aprender, sempre deixando o mundo ao nosso redor nos surpreender, passar recados.

Agradeço a muita gente por me oportunizar novos aprendizados, verbalizo isso sempre que acontece, e a vida me oportunizou uma trajetória em que interajo com pessoas incríveis. Antigamente aprendia mais com os mais velhos, mas de uns tempos para cá eles estão cada vez mais jovens …

Jogando o relógio fora!

O que mais me fascina é quando conseguem me mostrar que um paradigma até então inquebrantável é colocado em cheque. Uma destas quebras de paradigma mais intensos que ultrapassei, foi a necessidade de estimar tarefas em horas, passei muito tempo abraçado a esta crença. Histórias do usuário, planning poker, release plan, mas chegava no sprint planning e não conseguia não usar horas.

Puro modelo mental industrial, apesar de curtir gurus, como Zerafian, que ainda no século XX justificavam que precisávamos desapegar do relógio como métrica de produtividade, mesmo assim, eu mantinha meu modelo mental onde tarefas tinham que ser medidas em horas … senão não seria possível aprender.

Pois então, sempre fui resistente, décadas de PMBOK e GP tradicional, mas a partir de projetos na DB, vendo uma gurizada inquieta, ímpar, finalmente caiu a ficha e entendi, cristalino como a água, aprendi vendo colegas como os jovens Marina Bellenzier, Bruno Souza, Thafarel Camargo e Willian Ribeiro.

Manter estimativas apenas em pontos, desde o Release Plan, reiterando-as a cada sprint planning, ajustando-as se necessário, aprendendo a ler sua velocidade e cadência em pontos. Quebrando em tarefas, mas não desperdiçando tentar estimar em horas, granularidade pequena demais, ao invés de focar em valor.

No começo é estranho, mas rapidamente aprendemos a estimar em alto nível, lastreado em um novo paradigma, usando comparações entre funcionalidades de mesma complexidade e esforço. É mais que o suficiente, mais rápido e mais simples. Exige apenas desapego ao relógio e foco em resultados, em valor.

passo-a-passo-release-plan

User Story Points segue a série de Fibonacci: 1, 2, 3, 5, 8, 13, seguindo o conceito de cone das incertezas e quanto mais desconhecido ou maior, a série aumenta significativamente. É o mecanismo que evita o investimento em entender detalhes e sutilezas, apenas em proporções comparativas, simplificando o debate, convergência e aprendizado.

Ao adotar o método SCRUM, assumimos que queremos aprender, pois melhoria contínua é isso. Release Plan, ciclos iterativo-incrementais-articuladas, sempre ligados, backlog, kanban, daily aferindo cada passo, adaptando-se na medida que ocorrem entregas e iniciam novas sprints.

Temos que nos dar mais ao privilégio de aprender uns com os outros, entender isso abre um mundo de oportunidades, aprender um pouco mais a cada dia é mais um passo na direção certa, abrindo novas portas e sonhos.

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É preciso periodicamente colocar-se em cheque, estar sempre revisando suas premissas e paradigmas, caso contrário paramos no tempo. Mas acima de tudo, não podemos ser arrogantes ou auto-suficientes, aprender é um privilégio e na maior parte das vezes é de graça. O mundo nos envia seus recados, ao nosso redor coisas acontecem, sempre mudando, cabe a nós querermos ou não acompanhar tudo isso. Eu digo que nasci Baby Boomer, já fui X, virei Millenial, hoje sou um pouco de cada um, mudando e tentando ser feliz!

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4 Respostas para “Sem humildade não aprendemos nada

  1. Sabe, estou dividido. Primeiro, com certeza, sem humildade o aprendizado é mais difícil, tanto que dizemos que aprendemos pelo amor (com humildade) ou pela dor (quando o conhecimento se torna inescapável.) Aliás, parece que quanto menos alguém sabe, menos humilde é essa pessoa. Enfim.

    Por outro lado, esse lance das horas é uma coisa engraçada. Eu sempre usei, desde o início, e sempre deu muito certo, mas apenas comigo! Eu consegui divisar uma técnica de estimativa de horas que não amarra o tempo trabalhado ao tempo restante, como eu acho que o Ken Schwabb explicou, mas parece que ninguém mais entendeu a mesma coisa. Terei errado?

    Faço assim. Depois de escrever e precificar as histórias (sempre com Fibonacci), desenho as tarefas. Daí olho para cada uma e me imagino, sentado à minha mesa de trabalho, focado, intensamente concentrado nela, trabalhando incessantemente. Eu realmente me coloco em uma realidade alternativa na qual eu estou de fato fazendo aquele trabalho. De tanto que eu já fiz na vida, eu consigo crescer um sentimento de ansiedade e angústia proporcional ao tempo que eu vou ficar colado na tarefa. Com essa visão, eu revolvo minh’alma para descobrir quanto tempo, naquele mundo de imaginação, eu ainda ficaria trabalhando freneticamente, até completar tudo, com a qualidade que eu quero. Sempre sem levantar, sem beber água, falar com ninguém ou parar por nada: quanto tempo eu estaria acorrentado à mesa para completar aquela tarefa? Eu consigo traduzir isso em tempo, em horas. Coloco isso nas tarefas. Durante os standup meetings eu repito o mesmo processo e reavalio o tempo. É uma experiência pessoal, individual, em que o único enganado por qualquer trapaça sou eu mesmo. Repetindo isso, dia após dia, eu consigo contar a marcha das horas até o final. E o conhecimento de cada tarefa, de cada marcha, alimenta a próxima estimativa, nos próximos ajustes.

    Então, no fundo, eu meço em horas, mas não uso um relógio. Muita viagem?

    • Oi Fábio, fazes o que teu hábito te induz a fazer, estimar em horas e controlar em horas. O que alguns já fazem é desapegar das horas e pensar em pontos. Mas já tem gente pensando em features e baldes. É o que o Caroli da TW faz na técnica Direto ao Ponto … ele já desapegou faz tempo das horas, agora desapegou até dos pontos. A gente ainda tem bastante estrada pela frente, mas estamos na estrada, é lomba abaixo na banguela, ninguém segura, vamos aprendendo, desapegando, tentando melhorar sempre 🙂 Bom final de semana companheiro!

      • Obrigado, chapa! Mas agora vocë me deixou com outras dúvidas… Correndo o risco de parecer que não fiz a lição de casa, qual é a vantagem de se desapegar de uma régua? O ponto não é entregar mais, em menos tempo, com mais qualidade, se divertindo o máximo? É importante, neste contexto, buscar se desapagar de algo ou se apegar a outra coisa? Eu não sinto necessidade de estimar algo em horas. Eu uso essa estimativa para medir a minha velocidade, medida que, por sua vez, me ajuda a lidar melhor com o cliente…

      • Eu disse que eu desapeguei, por interesse e experimentação, não que era uma necessidade a todos, logo, só desapega quem quer, do que quiser :o) O fato e os grandes nomes do Agile falam em pontos, tamanho de camiseta (inception ou user story mappings) ou mesmo features (direto ao ponto), estimando em alto nível. Se para ti está bom, bom para ti! Eu gosto mesmo é de lembrar que só mudamos (ou desapegamos) se houver paixão ou pressão pela mudança. Não existe receita de bolo, existem experiências que deram certo aqui ou ali, que nos chamam a atenção e nos instigam, por paixão ou pressão. Afora nossos próprios experimentos \o/
        Bom finde, vamos falando!

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