O quebra-gelo da cobra e do tigre

Um jogo escoteiro (Kaa & Shere Kan), onde equipes competem ao ar livre em filas, um segurando o outro na cintura, bem firme, evitando se separarem. Um aprendizado sobre cadência e trabalho em equipe, pois todos devem respeitar o ritmo do grupo, cada equipe com a meta de tirar os outros do jogo. O segredo é manter uma unidade e velocidade que todos consigam sustentar, para o feitiço não virar contra o feiticeiro, porque se a fila se separar o jogo acaba.

O desenho abaixo é uma arte que a Luisa Audy, minha pequena, me deu de presente, os jogadores não estão segurando na cintura da frente, mas é devido a uma liberdade poética, ela imaginou as equipes com uma pele de tigre e de cobra sobre eles  🙂  eu curti demais, a sensação de movimento e a expressão dos jogadores ilustram o jogo em suas principais características:

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Divida o grupo em equipes de forma aleatória, se serão três equipes, conte todos os participantes, lhes dando um número de 1 a 3, pedindo que se agrupem os 1, os 2 e os 3. Explique qual é o espaço de jogo, de onde eles não podem sair, algo em torno de 5 x 5 metros, usualmente ao ar livre. Explico as regras e peço que cada fila (equipe) coloque o “rabo” que entrego a cada equipe (eu uso uma tira de 50 cm de TNT colorido) em seu último integrante, para então posicione-se onde achar mais conveniente dentro do campo de jogo.

Antes de começar, faço uma breve provocação sobre sistemas empurrados e puxados, sobre trabalho em equipe, também lembro da teoria das restrições, onde a força da equipe esta em conhecer e desenvolver o seu elo mais fraco. Feito isso, eles devem segurar a cintura do colega que está a frente e não mais largar, ao mesmo tempo tentarão ajudar o primeiro a pegar o “rabo” dos outros e o último a proteger o seu “rabo”.

A sensação é de serem juntos uma minhoca, mas somente se todos estiverem unidos pelo objetivo sairão vencedores, valor é pegar o rabo dos outros e desperdício é deixar que peguem o seu rabo ou alguém soltar a cintura do outro … A diferença entre sistemas empurrados e sistemas puxados é que ao invés de pensar só no SEU objetivo, todos precisam pensar nos objetivos principal e individual. Sistema puxado geram menos desperdícios, ao contrário do sistema empurrado, onde um integrante pode tentar ser a estrela, ser o herói, em uma velocidade que a equipe não acompanha, gerando problemas as vezes ocultos.

  • O campo de jogo é limitado (5 x 5), para concentrar a disputa;
  • O tempo também é limitado, 15 minutos contando tudo;
  • Forme equipes, que após definidas devem formar filas indianas;
  • Cada um do time deve segurar firme na cintura do da frente;
  • O último de cada time, pendura na cintura atrás de si um “rabo”;
  • O rabo (corda, TNT ou tecido) deve estar pendurado, solto;
  • O jogo é tentar pegar outro “rabo”, sem desproteger o seu;
  • Só o primeiro da fila pode tentar arrancar o “rabo” de outra;
  • A fila se move como minhoca para pegar sem ser pego (rabo);
  • Termina ao esgotar o tempo ou sobrar só um “rabo”;
  • Se ao correr a fila se separar, a equipe é eliminada.

No escotismo falamos que sempre deve ficar um gostinho de quero-mais, todo e qualquer jogo não deve ser exaurido em sua fórmula, porque aquilo que instiga, acaba saturando e o aprendizado vira cansaço e incomodo. Cabe ao facilitador aplicar de forma que a galera divirta-se aprendendo, perceba as mensagens subliminares. Interrompa se necessário, caso alguém seja competitivo demais e gere riscos, só isto já é uma boa reflexão, jogo ou trabalho não são uma guerra.

Um jogo que passa o recado sobre aprendizado vicário, auto-organização, senso de time, liderança, sustentabilidade, sistemas puxados, empatia, tudo isso deve ser refletido ao final, porque tudo isso se explicita durante o jogo.

Bom jogo, se você o aplicar, compartilha por aqui como foi, Ok!

 

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9 Respostas para “O quebra-gelo da cobra e do tigre

  1. Pingback: Regras gerais sobre Team Building Games | Jorge Horácio "Kotick" Audy

  2. SUA FILHA É UM GÊNIO ARTÍSTICO!!! 🙂 Eu parei de ler o artigo quando vi o desenho dela, e vim até aqui só para falar isso!! Mande-lhe congratulações, por favor! (Continuando a ler…)

  3. Agora sim: bom artigo, como sempre ensinando algo em dobro. Aprendi mais sobre escotismo e uma boa dinâmica de grupo sobre push/pull. No fundo é o mesmo exercício do passeio que Alex faz com a tropa de escoteiros, quando ele saca o princípio drum-buffer-rope, não é?

    • Grande Fábio, lembrei de ti, quero organizar um evento sobre áreas e dicas para jovens que estão decidindo se vão e para onde vão na TI. Quero trazer um profissional com experiências ricas em banco, redes, middleware, segurança, .net, jee, mobile, testes, governança de TI e como não poderia deixar de ter, sobre BI … citei teu nome para uma galera, acho que sai em Agosto, te mantenho informado, poderias entrar remoto por hangout.

      Quanto ao jogo, no escotismo o nome dele é Kaa e Share Kahn, a cobra e o tigre da Jungle Book do Kipling, e é um dos mais conhecidos, utilizado inclusive com pais e entre diferentes ramos. Sistema puxado, cadência, teoria das restrições, estratégia, valor e desperdício, eu paro algumas vezes o jogo para discutir atitudes e falhas.

      Quanto a Luisa, ela fez 29 desenhos para o meu próximo livro (sobre jogos), esses já comecei a compartilhar por aqui, aos poucos compartilharei todos. Obrigado pelo elogio, vou repassar para ela, não tão enfático, senão ela vai ficar muito convencida 🙂

      Vai pela luz, retomamos em breve! o/

      • É uma honra ser lembrado por alguém tão rico! Estou lisonjeado! 😀 E como eu sou pouco aparecido, com certeza eu topo! Pode passar os detalhes que eu me conectarei!

        E sua filha é um gênio. Sei – tanto que pratico – que é importante alimentar positivamente o esforço que a pessoa faz, ao invés de insuflar o orgulho pelo talento nato, mas… hands down… ela é excelente!

        Sabe que eu li o nome do jogo e tive mesmo a impressão de já ter visto aquelas palavras?! The Jungle Book está na minha lista – já está até no meu Kindle, na fila.

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