A Aprendizagem Significativa de Ausubel

Nunca escondi minha admiração pelas teorias e pesquisas construtivistas de Piaget, da auto-eficácia por Bandura, aprendizado significativo por Ausubel, entre outros mestres da psicologia, pedagogia, sociologia, tanto quanto tenho respeito incondicional pelos professores Nonaka e Takeushi pela contribuição que tiveram na minha visão sobre o valor do coletivo, empatia e sinergia.

A aprendizagem significativa de Ausubel segue o princípio construtivista de que cada um de nós é uno, temos vivências e conhecimentos prévios que devem ser utilizados para que o processo de aprendizado aconteça a bom termo. Cabe a cada mestre pensar em um ensino que respeite e potencialize o conhecimento prévio de cada aluno e o sentido prático e lúdico dele.

Ele fala de mapas conceituais e estruturas mentais construídos por cada um de nós, únicos, singulares, baseados em nossos princípios, vivências e saberes, somente a partir deles seremos capazes de lastrear a construção de novos conhecimentos de forma eficaz e efetiva. Também citei Nonaka e Takeushi, porque são bases equivalentes às dos métodos ágeis, cada pessoa como parte essencial de um coletivo forte baseado em aprendizado contínuo.

Uma releitura da Maiêutica Socrática, onde o saber não é imposto, não é algo estático, mas uma construção pessoal, ancorada em nossos valores, habilidades, conhecimentos e atitudes, tornando este processo potencialmente mais intensa, interessante e prazeroso. Sócrates propunha que o conhecimento não era algo extrínseco, mas intrínseco, maiêutica significava parteira, simbolizando que o saber era parido, vinha de dentro e não imposto de fora para dentro.

A seguir reproduzo um texto meu de Junho de 2014:

Na teoria da Aprendizagem Significativa, para alguém aprender algo é preciso que este aprendizado faça sentido, de forma que o aprendiz ancore cada nova informação a seus conhecimentos prévios, criando assim novos conhecimentos. A teoria propõe que a aprendizagem significativa ocorre unindo o novo ao pré-existente (subsunçores), que atuam como âncoras entre o antigo e o novo.

O primeiro passo é o estabelecimentos de conceitos básicos que permitirão ao aluno a construção de ciclos contínuos de diferenciação progressiva (aprendizagem subordinada) e de reconciliação integrativa (aprendizagem superordenada), respectivamente indicando um processo cognitivo do geral para o específico ou ao contrário, do específico para o geral.

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Ausubel indicou o uso daquilo que chamou de organizadores prévios ou subsunçores para a ancoragem do novo, facilitando a nova aprendizagem. Esta abordagem pressupõe que é responsabilidade do professor oferecer recursos introdutórios que servirão de âncoras para novos conhecimentos, possibilitando o aprendizado significativo.

Sendo assim, é imperioso para o desejo de aprender do aluno que o professor ofereça e certifique-se que os seus alunos tenham os subsunçores necessários antes de iniciar o ensino do novo, esta seria a condição para o real aprendizado. A avaliação do aprendizado é também avaliação do ensino, Ausubel sugere a utilização de testes de compreensão usando recursos diferentes dos usados para o ensino, constatando de fato se ocorreu a aprendizagem significativa.

Assim como no post que fiz sobre a Escola Construtivista, Ausubel acredita que cada um de nós possui uma história, nossas vivências e conhecimentos prévios são mediadores de nossa capacidade em aprender algo novo. Um bom professor deve ser capaz de perceber e oferecer aos seus alunos os subsunçores necessários para que cada aluno construa seu aprendizado. Isto é diferente de decoreba, independe de memória, não é dizer como pensar e como saber, é ensinar a pensar e construir seu próprio saber … Temos muito pela frente 😦

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9 Respostas para “A Aprendizagem Significativa de Ausubel

  1. Assunto muito interessante, e polêmico. Grosso modo, eu concordo contigo, até porque eu sou Licenciado e esse tema é uma das cadeiras da faculdade. Por outro lado, eu me exaspero com toda essa emoção em torno do aprendizado. Às vezes parece que se esquecem que aprender incorre em dominar algo antes desconhecido, e que não raro é preciso, sim, remover algo. Evitar um trauma é um caminho, mas não dá para fazer omelete etc. (E cá entre nós, Paulo Freire? Pfff… A frase é boa, mas o conceito não é dele.)

    • Oi Fábio, não entendi bem a questão da emoção, remoção, trauma ou omelete em relação a Ausubel. Estou falando de milhares de professores e instrutores que estão lá apenas para passar aquilo que está previsto no livro, se isentando do aprendizado, posto que esta parte não problema dele, é do aluno. O dele é passar conhecimento e medir se o aluno aprendeu. Voltei neste semestre a ser professor universitário e tenho convicção absoluta dessa abordagem, mais para o final do ano postarei algumas percepções adicionais baseados na prática. [ ]

      • Certas discussões não funcionam em comentários ;-). Bom, primeiro, eu concordo contigo (e tantos outros:) ensinar é ser mais que um poste, é interagir e participar – se você realmente ensina, no final aprende junto. Por outro lado, eu sempre suspeito que essas correntes tendem a supervalorizar o conhecimento prévio e focar no incremento de conhecimento, e enfatizar menos a meta a ser atingida. Em outras palavras, relativizando o conhecimento para caber dentro do aluno. No meu ponto de vista, essa abordagem tende a “pegar leve” para o lado do aluno, a cobrar menos e, assim, a reduzir o horizonte. No limite, isso tende a nivelar por baixo. Se queremos que as pessoas vão além, precisamos forçá-las para além do que podem. (Para te ser franco, é um tópico tão enrolado que eu mesmo não tenho certeza se, agora, não estou metendo os pés pelas mãos…)

      • Tchê, o dia que vieres a POA eu faço um churras … assim batemos um papo. Eu concordo, jogos não são diversão, são uma ferramenta com objetivos e lições aprendidas. Construtivismo idem, não é leviandade, é técnica ágil aplicada à educação. Boa discussão esse tema, qual é o ponto de equilibrio … 🙂

      • Fechado! E o dia que tu vieres a Sampa, pegamos uma pizza, meu! 🙂

      • Ou fazemos um tele-sanduíche para experimentar o famoso sanduba de mortadela do mercado de SP … \o/

      • O quê, você veio tantas vezes à Sampa e ainda não foi lá? O Mercadão é “do lado” do Serpro Luz! Arrume o que fazer aqui e eu te levo lá! 😉

      • Oi, pois é, eu viajo pela DB com cada minuto alocado e após o treinamento ou coach sempre fico horas trocando ideias e experiências com as galera … mas dando uma brecha eu vou passear um pouquinho sim 🙂

  2. Pingback: É mais fácil seguir roteiros que tentar aprender os porquês | Jorge Horácio "Kotick" Audy

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