De nada adianta fazer certo a coisa errada!

Uma provocação epistemológica sobre engenharia de software, posto que não se restringe a programação, todo software está inserido um sistema sócio-técnico, o que eu gosto de chamar de ecossistema. Um software começa no entendimento do problema ou desafio, modelagem, gerenciamento de projeto, também tem construção de código, camadas, testes, tudo isso na busca da satisfação e equidade entre  todos os envolvidos, stakeholders e participantes.

Epistemologia – reflexão geral em torno da natureza, etapas e limites do conhecimento humano, destaque as relações que se estabelecem entre o sujeito indagativo e artefatos, binário do processo cognitivo; teoria do conhecimento.

Ampliando, o desenvolvimento de artefatos tecnológicos possuem características sócio-técnicas que devem ser consideradas e trabalhadas para que potencializem os resultados deste e de futuros projetos. É preciso entender as características do artefato desejado, mas antes disso o entendimento do desafio e expectativas, bem como da transição e adaptação dos envolvidos no seu uso e resultados.

Engenharia de software, enquanto solução tecnológica é um conceito muito maior que os artefatos, envolvendo pessoas, métodos, processos e técnicas de trabalho, seus artefato não pode ser apreendidos sem considerar as pessoas envolvidas em sua construção e uso. Giddens afirma que tecnologia deve ser percebida enquanto estrutura e agência humana, que geram facilitadores ou barreiras às mudanças.

Engenharia de Software é uma área da computação voltada à especificação, desenvolvimento e manutenção de sistemas, com aplicação de tecnologias, práticas de gerência de projetos e outras disciplinas, visando organização, produtividade e qualidade.

Por esta abordagem, empresas vem cada vez mais entendendo os conceitos de TI bi-modal e o conceito de pace-layered do Gartner, a luz da expectativa deles de que o crescimento do uso de práticas ágeis tende a crescer. Percepção explicitada pelo Standish Group nos Chaos Manifestos mais intensamente desde 2013, onde métodos e técnicas colaborativas e ágeis fazem parte das justificativas por taxas crescentes no índice de sucesso de projetos de engenharia de software.

Esta análise prática de mercado é um alerta para os profissionais de TI, há uma busca crescente por soft skills, perfis multi-disciplinares, com visão de negócio, linguagem ubiqua, com bons conhecimentos específicos, mas habilidades e atitudes privilegiando negociação, colaboração, cooperação, usando estes conceitos em abordagens iterativo-incrementais-articuladas.

CHA? Se antigamente eramos valorizados por nossos conhecimentos técnicos, hoje somos admitidos e demitidos especialmente por nossas habilidades e atitudes relacionadas ao valor que agregamos ao time, ao cliente e a organização.

Mais importante que termos um conhecimento privilegiado, é importante termos um cognitivo e coletivo apurado, que nos faça protagonistas em uma equipe de mindset ágil e de alta performance. O antigo CHA (conhecimento, habilidade e atitude) ganhou novos C’s, CHACC, um para cognitivo e outro para colaborativo. Espera-se que você esteja aprendendo, propondo, crescendo, junto com o seu time, de forma contínua e sustentável.

Em engenharia de software há cada vez menos espaço para aqueles especialistas geniosos, que só falam tecniquês, só cumprem ordens, não geram empatia com o cliente, não compartilham conhecimento em prol de um time mais coeso e unido. Sempre vai haver porto para todos os perfis, mas as empresas estão se cansando de tanto desperdício e egocentrismo, querem mais valor e menos quantidade.

Engenharia_Software

Finalmente, a essência do Design Thinking, Lean StartUp, Scrum, Kanban, XP, Management 3.0 e Business Model Generation está na moda, pelos mesmos motivos que levaram o Japão a propôr o Lean na década de 50, as sucessivas crises da última década estão exigindo das empresas rasgar menos dinheiro, desperdiçar menos, fazer mais com menos, ao mesmo tempo que lidam com novas gerações que querem além de trabalho uma razão para ter orgulho e satisfação pelo que fazem.

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Uma resposta para “De nada adianta fazer certo a coisa errada!

  1. Bom post, gostei. Queria deixar meus dois centavos: a parte da linguagem (português mesmo, não uma de programação) émuito importante. Nesta semana o cliente e eu esperarmos dias pela resposta de uma pergunta que não deveria ter sido feita. E foi feita por que um dos membros do projeto mandou uma mensagem curta, com a pontuação errada (ao invés de telefonar, combinar e depois registrar), que fez todo mundo entender tudo errado. Isso num projeto que, como dizia o Bon Jovi, “gives Agile a bad name”, sem GC, sem QA, sem DevOps, sem, sem, sem…

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