Métrica de desperdício ou valor após eventos e cursos

Sempre provoco nas minhas palestras, treinamentos, workshops ou eventos, que a medida de sucesso deles deve ser o registro de insights, oportunidades e riscos que embasarão um plano de ação. Acredito na teoria do Bá de Takeushi & Nonaka, pois qualquer momento de compartilhamento de conhecimento deve gerar valor, senão, com o passar do tempo pode apenas gerar vagas lembranças.

Tanto o modelo SECI quanto a Teoria do Bá nos alertam que o conhecimento deve gerar um espiral positivo, então a cada evento é nossa obrigação provocar as pessoas a crescerem, melhorarem, serem protagonistas de mudanças. Para isto, é preciso desmistificar mudanças possíveis, pois para tudo há sempre partes sobre as quais temos autonomia em mudar e outras em que somos dependentes.

eventos x insights x planos de ação

Importante apresentar esta percepção logo no início, pois durante a palestra, treinamento, etc, é fundamental que sejam identificados aqueles insights que temos alçada para fazer acontecer, mudar, diferentemente daqueles que dependem de outra instância, que podem ser identificadas e endereçadas.

Mas o mais importante é fazer acontecer aquilo que está a nosso alcance, protagonizar a mudança, evitar transferir a responsabilidade por tudo a seu chefe ou empresa. Nunca é tudo ou nada, sigamos o modelo de fluência ágil do James Shore, pois sempre é possível iniciar por nós mesmo com nosso time.

A essência desta abordagem é que não deixaremos esfriar, começaremos aquilo que é possível começar, gerando resultados, métricas, experiências que podem nos dar o aval que precisamos para a aprovação daquilo que falta e que precisa de aprovações hierárquicas. Com certeza, nada melhor que bons exemplos e resultados como argumentação.

É possível oferecer mapas mentais ou diagramas para que a galera que está participando do evento registre seus insights, semelhante aquelas utilizadas em retrospectivas. No caso de uma palestra ou curso SCRUM, tenho um diagrama onde o pessoal pode registrar acima o que está fora de sua alçada e abaixo aquilo que depende de si mesmo e de seu time, como no exemplo abaixo:

mapa de insights com alçadas

Em um treinamento para algumas equipes que atendem um de nossos grandes clientes, desde o início fiz a provocação de identificar ações que poderiam tomar nos próximos dias e próximas ações. O resultado foi uma lista de pequenas mudanças que só dependiam deles para fazer acontecer, além de sugestões que poderiam encaminhar ao cliente para maior aproximação de boas práticas ágeis.

O pior elogio é alguém voltar a assistir uma palestra ou dinâmica sua após algum tempo, sem que a anterior tenha surtido efeito, ações. Da mesma forma, pessoas que assistem uma palestra minha, de outros, vários eventos, reciclando insights, a cada vez pensando em possibilidades, mas nunca indo as ganhas … na prática, quando isso acontece eu acho que faltou um gatilho, uma orientação matadora.

Por exemplo, você que foi ao TDC Porto Alegre semana passada, quais as ações esta semana para implementar pequenas mudanças que possam gerar grandes possibilidades de melhorias em breve?

Ao final de uma palestra ou curso, brinco com a galera que me assiste para não dizer o que foi “legal”, que “curtiu”, prefiro que me digam o que vão fazer com aquele conhecimento e trocas de experiências. Da mesma forma que evito perguntar se gostaram, mas quero sempre saber o que mudariam no curso para melhorar, uma sugestão de mudança vale 10 vezes mais que um elogio.

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4 Respostas para “Métrica de desperdício ou valor após eventos e cursos

  1. Um evento como o TDC é importante para gerar um momento de compartilhamento e para networking. É certo que sempre alguma informação, conhecimento, dinâmica ou prática podemos aproveitar. Começar com algo que esteja ao nosso alcance (começando a mudança por nós mesmos) e depois priorizar proposições que possam impactar positivamente para o TIme ou organização. Mas nunca, nunca guardar tudo para si mesmo. Exatamente como tu ensina e faz 😉 Abraço!

    • O importante é a geração de valor, mesmo quem vai em um evento só pelo networking, haverá um valor a ser atingido, talvez negócios ou mesmo mais contatos em seu linkedin. O que não pode é ficar só no “tava massa!” e voltar tudo como dantes no quartel de abrantes 😦
      Aproveita as férias aí guria!
      [ ]

    • A tempo, eu disse que networking é bom, mas desconheço evento que eu participe, como o TDC, GUMA ou TTalks em que a galera saia sem ter algo que poderia lhe ajudar a tomar decisões e fazer diferente no dia seguinte …

  2. Pingback: Qual é o Canal? Vamos falar de pessoas, carreiras e realização | Jorge Horácio "Kotick" Audy

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