Errar NÃO é bom, mas aprender com os erros é!

O maior risco que percebo em equipes e profissionais recentemente “agilizados”, é um certo ar blasé (*) de alguns deles frente a necessidade de novas mudança. Agilidade é uma revolução permanente, a partir do momento que ficamos insensíveis aos seus princípios, método, dificuldades ou mesmo oportunidades … Cuidado, talvez você não seja tão ágil quanto diz ser!

(*) Blasé: Adj subst masc. Que ou aquele que está embotado pelo excesso de estímulos (sensoriais, afetivos, intelectuais etc.) e que se tornou insensível ou indiferente a eles.

Quebrar paradigmas incentivam nossas defesas psíquicas

Frente a mudança é natural que o processo gere algumas angústias e ansiedade, momentos em que nosso inconsciente entra em campo para nos desangustiar (dissonância cognitiva), gerando diferentes justificativas e mascarando zonas de conforto – negação, transferência, racionalização, projeção, identificação, …

aristóteles

Com certa frequência encontro profissionais que se entrincheiraram atrás de dois ou três princípios ágeis, aparentemente eles já tem “certezas” sobre muitas coisas, do que funciona ou não funciona. Com frequência, acabam sendo os que aparentemente mais sabem, mas que na prática são os que mais dificultam novas experiências em busca de melhorias.

Visíveis pela comunicação NÃO verbal em cada timeboxe, usualmente com um ar blasé que os caracteriza, evitam o debate, preferindo criticar e suspirar baixinho para demonstrar contrariedade, usando frases de efeito e voltando a um estado de hibernação, mantendo-se distante dos debates e provocações, talvez para demonstrar que já estão além daquilo tudo…

Reflexão para os que mais sabem

O maior problema destas metodologias é que os argumentos não se baseiam em um ou outro princípio, artigo, autor, mas em experimentação, acertos e erros na busca de equilíbrio e equidade nos resultados. O time deve permanentemente se questionar sobre valor, desperdício, cadência, mínimo viável, responsabilidade e execução, cientes que levará tempo e que é preciso ser ágil na agilidade e não usá-la como trincheira.

Inexiste agilidade sem valor entregue, onde demandas e alçada são mantidos pelo time de forma a permitir um trabalho instigante e sustentável, agregando valor a cada iteração. Essa história que errar é bom é um karma de auto-ajuda, na verdade, bom é aprender com os erros, é corrigir os erros, é fazer diferente. A base do Kaizen é melhoria contínua, se há erros e percalços, há atitude e compromisso com a correção. De nada adianta termos discurso e postura ágil se não “executamos”, se não aprendemos e melhoramos.

Execução

Meus primeiros posts e palestras em 2012 discutiam o livro EXECUÇÃO de Bossidy e Charan, sobre quatro disciplinas – Estratégia, Pessoas, Operação e Execução. De nada adianta ter as três primeiras, caso não tenhamos execução, simbolizando sem querer os três pilares do SCRUM – Transparência, Inspeção e Adaptação. De nada adianta ter uma estratégia vencedora, pessoas capazes e operação adequada, sem uma estratégia iterativo-incremental-articulada.

erros

Evite ser ágil só no discurso, dê o exemplo, antecipe-se, adapte-se, planeje-se e replaneje-se, não fique blasé frente ao erro porque errar faz parte, incomode-se muito com o erro (principalmente o recorrente) e aprenda com ele, melhore, tente corrigir fazendo diferente.

Entenda a própria agilidade como um serviço iterativo-incremental-articulado, onde priorizamos ações e atitudes, onde o valor entregue é melhoria e resultados no seu projeto, buscando fazê-lo de forma sustentável, não se conformando com algo eficiente (entrega) em detrimento de algo eficaz (melhor possível), sempre tentando eliminar desperdícios e maximizar valor para o cliente, empresa e envolvidos, de forma equilibrada , inclusive você.

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4 Respostas para “Errar NÃO é bom, mas aprender com os erros é!

  1. Quando eu leio este seu tipo de post, que parece uma teia de aranha, amarrando conceitos de todos os lados num ponto central, eu sinto aquela ebulição que precede o leite derramando da panela, sabe? Tá ali, tá fervendo, mas ainda não transbordou…

    Quando você fala de “estratégia iterativo-incremental-articulada”, eu me lembro de uma capa da Exame, cuja chamada era “por que empresas que fazem tudo certo fracassam” (não com essas palavras.) A reportagem mostrava empresas que tinha um plano e o seguiam, com sucesso, até que de repente, flop.

    Mais tarde eu li “O Futuro do Gerenciamento”, do Gary Hamel, que explica muito do pathos e ethos dessas organizações, mas não dava uma resposta cristalina, simples. Até dava orientação valiosa, mas não aquela coisa fundamental, de princípios.

    Eu sinto que existe algo em BI que se relaciona com tudo isso. Com estratégia, com execução, com agilidade.

    O quê? Espero que alguém descubra um dia (e tomara que seja eu! Nesse dia eu assumo o cognome que minha esposa bolou para mim: Mr. BI. 😉 )

    • 10! Só uma correção, tu tens que dizer pra tua esposa que já és o Sr BI 🙂 e a propósito, o SERPRO é uma empresa formadora de opinião, o acréscimo do termo “-articulado” no iterativo-incremental foi um colega teu aqui de POA em 2014, o Ricardo Duarte – https://jorgekotickaudy.wordpress.com/2014/08/06/definitivamente-e-iterativo-incremental-articulado/ Quanto a ter uma dica derradeira ao final de cada post, é uma coisa que me incomoda o fato de que para mim cada post tem um propósito, as vezes apresentar um princípio, uma técnica, relato de caso, opinião, reflexão, … digo isso, porque após mais de 800 posts eu tenho a impressão que já escrevi sobre isso e que é somente mais um bloquinho, mas tenho preguiça de colocar o link de outros, mesmo se fosse, teria uma lista com dezenas de posts … sei lá, eu concordo, é uma teia de aranha, as vezes me dou conta que ainda não escrevi sobre algo super relevante, as vezes acho que já escrevi e fico com preguiça de procurar, mas sei que está lá em algum lugar … é uma viajem 🙂
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  2. Sobre o -articulado, é verdade, você comentou isso comigo no último DBTalks aqui em Sampa.

    Sobre ter uma conclusão no post, uma dica, um propósito, pelamordedeus, não mude seu estilo! Cada um coloca suas proposições como achar melhor. Essa serendipidade que você carrega em tudo que faz é como o vento que ajuda um campo a florescer, levando pólem de um lado para outro, sem objetivar esta ou aquela flor, este ou aquele fruto. Do que você põe, cada um tira a sua conclusão e essa é a maior riqueza dos seus posts. Não mude isso! (Se dei a impressão de que senti falta disso, então eu me expressei errado: essa panela na qual o leite está fervendo sou eu, pois sinto que estou quase tirando uma conclusão, mas ainda não cheguei lá.)

    E sobre apontar suas próprias referências, relaxe, isso não é preguiça. Nem todo mundo tem paciência de ler tintin por tintin, post após post, e ver tudo que foi escrito. Repostar assuntos, mais que dar uma refrescada na idéia, ajuda os leitores que perderam aquele post, ou que nunca o leriam mesmo. Repetir, num blog, é um mais uma faceta do ato de compartilhar. 😉 Ao menos IMHO, hehe.

  3. Pingback: Seu objetivo é o método ou o valor gerado por ele? | Jorge Horácio "Kotick" Audy

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