Alguns peixes e desenvolvedores morrem pela boca

Impressionante o sentimento oculto de culpa que muitos desenvolvedores demonstram ter quando estão estimando durante um Release Plan, quando debatem e estimam o que cabe em uma iteração e quantas iterações serão necessárias para realizar um projeto de desenvolvimento de software.

Muitos desenvolvedores respondem mal quando “pressionados” por um cliente ou stakeholder, algo natural durante um planejamento de releases e sprints, posto que trata-se de um evento onde as questões estão sendo postas e o alinhamento de complexidade e dimensionamento ainda está sendo construído e assimilado.

Sempre conto uma situação real que vivenciei em 2014 durante uma planning: Os desenvolvedores estimavam, quando uma história foi dimensionada em “13”, ao que um stakeholder por achar que era algo mais simples disparou uma interjeição tipo “Nossa! Quanto?”, imediatamente um dos desenvolvedores respondeu “8?”.

Muitos reclamam quando o cliente reclama ou pressiona, mas eu acho que é obrigação do cliente questionar, entender, desafiar melhorias, otimizações, reduções, etc … impossível ser um cliente ágil se simplesmente concordar com tudo só porque é ágil, afinal o cliente e o PO tem foco permanente em ROI, se não for assim tem algo errado na parada.

Alguns, não poucos, experimentam um falso sentimento de culpa por dizer a verdade e reagem mal a pressão gerada por ela, passando a tentar encontrar um cenário e estimativas onde o cliente fique feliz, mesmo certos de que não são viáveis. O que eles dizem nessas horas é que “farão o possível para cumprir o desejo do cliente”, gerando uma falsa expectativa de conforto, que com o tempo cairá por terra, mas não hoje … procrastina-se o incômodo.

calvin-procrastination

Minha posição é simples e 100% aderente a realidade: Se você estimou baseado em experiências e conhecimento, tem argumentos e convicção, deve sustentá-los. Caso contrário, sem convicção, pseudo-peso na consciência ou conveniência, acabará cedendo a uma pressão legítima e acabará pondo a culpa no cliente quando tudo der errado e o projeto atrasar.

Quando a verdade gera desconforto, não se assuste, evite a saída fácil da mentira, porque ela gera uma falsa sensação de conforto que com o tempo aumentará geometricamente  a frustração que ela gera.

Desculpe aí, mas se você aceitar baixar as estimativas e prazos, estas novas estimativas e prazos passam a partir deste momento a serem as suas estimativas e prazos … esqueça as anteriores, esqueça que tinha dito mais e baixou para deixar alguém feliz, porque o que vale ao final de um planning é o pacto implícito ou explícito onde TODOS concordam e passam a trabalhar para o sucesso daquele prazo que agora É de todos.

Nessas horas eu relembro tudo isso aos presentes e pergunto ao cliente se ele prefere ter uma estimativa real agora ou sair dali aparentemente contente e daqui a algumas semanas descobrir que não é factível. Se prefere uma estimativa realista e o compromisso de que trabalharemos duro para antecipar se possível e se as coisas derem certo ou uma estimativa falsa que antes mesmo de iniciar já estaremos correndo atrás do prejuízo?

Um comentário sobre “Alguns peixes e desenvolvedores morrem pela boca

  1. Concordo plenamente, DIVERSOS casos onde a estimativa foi alterada no grito. Acho que o desenvolvedor tem que aprender a defender aquilo que só ele (nós) sabe, o TAMANHO de um problema… Porem obviamente com SINCERIDADE e não com as famosas “margens” ou “gorduras”…

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