Métricas e indicadores para auto-conhecimento e melhoria contínua

Quadros e métricas devem refletir o fluxo de trabalho de um time e projeto, “declarar” visualmente como está sendo executado e se está fluindo corretamente, conforme prioridade, versus expectativas do planejamento, apontando gargalos, ocorrências e oportunidades. Ou seja, responder questões básicas, como O QUE, QUANTO, COMO, VALOR, QUALIDADE, SATISFAÇÃO.

A MAIORIA das equipes foge das métricas como o diabo foge da cruz, dizem que leram em algum lugar que times ágeis não apontam culpados, que elas dão uma visão errada para a liderança e clientes, blá blá blá. O que eu costumo SEMPRE dizer para eles é que ELES NÃO ENTENDERAM NADA! Métricas e indicadores deveria ser uma busca do próprio time, somente auto-conhecimento e planos de ação que envolvam melhoria gerarão melhoria, senão há um grande risco para acomodações, argumentos teóricos sem sustentação, etc.

Se usarmos uma equipe de futebol ou basquete, temos cestas, assistências, rebotes, títulos ganhos, passagens no departamento médico, advertências, expulsões, sem estas informações fica difícil analisar um time e perceber oportunidades de melhorias, treinos de fundamentos, só ganhar não chega, tem-se que saber como manter e melhorar, saber os porques. E não é só dados estatísticos e indicadores coletivos, de time, é preciso ter os individuais, a soma dos dois geram planos de ação necessários a cada dia.

Uma analogia perfeita é o filme “Moneyball, o homem que mudou o jogo”, uma história real onde Brad Pitt interpreta Billy Beane, ex-jogador que contrariou o status quo do beisebol e introduziu a estatística e métricas como base para a tomada de decisão de um time, treinador, equipes. O filme é sensacional, vale a pena ver, é claro que foi romanceado, mas mesmo assim é imperdível. Auto-conhecimento é mais que sentimento, também exige um pouco de ciência  \o/

moneyball

Métricas auxiliam todos – cliente, stakeholders, time e empresas – a monitorarem oportunidades de melhorias, na qualificação do trabalho relacionado a escopo, tempo, risco, qualidade, custo, rh, aquisições, … mas para medir e monitorar é preciso ter bom senso, para isso há algumas características essenciais:

1. Use apenas aquelas que necessita, menos é mais. De nada adianta ter uma parede cheia de métricas que o time não usa para nada, gerando desperdício e dissipando o foco naquela(s) que são essenciais e imprescindíveis;

2. Introduza uma por vez, são para ajudar e não atrapalhar, ao adotar um método ágil ou optarem por introduzir novas métricas, priorizem aquela que mais agrega, utilizem-na, consolidem no fluxo de trabalho, gerem valor, uma por vez;

3. Foque em tendências, elas ajudam na tomada de decisão, sempre analise com cuidado as estatísticas e números, eles não são mágicos. O melhor é ter métricas que ajudem a perceber a evolução, a tendência, a melhoria contínua;

4. Devem ser fluidas, de fácil obtenção, a partir do fluxo normal de trabalho, porque se exigirem esforço extra e forem de difícil obtenção há algo errado. Talvez a métrica não esteja acoplada ao trabalho e um dos dois precisa ser melhorado;

5. Elas devem estar expostas, ser úteis e utilizadas por todos, nenhuma métrica jamais deveria ser oculta e apresentada ao cliente ou stakeholder (exceto financeiras) sem terem sido manipuladas e entendidas pelo time;

6. Finalmente, o time deve acreditar nelas, métricas tradicionais muitas vezes eram usadas a revelia do time que as gera através de seu trabalho, para que elas reflitam a realidade o time precisa acreditar nelas e saber explicá-las.

Releitura pessoal dos tipos de Indicadores-chave de Performance (KPIs):

  • Tendência – progresso x sucesso, % execução, P x R, etc;
  • Quantidades – itens entregues, não conformidades, etc;
  • Mudanças – extras, interrupções, % redefinição do DoR.

Uma lista básica de métricas ou indicadores que já utilizei ou vi utilizarem em projetos nos quais participei como Agile Coach, coordenador de desenvolvimento ou Scrum Master é quase um resumo do que se tem a disposição no mercado:

  • Burndown: tendência de conclusão no tempo previsto;
  • Lead time: tempo total desde o TO DO até o DoD (3dias x US);
  • Takt time: cadência representada por Qtde x tempo (6US x Sprint);
  • Throughput – número de tarefas entregues por período;
  • Velocidade: horas trabalhadas x US, horas úteis x total;
  • Sorrisometro: pesquisa satisfação com stakeholders, usuários, time;
  • CHAx5: nível de Maturidade em Competências;
  • Planejamento de testes: cenário de testes x US, US com cenários;
  • Cobertura: % testes unitários implementados x sprint ou produto;
  • Funcionais: % testes funcionais implementados;
  • Inversão: não conformidades x unidade (2 bugs x US, 30 x sprint);
  • Retrabalho: % tarefas/tempo para corrigir sprints passadas;
  • Mudança: % de US alteradas no Sprint e em sprints passadas;
  • WIP (Work In Progress) – limites por status no fluxo de trabalho;
  • Sonar – complexidade ciclomática, código duplicado, padrões,
    desperdício, findbugs (bugs óbvios), etc;
  • Matriz de realização de pair programming;
  • Matriz de realização de peer review.

Tem uma tese de doutorado de 2014 da Raquel Aparecida Pegoraro que lista todas as métricas pesquisadas por ela – “Métricas de Avaliação para Abordagens Ágeis em Projetos de Software” – que vale a pena dar uma lida pela sua amplitude e profundidade.

tese métricas

Já escrevi sobre muitas delas, algumas são recomendadas pela galera KANBAN, o SCRUM apenas indica como mínimo o BurnDown, o importante é quando iniciada a jornada em metodologias ágeis não esquecer que o objetivo é equilibrar sustentabilidade e alta performance.

dilbert-agile_programming

Um comentário sobre “Métricas e indicadores para auto-conhecimento e melhoria contínua

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