Porque não entendemos Gestão do Conhecimento

Vinte anos depois de Takeushi e Nonaka apresentarem o Modelo SECI e a maioria das pessoas ainda não entenderam o que é isso, achando que não precisa parar para fazer e a quase totalidade dos executivos achando que GC não acontece por incompetência ou falta de vontade dos seus colaboradores. O fato é que gestão de conhecimento demanda tempo, recursos e dedicação, entre outros requisitos.

Agilidade muitas vezes é tratado de forma simplista e acanhada, acreditando que entregar valor para o cliente de forma auto-organizada é suficiente, esquecendo que GC e Agile precisam andar juntos na construção de uma empresa baseada no conhecimento … uma empresa desta nova era em que vivemos.

_ modelo SECI

Obs: No modelo SECI, i refere-se a indivíduos, g ao grupo, o à organização, um ciclo virtuoso conhecido como a espiral do conhecimento. Sem ela, somos ilhas sem pontes estáveis para o tráfego de experiências e aprendizados.

Não é uma obrigação fazer GC, mas não estabelecer mecanismos claros de gestão do conhecimento é um grande desperdício de informação e resultados. Tentarei apresentar a diferença entre GC informal baseada em voluntariado e institucional:

Estratégia padrão

Há mais de uma década, empresas antenadas transferem esta possibilidade às horas de folga da galera e dão um toque de glamour a elas, batizando-as de forma divertida, bancando pizza e coca-cola, tentando fazer com que a gestão do conhecimento aconteça no horário do meio-dia até as 13:30 e a partir das 18:30 em eventos auto-organizados, abertos ou internos às empresas.

Tudo Ok serem assim, porque todos ganham, as empresas e as pessoas que se interessam e tem esta atuação extra como parte de seu plano de carreira, investindo em seu aprendizado, visibilidade, disponibilidade e networking. Garanto e tenho argumentos para provar que todos de fato ganham, em especial os profissionais mais engajados, que assim ganham especial projeção e valorização.

xadres

Fator de risco

Se por um lado transferir esta responsabilidade para as horas de folga da galera é um ganho, uma espécie de mutualismo simbiótico onde todos ganham, por outro é preciso que todos os envolvidos entendam as motivações, expectativas e resultados possíveis a partir de algo baseado em voluntariado.

Se no horário comercial, apropriando horas, empresas e profissionais assumem compromissos específicos para resultados almejados e planejados, no voluntariado esta premissa NÃO é uma verdade absoluta. Cada um está lá por motivação própria, podendo vir ou deixar de vir conforme oportunidade, não é possível, garantir menos ainda exigir resultados.

Fator de sucesso

Gestão do conhecimento é uma disciplina sobre a qual cada empresa deve escolher se quer e quanto quer investir, de forma explícita e premeditada, sem subterfúgios ou estratagemas. É possível escolher o voluntariado, certo de que mitigará em algum (pequeno) nível a ausência de uma estratégia institucional, ou escolher implantar tempo, ferramenta e os recursos para que isso aconteça.

É o mesmo que documentação, é algo que todo mundo curte, mas ao mesmo tempo não faz porque dá um trabalhão danado. Creio que em um debate, é impossível não concordar com o valor de implantar comunidades de prática, grupos de usuários, sites de projetos, estabelecendo no processo de trabalho o registro de lições aprendidas, erros e acertos.

Propostas

Alguns anos atrás provoquei em um post sobre quem é responsável pela realização de dinâmicas de gestão do conhecimento, como comunidades de prática, dojos em suas diferentes perspectivas e disciplinas, realização de lightning talks, palestras, open spaces, fishbowls, o que for de uma enorme lista de oportunidades. Pode ser voluntariado, com participação de um que outro, ou institucionalizada com a participação de todos.

Fazer voluntariado é mais barato, mas contará com um percentual irrisório do quadro da empresa, mesmo nas mais descoladas e engajadas, a questão é mensurar o quanto isto onera o crescimento, impede disseminação efetiva de boas práticas, compartilhamento de aprendizado vicário, experiencial, o voluntariado [e um bom instrumento de marketing, mas tem uma longa curva de efetividade no estabelecimento de melhoria contínua.

Não tem certo e errado absoluto, depende do contexto, quando o cobertor é curto é preciso estabelecer estratégias factíveis em que teremos consciência de ganhos parciais ou mais amplos. No bojo desta questão, o desafio de construir uma estratégia que diminua a curva de aprendizado, otimize o compartilhamento de conhecimento, de aprendizados, reduzindo custos e potencializando resultados.

Mas, assim como qualquer boa prática, há que se entender e projetar um momento de breakeven, pois exige inicialmente investimento e crença, na certeza de que os resultados valerão a pena. Equivalente a iniciar boas práticas de engenharia de software, desde componentização, SOA, pair programming, peer review, testes automatizados, tudo o que é bom e agrega em software exige domínio, domínio exige crença e investimento em persistir até o breakeven, a partir daí só vai!lps_figura_II

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Uma resposta para “Porque não entendemos Gestão do Conhecimento

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