No cotidiano, priorizamos os poucos vitais ou os muitos triviais?

Post de férias – A sociedade contemporânea é uma paródia a Pareto e Juran, porque fazemos tudo invertido ao conceito dos 80-20 (Few vital, many trivial). Pareto estudou sobre a riqueza italiana e Juran sobre qualidade e valor no mundo dos negócios, com destacada contribuição na reconstrução da indústria japonesa após a II Guerra. Ao contrário dos conceitos propostos por Juran, a nossa sociedade valoriza muito mais o trivial e fútil do que o vital.

A esmagadora maioria (daqueles que poderiam fazer diferente) priorizam aquilo que é mais fácil e rápido, optando por consumo fútil, conforto fútil, egocentrismo fútil, luxo fútil permeado de preguiça, enquanto o ecossistema e sociedade se desagregam e se destroem. É provável que em algumas décadas não tenhamos fartura de água potável, os níveis dos oceanos poderão comprometer milhões de km quadrados de praias, poluídos tanto quanto a terra, o ar e o que restar de verde.

Mas há um padrão entre todos os que nada fazem além de facebook-marketing, enquanto preocupam-se apenas com os seus umbigos, todos são a favor do Acordo de Kyoto, muitos contribuem para o Green Peace e todos (sem exceção) acham que a culpa pelo clima e desperdício é culpa dos outros, quanto mais longe e poderosos melhor, assim fica fácil negar o que eles próprios NÃO fazem.

A colega Denize Vasques cita a teoria da Massa Crítica, que fala da mudança provocada por uma massa crítica de percepção, criado pela tomada de consciência de um número crescente de indivíduos. Na medida que cresce, expande-se aritmética, geométrica ou exponencialmente, levando a uma mudança de paradigma. No lugar de se acomodar, fugir para casulos (condomínios, carros, baias ou salas, shoppings), é preciso se incomodar e mudar, somar à massa crítica por um futuro melhor para nossos filhos e netos.

O irônico é que as pessoas consideram-se “vítimas” do sistema que elas mesmas insistem em valorizar, a pressa, o comodismo, o status, o desperdício permanente, a tecnologia descartável, tudo tem justificativa, mas somos nós que alimentamos a roda em relação a todo tipo de desperdício:

  • Tem gente que mora a menos de 10 Km do trabalho e mesmo assim vai e volta sozinha de carro, quer para ficar mais 15 minutos na cama, por preguiça, para não se sujeitar a um ônibus, etc;
  • No almoço desperdiça insumos, saúde e dinheiro, pois serve mais que vai comer, come mais que precisa (somos um dos poucos animais, senão o único, que se empanturra e consegue comer por gula);
  • Ao comprar qualquer coisa, não se importa com o desperdício de embalagem, compra mais pela estética e não se importa de lotar seu lixo, quando muito ele separa lixo seco do lixo orgânico;
  • Não valoriza a parceria, o negócio local, reclama da economia mas por R$10 é capaz de privilegiar algo chines que uma empresa no seu quintal, prefere investir em grandes ao invés de apoiar os pequenos;
  • Reclama do trânsito caótico e do playboy Thor Batista, mas igual bebe e dirige sem peso na consciência, achando divertido tomar um porre em frente a crianças e jovens, que seguirão seu exemplo;
  • Reclama do governo e políticos, mas tira vantagem (muitas vezes inútil e inócua), pelo simples prazer de dizer que levou vantagem porque é esperto, agindo assim por hábito, duplo desperdício;
  • etc etc etc etc etc etc …

No trabalho, na vida, tudo merece relembrar Pareto e Juran com seu princípio de que há poucas coisas vitais para muitas triviais. Afinal, o que o move, o que é sua prioridade, ela vai gerar valor fútil ou real? O quanto o que você escreve no Facebook e apóia com veemência realmente se traduz em atitude, não para mudar o mundo, mas para fazer a sua parte, em prol de si mesmo e das futuras gerações?

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6 Respostas para “No cotidiano, priorizamos os poucos vitais ou os muitos triviais?

  1. Guardei este post na minha caixa de entrada até ter tempo de ler. E tive hoje. Bom, sabes que eu sou fã do Buckminster Fuller, não? Aquele do “não mudamos a realidade por imposição, mas criando uma coisa nova que torne a realidade atual obsoleta”. Eu não acredito em convencimento pela força dos argumentos – se isso bastasse todo mundo seria Liberal ;-). Piadas à parte, eu sempre penso na Ficção Científica Asimoviana, que tinha na energia barata um pilar central. Com energia barata, tudo se torna possível. Supercombustíveis, meios de transporte urbano individual não-poluidor, aumento na qualidade de vida e na longevidade, tudo! Mas temos um problema: não sabemos o caminho até a energia barata. Até agora não inventaram nada melhor que a liberdade dos indivíduos, que saem de sua zona de conforto em busca de sucesso, inventando coisas que os outros precisam, gerando riquezas e alimentando a Ciência. Só assim eu acredito que teremos uma chance. 😉

    • Acho que digitei alguma coisa errada quando estava respondendo um novo comentário teu e exclui ou algo assim, não está mais aparecendo. Mas o que eu ia dizer é que não estou falando de esquerda e direita, até mesmo porque não sou de um ou outro, não concordo com extremos, estou falando de falta de ética, de ter leis e não serem seguidas, de império da falta de leis na prática. Respeito tua abordagem, só acho que ela é sensacional … na Dinamarca!

      • Estou pensando. Escrevi três ou quatro respostas e ainda estou pensando. Você diz que leis não são o bastante?

      • Oi, concordo com a teoria, mas não são não na prática, porque são o bastante se houverem leis justas que são seguidas. Ter leis distorcidas ou multiplamente interpretadas conforme conta bancária do réu não são o bastante … Tenho convicção que deve funcionar na Dinamarca ou Suécia, mas com certeza aqui no Brasil o furo é mais embaixo e exigirá muito mais que leis 😦

      • Foi exatamente essa a sensação que eu tive – que você acredita que só leis não bastariam. E o quê, na sua opinião, seria esse algo mais?

  2. Só um aparte, se o sucesso, as invenções, a riqueza e a ciência inviabilizarem um futuro sustentável essa equação não passa pela liberdade dos indivíduos, mas pela responsabilidade ecológica, social, econômica, etc. De nada adianta eu ter liberdade e vender algo que gera miséria e poluição irresponsável. Isso não é liberdade, é crime! Bom tema para discussão, mas para mim, o império das leis e liberdades só funciona no papel, porque grande parte dos seres humanos tem uma tendência forte a irresponsabilidade … negar que a natureza, o ar, a água e a terra estão se deteriorando pela ação irresponsável do ser humano “livre” e individualista é uma defesa difícil né? Ou não?

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