15 anos de manifesto e o importante é ser feliz – Psicologia e Computação Positiva

Ao comemorar 15 anos do Manifesto Ágil Para Desenvolvimento de Software e 7 anos do Manifesto para Artesanato de Software, quero escrever sobre o argumento da Psicologia Positiva (Martin Seligman – 1998), porque temos muito o que comemorar. Valorizar o meio copo cheio facilita a compreensão e energiza o planejamento futuro. Valorizar o que de bom nos acontece muda o mundo!

Os manifestos ágeis e de artesanato de software (resumidos logo abaixo) não enfatizam que devemos comemorar cada pequena conquista, que vivemos em sistemas complexos, quer pelas culturas empresariais ou paradigmas pessoais, devemos trabalhar pela equidade de objetivos, bem-estar e felicidade das pessoas.

1. Software de excelente Qualidade (Software em funcionamento) mais que documentação abrangente;
2. Agregar valor de forma constante e Crescente (Responder a mudanças) mais que seguir um plano;
3. Comunidade de profissionais (Indivíduos em interação) mais que processos e ferramentas;
4. Parcerias produtivas (Colaboração com o cliente) mais que negociação de contratos.

Síndrome de BurnOut (~ psicologia negativa)

A síndrome de burnout é consequência do acúmulo de estresse em trabalhadores que têm uma profissão muito competitiva e de responsabilidade, tornando o dia de trabalho em um sacrifício. Pode surgir quando se planejam objetivos de trabalho muito difíceis, abalando a auto-eficácia e auto-estima do trabalhador.

Muitos dos bons profissionais com quem trabalhei tem a mania de sobrevalorizar o que falta, o meio copo vazio … eles definem isso como opinião, que é legítimo se posicionar de forma enfática e lutar pelo que acredita. É fácil identificar: cara amarrada, mesmo com coisas boas acontecendo, o que importa para eles é o que falta, desmedidos, mesmo reclamando de algo que não vai mudar, não perdem oportunidade para reiterar sua contrariedade.

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Psicologia Positiva

A psicologia Positiva se propõe a antecipar e resolver patologias a partir da valorização do meio copo cheio que temos, é evitar a somatização de neuras, melhorar a percepção e qualidade de vida no dia-a-dia, mitigando patologias. Não é esconder o errado, é trabalhar o que está errado balanceando com o tanto de bom e certo – É focar na felicidade como arma para endereçar os problemas.

Lembra muito as palestras que assisti sobre PNL (programação Neurolinguistica), além disso, é com satisfação que encontro icones que curto envolvidos nestas leituras transversais. É o caso de Czikszentmihalyi (Flow), que com Seligman tratou desta abordagem em 2000, apontando a importância de pesquisas sobre aspectos positivos das pessoas e suas interações.

A Psicologia Positiva pode ser um argumento a mais no processo de mudança para modelos sociais mais virtuosos, algo que esta Teoria propõe chamar de florescimento é manter explícitos as condições e aspectos positivos da vida como combustível no esforço de melhoria contínua, natural, aproveitando a estrada e não apenas sobrevivendo (sofrendo) à espera do pote de ouro no final da estrada.

Tem a técnica dos 7 minutos para iniciar o dia, além dos exercícios de PNL para reprogramar sentimentos e reações negativas, desnecessárias ou desmedidas. A Psicologia Positiva é um aliado na otimização e antecipação da Teoria da Massa Crítica, na busca e construção do volume necessário de pensamentos positivos para a efetivação de mudanças de hábitos, estabelecimento de novos paradigmas.

Computação Positiva

A computação positiva vai nortear as ações da SUCESU-RS em 2016 (entrevista com o nosso presidente Daniel Scherer), um processo que pretende valorizar acima de tudo o bem-estar das pessoas, conquistas, qualidade de vida, trabalhar para potencializar isso e não render-se para o lado sombrio da força.

Aqui é essencial entender que engenharia de software envolve processos que se iniciam desde a ideação até o ocaso da solução construída, intervalo que pode durar décadas. A computação positiva, na percepção de TI enquanto sistema sócio-técnico, com ciclos curtos de modelagem, construção e feedback, envolve e impacta no bem-estar de clientes, usuários, analistas, desenvolvedores, gestores, a tia do cafezinho, ações e reações em prol do bem-estar de todo o ecossistema.

A maior barreira na adoção de novas metodologias é aquela nuvem de chuva que acompanha alguns formadores de opinião em projetos, lembrando um pouco o cupê mal-assombrado da corrida maluca ou a Hiena do desenha do Lippy & Hardy, sempre resmungando que nada daria certo. É impossível não conseguir mapear os Lippys após alguns dias ou algumas reuniões com uma equipe.

Ficar remoendo apenas aspectos deficientes é a forma mais eficaz de minar o processo, de manter aquela nuvem sobre a equipe … é valorizar o meio-copo vazio, dificultar um clima de satisfação e felicidade que alavancaria de forma mais eficiente as tentativas de experimentação para melhoria contínua. Há momentos para lições aprendidas e feedbacks, de forma racional e equilibrada, fora isso é trabalhar bem, sendo positivo, fazendo o melhor para satisfação e ser feliz.

Conclusão

Pare e pense um pouco, será que mau-humor ajuda em algo ou atrapalha? Será que um pouco de positividade, de bom humor, será que o meio-copo cheio já não merece um sorriso, será que já não melhorou alguma coisinha que mereça um crédito ou apoio … será que esperar ou exigir o copo todo cheio para ser feliz é uma estratégia racional?

Pode reivindicar,  trabalhar por melhorias, mas de forma desencanada, o que mais importa é estar hoje um pouco melhor que ontem, certo de que amanhã é outro dia … Trabalhar com um encosto resmungão é dureza, eu quero é ser feliz, não quando me aposentar (baby boomer), nem quando me tornar chefe (geração X), quero ser feliz a cada dia, sempre comemorando mais que somatizando (Y).

Se para isso tiver que trocar, calma, seja maduro e corajoso, trabalhe para crescer, aprender e trocar, mas não transforme a sua vide e dos outros em condenação. Cada um de nós pode e deve correr atrás do que acredita e quer para si, tenho 52 e não quero ficar convivendo com alma penada, arrastando correntes e se fazendo de vítimas, convictos que seu mal humor ajuda em alguma coisa além de gerar mais mal-estar e mais caras amarradas …

Podemos gerar círculos viciosos ou virtuosos, e adivinha? Só depende de nós!

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4 Respostas para “15 anos de manifesto e o importante é ser feliz – Psicologia e Computação Positiva

  1. Pra variar, muito bom teu texto Audy.
    Enxergar as coisas pelo lado positivo não só gera leveza na vida como ainda facilita para se encontrar a solução das coisas que precisam ser melhoradas. Sempre que vemos apenas o aspecto negativo, nossa visão geral fica turva e como tu bem observou, isso mina todo o ambiente em que estamos inseridos. Vou ler mais sobre PNL também. Muito obrigada! =)

    • Agradeço a contribuição guria, PNL virou curso obrigatório para quem pratica coaching, lida com o conceito de que é preciso saber falar com o nosso eu interior, sentimentos e psicologia positiva … és bem-vinda sempre! 🙂

  2. Daniel Scherer

    Parabéns por mais um texto excelente.

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