Dojos não são iniciativas pessoais, são organizacionais

Em todo evento, abertos ou internos a empresas, há sempre um falso-dilema, profissionais reivindicam mais agilidade, mais qualidade, excelência técnica e tecnologia, mais boas prática de Clean Code, TDD, peer review, … A solução é Dojo, é treino prático, mas as empresas não dedicam tempo para isso em seus planos de projeto.

Analogia ao DOJO KATA (道場 ), local de treino das artes marciais, sobre movimentos de ataque e defesa, para desenvolvimento, preparo, aperfeiçoamento das aptidões físicas e psicológicas para o verdadeiro combate, incorporando-os ao modelo mental de forma a torná-los parte de seus reflexos naturais, instintivo:

Muitas empresas isentam-se da responsabilidade de ter um calendário de Coding Dojos, UX Dojos, Startup Dojos, Open Spaces, Workshops com agile games, Hackatons, … Estas mesmas empresas reclamam que apenas um pequeno número de colaboradores comparecem fora de horário para participar de boas iniciativas, via de regra pessoais.

É preciso que as empresas parem para refletir o quanto custa ter equipes esforçadas ou equipes preparadas. Todos eles tem interesse, queremos aprender, fixar, melhorar, queremos melhores profissionais, mais colaborativos, mais efetivos, melhores testadores, desenvolvedores, analistas, líderes, UX, … mas nem todos topam ou podem ficar para aprender coisas novas entre as 19:00 e 22:00.

Dojos não são eventos para especialistas, são treinamentos abertos à toda a equipe, papéis e perfis envolvidos, todos deveriam estar presentes, termos diferentes níveis de conhecedores e conhecimentos. É na união de diferentes bagagens e vivências que obtemos o mix que resulta em geração e difusão de conhecimento, inovação e sustentabilidade:

  • Ambiente descontraído, divertido e sem pressão por resultados;
  • Clima de inovação e empreendedorismo, tentar fazer diferente;
  • Erros são bem-vindos, pois gerarão aprendizado e não prejuízo;
  • A discussão é no campo das ideias, não pessoalize ou culpe;
  • Treinar a ouvir antes de falar, cada um será aluno e professor;
  • Total sentimento mútuo de colaboração e cooperação.

Para empresas, deveria ser um esforço coordenado, incentivado pela governança e PMO, uma intensa forma de antecipar os próximos passos tecnológicos, promovendo o auto-ensino e aprendizado pelas próprias equipes em relação a técnicas e tecnologias, aprimoramento das vigentes ou preparação do futuro.

I. Coding Dojo

Pode ser de backend (Java, Dot NET, …) ou FrontEnd e ao contrário do entendimento de alguns NÃO é só para treinar testes unitários, o foco é Pair Programming e Code Review, discussão de conceitos de programação ágil, foco em produtividade, qualidade, cobertura, colaboração, primando sempre pelos três pilares do Scrum – transparência, inspeção e adaptação. O clássico é:

1. Até 15 pessoas em volta da mesa de reuniões, um só notebook, conectado ao projetor, inicia com uma dupla, sendo um o piloto e outro co-piloto;
2. Os dois falam em voz alta o que pretendem, discutem, mas só o piloto pode digitar, sempre deixando claro os seus propósitos, meios e objetivos;
3. Após 5 minutos, o piloto volta a ser platéia, o co-piloto assumo como piloto e o próximo da mesa assume como co-piloto, para que todos experimentem;
4. A platéia não pode sugerir ou questionar as decisões da dupla, mas pode perguntar se não estiver claro o que estão fazendo, não pode ser no escuro;
5. Segue o ciclo de desenvolvimento TDD (red-green-refactor), iniciando pela classe de testes, desenvolvendo a classe da solução, validando, refatorando.

II. UX Dojo

Semelhante ao Coding Dojo, podemos reunir profissionais de UX com analistas, desenvolvedores, clientes, desafiando-os a fazerem uma revolução em uma página, quebrando conceito, indo além nas boas práticas. Uma das técnicas constrói modelos e “maquetes”, peças em tamanho real ou exagerado do produto, podendo ser desenhos reais, simulações ou abstrações. Um formato que já rodei é:

10′ – Apresentação da capa e suas características pela PO, SEO e UX;
10′ – Debate aberto a todos para dúvidas e melhor entendimento;
05 – Formação das duplas, cada uma com um UX e um convidado;
20′ – cada dupla discute e desenha as suas proposiçõesd e melhorias;
Ciclos de 05′ – Cada dupla tem 5 minutos para apresentar suas ideias;
25′ – Debate aberto para montar uma proposta com o melhor de todas;
15′ – Avaliação do evento.

III. StartUp Dojo

Caia na real que inovação e empreendedorismo NÃO é coisa de startup, no mundo organizacional chama-se capacidade absortiva, que é a capacidade de uma equipe ou grupo resolver problemas, sendo criativo e inovador no aproveitamento de oportunidades ou eliminação de riscos.  Empresas que não entendem que inovação e empreendedorismo é cotidiano, é agilidade, é melhoria contínua, … estão aos poucos parando no tempo ou aguardam um milagre da área de P&D, nunca ouviram falar em Kaizen e desperdiçam 95% do seu capital intelectual.

1º. Lightning Talk sobre o Business Model Canvas;
2º. Divisão da galera em equipes entre 4 e 8;
3º. Debate para escolha de um negócio a ser detalhado;
4º. Decidido o negócio, montagem do Canvas dele;
5º. Apresentação do Canvas de cada equipe e questionamentos;
6º. Lições aprendidas e encerramento.

Nos Agile Brasil de 2011, 2012 e 2013 um assunto chamou a atenção, explodia uma profusão de palestras sobre StartUps, lightning talks, mãos na massa e muitos debates sobre formatos, modelos, Business Model Canvas, Lean Canvas, sobre o movimento Statup Dojo Brasil e seus filhotes em Brasília, Floripa, SP, RJ, …

IV. Maratonas

Por estas bandas, as “hackatonas” são eventos que reúnem uma galera decidida a modelar ou construir soluções ou serviços no intervalo de 1 ou 2 dias, chegando ao final com soluções modeladas ou publicadas em produção. A maioria das empresas acredita que isso é mais uma legalzisse do Facebook, Google, etc, não percebendo o potencial em energização, melhoria e crescimento coletivo.

Empresas como o FaceBook se utilizam deste expediente para mobilizar centenas de seus desenvolvedores, com dezenas de suas equipes mundo afora em uma atmosfera saudável, divertida, criativa e … competitiva. A intenção é tirar a galera da zona de conforte, é mostrar que a escala Agile não está só no projeto ou equipe, mas em toda a empresa, é uma estratégia organizacional de incentivo a inovação.

Existem maratonas no mundo digital e fora dele, eventos em empresas que buscam novas ideias, discussão, modelagens e prototipação. Mas o formato mais difundido e conhecido por nós da TI são iniciativas abertas ou internas a empresas, com dezenas de profissionais dispostos a construir algo em 1 ou 2 dias. Se envolver novatos, estudantes, aconselho a fazer um evento prévio para orientações e dicas, configurações, com veteranos, com basta wi-fi e café.

No dia, uma programação simples, boas-vindas, definição dos times, ideação (o ideal é provocar que todos já venham com ideias) e escolha do projeto por cada equipe, que pode ser de 3 a 5 integrantes. Permitir que mais de uma equipe trabalhe na mesma ideia de forma a construir algo maior e de mais valor.

V. Agile Games

Tenho convicção de que uma das melhores maneiras de fixar conteúdo sobre métodos e técnicas ágeis é através de “Agile Games”, quando os participantes são desafiados a simular e exercitar certos conceitos de forma controlada, de forma que seja possível gerar gargalos, riscos, situações em que decisões serão tomadas e logo depois analisadas.

Há dezenas deles, a cada evento sobre Agile é possível aprender mais um, exemplo do Alfabeto perdido aperfeiçoado pelo Eduardo Peres (DBServer), o Aviões 2.0 do Flávio Steffens (Woompa) e Rafael Prikladnicki (AGT), os de análise de negócios ágeis do Luiz Parzianello (RBS), Extreme Hour do Daniel Wildt (uMov.me), Mexendo o Fluxo do Paulo Caroli (ThoughtWorks), etc.

Eu os crio, adapto, utilizo semanalmente em workshops com líderes, equipes, clientes e outras áreas, desenvolvedores, testadores, executivos, tudo depende do objetivo, momento, oportunidades, equipes que se empenham em crescer, empresas que tentam entender e se inserir neste paradigma.

Conclusão

Acredito em “Experiência Vicária”, o valor de experimentar ou ver alguém semelhante a si experimentando situações que geram aprendizado, pelo exemplo, tanto pelo sucesso ou insucesso, pois o que aprendemos em dojos, Agile Games, hackatons, dinâmicas e simulações vivenciadas, dificilmente esqueceremos.

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