Até o século XX, rir na igreja, trabalho ou escola era inadequado

Em um passado remoto, até meados do século XX, não era surpresa ver velhinhos e velhinhas sisudas ralhando com jovens por estarem rindo na igreja, homens de gravata e mulheres de tailleur reclamando de profissionais por rirem no trabalho, professores punirem crianças e jovens por se atreverem a não se comportarem como adultos em sala de aula ou pátio das escolas. Muitos achavam que alegria demonstraria uma afronta ao objetivo do ambiente religioso, de ofício ou ensino.

Olhe ao seu redor e me diga se não consegue ver velhos (e jovens) sisudos, certos profissionais ou professores inseguros, que se acham, que ainda não perceberam que o mundo mudou. Mudamos por nós e por pressão das novas gerações, pela paixão em querer ser feliz, querer ter e compartilhar satisfação e realização, poder crer, produzir e aprender de forma agradável e divertida.

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Se queremos pessoas mais “completas”, mais engajadas, mais apaixonadas pelo que fazem, mais orgulhosas do que e com quem fazem, entendendo a si mesmos e aos outros em suas limitações e potencial, é preciso sermos mais que autômatos fazendo mais do mesmo. Os princípios Lean de Gemba e Kaizen são os meios para atrair e reter pessoas que buscam crescer, colaborar e serem felizes no século XXI.

EXECUÇÃO += DIVERSÃO

Jogos e diversão prática podem ser percebidos como formas de refinar nossos hábitos sociais. Por meio deles, traços da nossa personalidade, como coleguismo, ética, engajamento, arrogância, colaboração e competitividade tornam-se visíveis. O conhecimento sobre tais dinâmicas pode auxiliar em nosso auto-conhecimento, para melhorarmos atitudes e comportamentos, individual e em grupo.

Sobre os ombros de gigantes, de nada adianta negar os vetores motivacionais estudados pela psicologia, sociologia, pedagogia e ciências sociais, porque seres humanos aprendem, dedicam-se e produzem mais quando estimulados, quando conseguem entender e assumir o seu papel frente ao todo, quando possuem parceria, por sermos somos seres sociais, envoltos em sistemas sócio-técnicos.

Jean William Fritz PIAGET – Ícone nos campos da Psicologia, Educação e Epistemologia, ramo da filosofia que estuda o conhecimento humano:

Os jogos são admiráveis instituições sociais, porque, ao promoverem a comunicação interpessoal criam um relacionamento grupal. Jogando, a pessoa tem acesso à realidade social, compreende regras e necessidades”.

Johan HUIZINGA – O livro ‘Homo Ludens’ propõe o jogo como elemento cultural, histórico, o jogo é inato ao homem e fundamental a sua evolução:

O jogo é uma atividade voluntária, exercida dentro de certos limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas obrigatórias; dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria”.

Raimundo Angel DINELLO – Professor uruguaio de Sociologia da Educação, Dr. em Ciências Psicológicas, criador da Federação Latinoamericana de Ludotecas:

En la expresión ludocreativa están todas las dimensiones del ser humano: social, cultural, afectividad, cognición, motricidad, placer, imaginación, diversión y mucho estímulo para un permanente aprender, dado que estimula interés y alegría por descubrir sus propias potencialidades”.

Juan Antônio Moreno MURCIA – Autor espanhol do livro ‘Aprendizagem Através do Jogo’, sobre características de atividades físicas e jogos pedagógicos:

A atividade lúdica é tão antiga quanto à humanidade. O ser humano sempre jogou e através do jogo aprendeu a viver. A identidade de um povo está fielmente ligada ao desenvolvimento do jogo como gerador de cultura”.

ASSIM SIM, MAS ASSIM TAMBÉM NÃO

Dito tudo isso, é importante dar o contra-ponto, nada disso é para ser hora do recreio, ludificação na igreja, trabalho e educação (para citar três), não é apenas marketing, chamariz ou enganação. É preciso ter seriedade nessa parada, se levado a sério na sua adoção, execução e evolução, os resultados virão, caso contrário será um desserviço, descolando teoria, execução e resultados.

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Nada disso é para ser trincheiras ou armaduras, estes conceitos não existem para serem usados como defesa ou blindagem, são partes de um novo mindset, trabalhar usando a psique humana a favor, potencializando satisfação, pois pessoas cientes de seu papel e satisfeitas geram melhores resultados.

Turnover e desmotivação não são males inevitáveis do trabalho, apenas são indicadores dos maus trabalhos, que via de regra são geradores de riqueza para poucos e de insatisfação para muitos. O bom é que o número de empresas que se utilizam corretamente de novos paradigmas com sucesso crescem a cada dia, pressionando outras a aderirem … esperamos ser um caminho sem volta!

 

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