O bordão “Errar é Bom!” é uma faca de dois gumes

Viajo pelo Brasil compartilhando o que aprendi sobre a pratica de metodologias ágeis, principalmente sobre o uso consciente de Scrum e Kanban em uma abordagem racional e equânime, satisfatória a todos, para os times, para a empresa, clientes, colaboradores, parceiros, fornecedores.

Por convicção sigo ao máximo preceitos da psicologia positiva, levo fé em abordagens que potencializem a auto-eficácia, sendo politicamente correto, seguindo linguagem não violenta, com crenças e valores ágeis, porque as pessoas sempre tenderão a fazer o seu melhor neste contexto.

Ao ler o manifesto ágil e seus doze princípios, nas bases do Scrum, Kanban, Lean Startup, Design Thinking, desperdícios Lean (Muda, Mura, Muri) e tantos outros, é preciso não se perder na interpretação, pois não é um risco incomum adotar Agile e levantar escaramuças aos princípios Lean e aos da própria agilidade.

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Não é um paradoxo, é LEAN e tem a ver com Albert Bandura, com aprendizado vicariante, trabalhamos para errar o necessário ou inevitável, mas aprendendo com nossos erros passados, presentes e com os erros dos outros, desta forma mitigamos o risco de errar e potencializamos os resultados.

Brinco dizendo que não podemos seguir o exemplo da geração Hippie, que contestou uma sociedade altamente regulada e hierárquica com uma abordagem diametralmente oposta que durou muito pouco, pois se rigidez disciplinar é ruim, a liberdade total, com sexo, drogas e rock’n roll também é o ó do borogodó.

A solução para tudo é a busca iterativo-incremental-articulada pelo equilíbrio:

Se apontar erros e caçar culpados é ruim, ficar repetindo o mantra irracional de que errar é bom, pode atrasar as soluções e não ajudar em nada;

Se MS-Project com antecipação de 12 meses de tarefas e responsabilidade é ruim, não planejar nem documentar nada também não é solução;

Se um chefe carrasco é ruim, evitar contato com a liderança tende a ser insano para quem quer ter seu trabalho reconhecido no coletivo e no individual;

Se comunicação violenta, agressiva, unilateral é ruim, manter uma comunicação sem transparência postergará soluções que podem ser urgentes;

Se pressão e exigências desmedidas é ruim, eliminar qualquer pressão é pressupor que os hippies tinham razão – sexo, drogas e rock’n roll são suficientes.

Acho que essa defesa de tese de errar cedo é mal entendida. “Errar é bom” diz respeito a validar hipóteses, a testar o desconhecido, correr riscos calculados, diz respeito a inovação, não diz respeito a erros conhecidos e que poderiam ter sido evitados com um pouco de discussão e antecipação, pois esse é o mindset Lean.

principios-lean

Dentre os três pilares do SCRUM, um deles é o pilar-mor, o da transparência, que deve ser praticado com realismo, positivismo, franqueza e uma boa dose de bom senso e educação. Qualquer informação relevante que seja escondida, que poderia gerar planos de ação e antecipação para mitigar riscos e aproveitar oportunidades é uma ode à cultura da resignação em prol do desperdício.

Não concordo e acho muito perigosa a defesa de tese de “Errar é bom!” sem contextualizar e lembrar as boas práticas. Alguns evitam melindrar as equipes, porque se errar não for bom vão esconder os erros. É como dizer que, para motoristas não terem medo de buracos na estrada resolve-se colocando uma venda nos olhos deles … decididamente, não entendo e não concordo!

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O maior risco de todos é seguirem o mesmo roteiro de George Orwell em Animal Farm, quando os bichos liderados pelos porcos iniciam uma revolução contra o fazendeiro com o bordão de Duas patas é ruim e Quatro patas é bom! … sem entender, não percebem que as coisas pioraram, pois esqueceram os porques!

revolucao-dos-bichos

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2 Respostas para “O bordão “Errar é Bom!” é uma faca de dois gumes

  1. Marcelo de Paula

    Olá Jorge, sabia que você não ia deixar esta escapar :-), também já vi muitas organizações e CEOs falarem do tema com parcimônia até que alguns erros começam a acontecer e as pressões de agilidade em resolver aparecem junto. Enfim, bom senso será importante aos menos precavidos para não ficarem somente acreditando neste mantra de errar é bom e serem pegos de surpresa pela Liderança reconsiderar ao surgir erros mais significativos e de custo financeiro maior associado, valeu a dica e atenção ao pessoal! Parabéns pelo artigo!

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