O que aulas universitárias tem a ver com Agile

Quem me acompanha sabe que há cinco anos compartilho Ebbinghouse, Bandura, Piaget, Karasek, Tuckman, Kolb e muitos outros ícones da educação, psicologia, sociologia e outras “ias”, pois não é só de Takeushi, Nonaka, Shore, Fowler, Shuterland, Schwaber e outros gurus ágeis que métodos ágeis se mantém de pé.

Compartilhar a programação de minhas aulas é outra forma a meu alcance na demostração prática do uso de diferentes técnicas, jogos e dinâmicas de grupo para introduzir, fixar, debater, exercitar e (até) gerar conhecimento. Dada a densidade e desafio da disciplina de GP, decidi fazer posts ilustrando o que está rolando por lá na tentativa de equilibrar a teoria da ementa + exercícios + jogos.

Timeboxes, aulas, jogos, dinâmicas, tudo são como reuniões, temos que dedicar tempo suficiente para o seu planejamento e preparação, para a sua execução e pós, aprendendo e ajustando a cada iteração. O SCRUM só funciona se aplicarmos este conceito a cada reunião, assim como em uma aula universitária:

facilitando-uma-reuniao

Em outra disciplina – Tópicos Especiais em Engenharia de Software – já rolaram duas aulas, a disciplina é quase toda baseada em seminários, com aulas invertidas, há tópicos essenciais com variados desdobramentos – Agile, LPS, SBE e Transição.  Tanto na de GP quanto na de TE, auto-organização e pertença é a chave, transferir para a gurizada ao máximo o controle do que acontece em aula.

Disciplina de Tópicos Especiais em Engenharia de SW

Na primeira aula fiz a apresentação da ementa e programa, para então dividir os alunos em grupos informais para que cada um montasse seu Agile Subway Map. A opção por grupos informais era para que no caso de dar branco tivessem liberdade para entre eles, por proximidade ou afinidade, conversarem e seguirem adiante.

O resultado foi promissor, cada aluno encerrou a aula com uma folha A3 contendo de alguns a dezenas de postits representando cada um seus conhecimentos, habilidades, atitudes e vivências relevantes para seu momento e intenções relacionadas a seu trabalho. O exemplo que mostrei a eles foi o que montei a partir da palestra do Matheus Alagia sobre um de seus projetos de sucesso na DPE.

A escolha na criação de trilhas é flexível, cada um escolheu como separar seus conhecimentos, habilidades, atitudes e vivências, para minha surpresa alguns optaram por fazer um mapa em duplas. Em uma cor tudo o que já tiveram algum nível de contato, conhecem ou praticam, em outra cor tudo aquilo que ainda pretendem ou precisam conhecer e experimentar para seguir adiante.

A segunda aula fiz em um laboratório, para que todos tivessem acesso a internet, no quadro expus novamente as trilhas básicas de conhecimento propostas para a disciplina (Agile, Especificação por Exemplos, Linha de Produto de SW e Transição). Fiz a distribuição dos Mapas criados por cada um sobre seus conhecimentos e os próximos a serem adquiridos.

Novamente em grupos informais por proximidade, cada um analisou seu mapa, realizou pesquisas na web para identificar quais os principais assuntos de interesse e deram sugestões além dos quatro tópicos previamente sugeridos. Na sequência, todos puderam sugerir, discutir e agrupar-se em torno dos temas no quadro e acabaram constituindo grupos para os seguintes seminários a partir de Abril:

  • 3 relativo a Especificação – BDD, Planejamento de MVP e TDD
  • 1 relativo a LPS – Arquiteturas
  • 2 relativo a transição – COBIT/ITIL e Integração Contínua

Tive vários alunos ausentes, que terão que optar por outro mais um tema, como LPS e famílias de SW, versionamento e empacotamento, bem como Agile. A combinação a cada seminário, o grupo da noite apresenta seu trabalho e eu interajo o necessário para colaborar em cada assunto, com a turma podendo fazer perguntas, respostas e também trazer suas experiências.

Eu incentivo que convidem profissionais com experiência, eu mesmo sugiro alguns nomes a cada grupo, bem como o uso de dinâmicas de fixação pertinentes a cada tema. Nos semestres anteriores rolou tanto convidados quanto jogos e dinâmicas de grupo. O material necessário eu mesmo busco providenciar, como papel, adesivo, postits, canetões, etc.

O importante é o mesmo princípio que utilizo para equipes em projetos de desenvolvimento, é preciso ter um objetivo claro e é para ele que trabalhamos todos, neste caso aquisição e compartilhamento de conhecimento. A forma, a criatividade, a consistência, tudo está a serviço de metas e objetivos declarados.

Conhecimento, seguindo os princípios da Lei de Dude formulada por David Hussman, de nada adianta ter forma, volume e densidade, se não entendermos a natureza, fazendo do jeito certo e pelos motivos certos. Não existe aulas ideais, existem aulas evolutivas, quando alunos e professor se posicionam e melhoram.

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