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Layout e Graffiti – Como mudar as salas de aula?

Professores, alunos e salas de aula tradicionais, muitas ainda com quadros negros (verdes) e giz, todas elas com eternas paredes brancas sem lembranças, com dezenas de cadeiras em filas, dispostas em uma matriz de linhas e colunas … tudo isso sustentando uma relação baseada em conteúdo e avaliação linear em um paradigma secular para comprovação de conhecimento aparente.

A revolução industrial do final do século XIX está para a produção o mesmo que a universidades de Bologna e Paris do século XI está para a educação, modelos criados a luz de outra época, sob paradigmas obsoletos. Ambos assumiam que operários e estudantes deveriam fazer o que lhes diziam sem questionar, de forma padronizada, como se todos devessem ser iguais.

construtivismo

Acredito nos estudos de Piaget, não sobre o processo de ensino, mas no singular protagonismo de cada criança (pessoa) no seu próprio processo de aprendizado. Ele discutiu as condições para a construção do conhecimento, o papel do erro e do esforço. O aprendizado exige provocação e ação ao invés do papel passivo de repetição e obrigação que assumem grande parte dos professores e alunos.

Há boas e louváveis iniciativas na educação, elas crescem a cada dia, mas ainda são exceções a regra em um mar de conveniências, zonas de conforto, equilíbrio contábil e sufocamento de talentos. Na maioria das vezes é mais fácil para o professor ter um conteúdo fixo, massivo, contra o qual todos os alunos devem provar que compreenderam (decoraram) o suficiente para seguir adiante.

Imaginando que instituições, alunos e professores querem mudar, querem tentar fazer diferente, por onde começar HOJE, um simbólico primeiro passo? O que temos em uma sala passível de ser mudada imediatamente, simbólico? Queremos mudar as pessoas, isto está em curso mundo afora, mas isto demanda tempo, será consequência de uma série de debates e embates.

Salas temáticas – Layout e Graffiti incentivando mais interação

Salas temáticas, uma busca simples na internet é possível ver o quanto provocação visual, por simbologia, cores, formas e disposição, o quanto a dinâmica de cada espaço tem força. Neste quesito, a maioria das salas tem elementos há mil anos inalterados, como as paredes brancas e as atemporais “classes”, com mesas e cadeiras dispostas em linhas e colunas.

Graffiti – E se cada sala tivesse um graffiti inspirador, temático, sobre aspectos culturais, ciências, geografia, biologia, informática, inovação, matemática, etc? De que forma a cor, a variedade de símbolos, a inspiração inconsciente para temas de interesse, como podem gerar provocações, contextualizações, mudanças de atitude e imersão, com múltiplas mensagens implícitas.


Formatação – Disposição das cadeiras, algo tão modulável e por incrível que pareça, uma imposição usual das instituições … não bagunçar as salas de aulas, deixando organizadas para o próximo professor. Disposição livre, em ilhas, em ferradura, em círculos como em um fishbowl, há uma dezena de formações que mitigam zonas de conforto, impedem a tentativa de ocultar-se ou esquecer-se.

No blog do Impact Hub, onde a DBserver tem sua sede paulista, encontrei algumas ilustrações de disposição para salas de eventos, um artigo pertinente a facilitação. Uma sala de aula é maior que a sala de eventos abaixo ilustrada, mas o conceito é o mesmo – em espinha de peixe, ilhas, ferradura, reunião, cada qual útil para dinâmicas que suscitam a interação, o debate, a participação, …

Imagino como seria uma escola ou universidade em que tenhamos em cada sala uma disposição e paredes grafitadas, salas temáticas com cores, ilustrações e disposição física peculiares, que passem um recado e lembrem o que estamos fazendo ali. Há empresas que tem uma parede de quadro negro (verde) e o graffite na verdade é um desenho a giz que muda a cada tanto.

Em salas de pós-graduação não é incomum, creio até que seja regra o uso de layout das cadeiras em ferradura, no meu mestrado na FACE algumas salas tinham uma disposição tradicional, em ferradura e outras uma ferradura dupla. Com certeza e acoplamento a meus valores as salas de ferradura eram as mais instigantes … todos de frente para o grande grupo, ao contrário do tradicional em que todos estão de costas …

Quadros Brancos – Em cursos de MBA voltado a executivos e profissionais já é também comum a existência não só do layout em ferradura quanto quadros brancos em várias paredes. Esta estratégia propicia que qualquer discussão possa contar com uma visualização, diagramação, qualquer professor ou aluno estão próximos a um quadro branco e podem utilizá-lo para expôr ideias e posições.

Não fazer nada sempre é o mais fácil, transferir a responsabilidade ou esperar anos em uma discussão interminável por uma mudança definitiva é muito vintage, é puro waterfall (cascata). Porque não tomar pequenas decisões e agir um passo de cada vez, se após algumas semanas não gerar valor, volte atras, se estiver gerando, talvez então aprendamos algo mais e poderemos dar o próximo passo.

Assessment (+20) não gera diagnóstico, mas é uma usina de insights

Compartilho a seguir alguns assessments que tenho usado na minha estrada como Agile Coach e consultor, a do James Shore eu aprendi com o grande parceiro Alejandro Olchik em 2015, os outros fui  encontrando em meio a milhares de páginas e artigos que fui lendo e compartilhando nos últimos sete anos.

A seguir um mapa geral dos assessments que compartilhei neste post, clique aqui para baixar se quiser te-lo em tamanho A3 como um guia:

ASSESSMENTS

Não acredito em assessments para diagnósticos, mas se bem escolhido frente ao momento do time, é uma ferramenta relevante para ampliar horizontes e fomentar o debate construtivo, aumentar o auto-conhecimento e embasar os próximos passos e planos de ação. Clique nas imagens para ir às páginas e arquivos originais:

1. Roda da Vida

Se você não tem domínio sobre você mesmo, se não dedica algum tempo para auto-conhecer-se, querer fazer isso para o grupo é amadorismo. Pessoas que se conhecem bem pessoal e profissionalmente tendem a se posicionar e propôr soluções mais assertivamente … A roda da vida é uma preliminar pessoal para SWOT, BMY, Johari, CHAx5, antes de discutir sonhos e planos coletivos.

2. Assessment James Shore

Este aqui tem questões muito objetivas sobre valores e boas práticas em áreas como Agile Thinking, Colaboração, Planejamento, Desenvolvimento e Entrega. Em grupos grandes eu divido em sub-grupos de 3 pessoas, que respondem e depois convergimos juntos no entendimento de pontos fortes e fracos, propondo pequenos planos de ação para melhorias:

art of agile - shore map

3. Maturity Assessment Model for Scrum Teams

No site da Scrum Alliance tem este assessment sobre os 12 princípios ágeis, já o utilizei como warmup, antes de uma retrospectiva e gerou bons insights sobre nossos valores ágeis. A proposta original diferencia a opinião de cada um, mas eu normalmente faço uma primeira discussão em sub-grupos de 2 ou 3, depois consolidamos, assim cada coluna passa a representar um grupo e não uma pessoa:

4. Comparative Agility

Eu realizei o assessment online e salvei todas as questões para poder me debruçar e analisá-las com mais calma … até mesmo porque meu objetivo não era nos comparar com outras empresas e equipes, mas proporcionar reflexões sobre quesitos relevantes e montar planos de ações para melhoria contínua:

5. Agilometer PRINCE2

PRINCE2 é um framework tradicional para gerenciamento de projetos que vem se propondo a flexibilizar-se e agregar valor com princípios e boas práticas oriundas do Scrum e Kanban. De toda forma, compartilho um assessment muito simples, é só imprimir colorido e colocar “botões” deslizantes, que podem ser postits:

6. SAFe Team self-assessment

Esse é bem conhecido da galera do SAFe, o que restringe seu uso a poucas e grandes empresas, aquelas que usam o framework para projetos que contam com muitas equipes trabalhando juntas no mesmo release … no início pode parecer um tanto desafiador, e é, mas mais pelo tanto de atitude e realismo que exige de todos:

7. Squad Health Check Model

Esse é muito legal e seu uso é bem mais amplo, podendo ter nas colunas a auto-avaliação do time a cada sprint, uma forma de manter no radar os resultados obtidos com os planos de ação e iniciativas realizadas no transcorrer do projeto. O pdf já disponibiliza os cartões e semáforos, usamos as setas para dar a tendência – www.barryovereem.com/how-i-used-the-spotify-squad-health-check

8. The Unoficial Check-list SCRUM

Já fiz posts sobre este e outros, mas os links são para as páginas originais. Este eu achei muito legal e já usei com bons resultados, lembrando que o meu objetivo nunca é diagnóstico, mas reflexão pelo próprio time durante uma retrospectiva, que decide a partir disto quais as ações melhores a serem priorizadas:

Há uma lista com sugestões de assessments listadas por Barry Overeem, que relaciono abaixo, para estes sugiro o post original e seguir os links abaixo:

20. SCHNEIDER’S CULTURE ASSESSMENT – Para terminar compartilho um assessment lastreado na teoria sobre cultura organizacional de Schneider para descontrair e lembrar do que eu disse no início sobre tudo iniciar na pessoa, sendo assim, também é preciso lembrar que pessoas e times estão imersos em um contexto organizacional que pode ajudar ou atrapalhar se não estiver em equilíbrio. Ela é muito intuitiva e busca estabelecer o debate acerca da orientação cultural em equilíbrio ou não:

No século XXI, nós humanos somos a Lei de Moore e nos reinventamos a cada 18 meses

Está na hora de colocar a Lei de Moore e profissionais T Shape em foco: Qual a taxa de crescimento evolutivo que um profissional imprime em sua carreira de TI no século XXI? Nos reinventamos a cada dezoito meses trabalhando em curtos ciclos iterativo-incrementais-articulados, sprints quinzenais, reuniões diárias, exercitando senso de equipe, gestão de conhecimento e capital intelectual coletivo.

A lei de Moore foi cunhada por um presidente da Intel, em 1965 Gordon Moore afirmou que o poder médio de processamento dos computadores dobraria a cada 18 meses. Quem disse foi o presidente da maior empresa de bolachas do mundo, aquelas finas fatias de cristal de silício usado para fazer microchips.

No século XXI deixamos de investir só em Hard Skills e passamos a valorizar cada vez mais Soft skills, um tão importante quanto o outro, ambos exigindo esforço cognitivo, mas passamos a dar especial valor a aspectos sociais, comportamentais, habilidades, atitudes, além apenas do conhecimento técnico.

Minha provocação é que um profissional de TI do século XXI se reinventa a cada 18 meses tanto quanto processadores dobravam no século XX. Não mudamos tudo nem dobramos, mas evoluímos hard e soft skills, evoluímos a forma como fazemos as coisas, profissionais do conhecimento, século XXI.

Um bom desenvolvedor Java, Dot Net ou mobile, por exemplo, após um ano e meio olhará para trás e descobrirá que novos métodos, frameworks, técnicas, conceitos individuais, coletivos ou ambientais terão sido absorvidos. É inevitável, há centenas de boas práticas e tecnologias a nosso alcance e aos poucos não serve mais fazer funcionar o que é pedido, é preciso fazer certo a coisa certa.

Recordar é viver!

Em trinta anos de mercado, vi muitos profissionais saindo de desenvolvimento procedural para OOP, de client-server para a plataforma web, de builds monolíticos para orientação a serviços e agora microserviços, no mundo java web por exemplo tivemos que aprender coisas novas no máximo a cada ano.

Se sacudirmos aleatoriamente a memória entre 2008 até hoje, vi profissionais aprendendo e usando, html, javascript, ajax, java, JPA, EJB, oracle, spring, primefaces, JSF, hibernate, widgets, bootstrap, junit, glassfish, angular, web sockets, js nodes, lucene, jenkins, mongo, … são dezenas de siglas e tecnologias.

Em documentação vimos a galera sair da UML e seus diagramas para novos conceitos de documentação viva, user stories e critérios de aceitação, passando por BDD e mesclando tudo isso com princípios, novas metodologias e boas práticas ágeis, design thinking, lean startup, business model generation, …

Curva normal

Na virada de século tínhamos a maioria dos profissionais ainda apegados a uma tecnologia como base de sua carreira, desde o Cobol ao Java, de Oracle Forms ao Delphi. O início do século XXI forçou um grande reposicionamento tecnológico, o bug do milênio fez com que as grandes organizações refizessem soluções antigas e adotassem melhores práticas metodológicas e tecnológicas.

De lá para cá, todos nós de TI, desde a gestão de projetos, desenvolvimento e operações vem passando por um processo de reinvenção, boas práticas ágeis da década de 80 e 90 passaram a ser vistas como um caminho a ser seguido, não só técnicas oriundas do XP, TDD, Kanban, Scrum, DevOps, mas resgate de OOP, DDD, BDD, design e qualidade ganharam valor além da funcionalidade.

Será que já construímos uma Curva Normal centrada nestes pressupostos ou será que sou eu um privilegiado por interagir com profissionais engajados em uma revolução permanente? Profissionais que já entenderam e tem a oportunidade de mudar, personificam o conceito de capacidade absortiva e T Shape que discuto no livro, workshop e jogo-desafio da “franquia” Toolbox 360° \o/

#1. A seguir compartilho as variáveis de um artefato criado em um estudo de 2016 sobre Capacidade Absortiva e intensidade tecnológica por Raquel Engelman, Edi Fracasso, Serje Schmidt e Hugo Muller, pesquisadores da Feevale e UFRGS:

Aq01. A busca por informações relevantes do nosso setor faz parte do dia a dia da empresa.
Aq02. Nossos gestores incentivam os funcionários a buscar informação do nosso setor.
Aq03. Nossos gestores esperam que os funcionários utilizem informações de outros setores.
As04. Em nossa empresa as ideias e conceitos são comunicados entre as diversas áreas.
As05. Nossos gestores incentivam o apoio entre as áreas da empresa para resolver problemas.
As06. Em nossa empresa há um fluxo rápido de informações entre as áreas.
As07. Nossos gestores promovem encontros periódicos entre as áreas para o intercâmbio de novos desenvolvimentos, problemas e conquistas.
Tr08. Nossos funcionários têm habilidade para estruturar e utilizar os conhecimentos adquiridos externamente.
Tr09. Nossos funcionários preparam os novos conhecimentos adquiridos externamente para outros fins e para torná-los disponíveis.
Tr10. Nossos funcionários são bem-sucedidos em articular o conhecimento existente com novas ideias.
Tr11. Nossos funcionários são capazes de aplicar os novos conhecimentos em seu trabalho.
Ex12. Nossos gestores apoiam o desenvolvimento de protótipos.
Ex13. Nossa empresa regularmente reconsidera as tecnologias utilizadas e as adapta de acordo com novos conhecimentos.
Ex14. Nossa empresa tem habilidade de trabalhar melhor quando adota novas tecnologias.

Profissionais de TI deixaram de ser focados em uma tecnologia e passaram a atuar em T ou Pí, não é só Agile, há dezenas de consistentes propostas sobre novos paradigmas baseados em gestão por competências, gestão do conhecimento, capacidade absortiva, management 3.0, já em pleno ano de 2017 é impossível manter-se alheio e insistir em individualismo e técnicos especialistas.

Você pode manter-se alheio ou em oposição a tudo isso, mas por quanto tempo? Enquanto isso, profissionais reinventam-se a cada 18 meses de forma natural, sem interrupções, seguindo a receita de aquisição, assimilação, transformação e exploração de uma capacidade que se inicia nos indivíduos, se materializam em equipes, transcendem transversalmente às organizações e permeiam o ambiente, empresas, grupos sócio-técnicos com quem interagem diariamente.

Pense nisso!

Carreiras e empresas equilibram-se entre kaizen e kaikaku

Alta performance tem a ver com domínio, já inovação tem a ver com aprendizado, quer profissionais ou empresas, é preciso equilibrar o que sabemos e o novo. Como em um Eurotunel, precisamos de uma galeria para a produção e outra para a inovação, que mesmo possuindo diferentes bitolas são interligadas por tuneis de serviço, para equalização da pressão entre elas e assim avançar continuamente.

O perfil T ou Pi proposto para profissionais do século XXI, com profundidade e domínio, mas também amplitude de conhecimento, equivale a teoria da Capacidade Absortiva  “conjunto de procedimentos e rotinas pelas quais as empresas adquirem, assimilam, transformam e exploram conhecimento para produzir uma capacidade organizacional dinâmica” (Zahra e George, 2002).

Há quem pense em inovação como sendo algo pertinente ao lançamento de novos produtos ou serviços por empresas, mas a capacidade absortiva vai além desta percepção de inovação. Perceber oportunidades de evolução, melhoria, mudanças, quer em nossas carreiras, quer em processos, trabalho, relacionamentos, produtos ou serviços, tudo isso depende de visão, criatividade, inspiração, de inovação.

Autofagia / Zona de Conforto

Sou um profissional de TI, quando entrei no curso de análise de sistemas em 1981 eu ainda não sabia de fato que teria uma vida profissional que exigiria atualização e adaptação em um ritmo atípico comparado a outras profissões. A cada ano é possível perceber novas tecnologias, hard e soft skills surgindo e mudando, entre elas eu preciso decidir constantemente por novos aprendizados e domínios.

Se Darwin fosse de TI, não precisaria ter viajado a Galápagos para concluir que a sobrevivência não é do mais forte ou mais rápido, mas daquele que se adapta. Força e agilidade servem para lhe tirar de um apuro, mas olhando para o passar dos anos, precisamos perceber quais as mudanças e oportunidades melhor nos convém ou nos exigem para nos adaptarmos a elas.

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Profissionais que se acomodam em fazer bem feito aquilo que é pago para fazer vivem a ilusão de que sendo excelentes em determinado conhecimento, serão reconhecidos e regiamente pagos por isso. São profissionais de perfil I, satisfeitos com o que aprenderam e conquistaram, esquecendo que o mundo dá voltas, muda sem parar, novos conhecimentos, tecnologias e habilidades surgem e crescem.

Empresas conseguem liderar segmentos de mercado, agigantam-se para então apenas entrar para a história como um exemplo de falta de visão, incapacidade de se reinventar, não é porque não geraram bilionários, mas por falta desta percepção de continua evolução do mundo que não para de girar, apequenam-se e algumas até desaparecem porque alguém com menos recursos e mais visão as ultrapassa.

Kaikaku x Kaizen

Nossa vida e de nossas empresas fluem, equilibram, pendulam entre alta produtividade e inovação significativa. Enquanto em alta produtividade pode ser que pequenas melhorias e ajustes surjam, mas de tempos em tempos teremos mudanças de alto impacto. É como Kaikaku e Kaizen, o Kaizen é fazer bem o que sabemos fazer, com pequenas melhorias eventuais, para então termos o Kaikaku, que é um grande salto evolutivo.

O Kaizen é um continuo evolucionário, Kaikaku é revolucionário, sendo que o processo de melhoria quando praticado de forma consciente, orquestrada, tende a consumir cada vez menos energia e gerar melhores resultados. Não podemos esquecer o que Schein, Argyris ou Tofler preconizaram quanto ao desafio de aprender algo novo, ação que consome energia e deve ser entendida e dominada:

Exploration x Exploitation

Insisto muito a quem se interessou por este assunto, dá uma olhada no meu post de 2014 sobre uma resenha do artigo seminal de James G March de 1991 e minha interpretação – https://jorgekotickaudy.wordpress.com/2014/06/19/vale-a-pena-entender-o-exploitation-e-exploration/

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Toolbox 360° = Capacidades Dinâmicas + Capacidade Absortiva

O livro ToolBox 360° não é só um livro, workshop ou o jogo de tabuleiro, é a materialização da crença de que as metodologias ágeis são a materialização da soma de uma variedade de teorias da psicologia, sociologia e ciências sociais.

Não vai parar por aí, o conceito é muito maior que as páginas de um livro que apenas se propôs a embasar e listar 70 boas práticas oriundas não só do Agile, mas do Design Thinking, Lean Startup, Mng 3.0, Art Of Hosting, Gamestorming, …

Nos workshops eu compartilho minha visão sobre oportunidades metodológicas, técnicas e boas práticas pela óptica daquilo que os americanos chamam de profissionais T Shape e em equipes auto-organizadas.

T Shape – profissionais com profundidade em seu domínio, mas com uma amplitude de conhecimento que os permita mixar diferentes técnicas e ir além!

Este Sábado estarei no Google I/O Extended de Porto Alegre no iMED para mais uma vez compartilhar este conhecimento, quer por provocações que nos façam sair da inércia, quer pelo exercício lúdico do jogo Desafio ToolBox 360° …

Por exemplo, novamente, o campo da Gestão do Conhecimento tem muito a nos oferecer, já falei sobre teorias e modelo como SECI, Ba Concept, Organizações que aprendem, Exploitation x Exploration, Capacidade absortiva, CoP’s, … mas proponho mais uma ilação entre capacidade absortiva e capacidades dinâmicas, pois empresas e profissionais precisam sempre buscar o equilíbrio entre aquilo que dominam e a busca do novo que precisa ser dominado.

Capacidade absortiva é “o conjunto de procedimentos e rotinas pelas quais as empresas adquirem, assimilam, transformam e exploram conhecimento para produzir uma capacidade organizacional dinâmica” (Zahra e George, 2002, p.186).

Capacidade dinâmica é “a integração da visão de recursos e competências na compreensão não só da criação como também da sustentação da vantagem competitiva das empresas (Lin & Wu, 2014; Makadok, 2001; Wu, 2010).

Tem tudo a ver com o conceito Kaizen de melhoria contínua, pois é a essência do modelo de gestão do conhecimento baseado em Exploration x Exploitation. Ao mesmo tempo que buscamos a excelência em nossas competências essenciais, também buscamos inovar e empreender de forma ordinária, cotidiana, buscando melhorar, resolver problemas de forma criativa e produtiva.

É obrigação de todo profissional ter um planejamento de carreira baseado no auto-conhecimento do que ele sabe e manter-se informado sobre as boas práticas que não sabe, para crescer, inovar, empreender, agregar valor, fazer a diferença. Inexiste uma fórmula para isso, mas grande parte dos meus posts são para provocar esta busca em equilíbrio com tudo o mais, de forma sustentável.

Alguns posts sobre teorias relacionadas

19/06/14 – Vale a pena entender o Exploitation e Exploration
05/10/14 – Teoria Contingencial é substrato aos Métodos Ágeis
08/10/14 – Voltando à Teoria do aprendizado organizacional
01/11/14- A práxis da teoria da capacidade de absorção
24/11/14 – Agile, capacidade absortiva e estratégia para a inovação
29/05/15 – CoP, Capacidade absortiva e desempenho organizacional
01/06/15 – Aprendizado vicário e auto-eficácia
09/08/15 – A aprendizagem significativa de Ausubel
15/10/15 – Poiesis, a arte da criação, da construção, do ser criativo

Desafio ToolBox 360°:

Agile Trends 2017 – Maior play test do Desafio ToolBox 360°
Lançamento Desafio ToolBox 360º no Agile Trends 2017

6ª e 7ª aula de GP na FACIN

Este ano foi injusto com quem ministra aulas nas sextas feiras, pois tivemos 2 feriados e uma greve geral, na qual a universidade teve a sensibilidade de não exigir presença e evitar provas ou trabalhos, posto que não haveriam ônibus, trens e o risco de movimentação urbana com bloqueios de ruas e eventual violência.

Mas após um mês sem aulas, retomamos com uma boa revisão da matéria, os grupos tiveram um tempo para relembrar seus projetos, que ainda estavam em fase de modelagem inicial das ideias. A seguir retomamos de onde paramos, de lá para cá foram duas aulas e a realização da primeira prova, com boa média.

05/05/17 – 6ª AULA DE GP

Na quinta aula tínhamos chegado até o Termo de abertura do grupo de processo de Iniciação, usando para isso o artefato de Project Model Canvas. Aqui seguimos com a apresentação dos nossos stakeholders, oportunidade para discutir empatia além da formalidade, não só quem é, mas o que sente e quer.

A abordagem da empatia, trazendo uma visão típica do Design Thinking é porque gerenciamento de projetos de software no século XXI é fazer certo a coisa certa, inicia desde o entendimento do problema, da necessidade e não da solução. Então personas, empathy canvas e value proposition canvas são sim técnicas de GP, ou seguiremos com as mesmas charges infames do século XX sobre a galera de TI:

No último slot da aula fiz uma provocação sobre a área de INTEGRAÇÃO e seus processos, sobre o Termo de abertura da aula passada, sobre o plano de gerenciamento de projetos, as características do gerenciamento de mudanças e ao final as lições aprendidas. Discutimos especialmente o Plano de Gerenciamento para que na próxima aula após a prova entrássemos direto em ESCOPO.

12/05/17 – P1 (PROVA)

Entre a sexta e a sétima aula, tivemos a P1, onde ocupei dois créditos com estudo em grupos de três e uma revisão geral da matéria – conceitos de portfólio, programa, projetos, sub-projetos, operações, tipos de estrutura organizacional, governança, PMO, os 5 grupos de processos do PMBOK, diferenças entre o GP tradicional e ágil, as 10 áreas de conhecimento/planejamento do PMBOK.

19/05/17 – 7ª AULA DE GP

A sétima aula foi muito pegada, pois após feriados, greve e prova, tínhamos muito o que fazer para colocarmos a pauta em dia. Em linhas gerais, discutimos alguns dos fundamentos mais importantes sobre planejamento de escopo:

  • desenho de processo
  • funcionalidades
  • categorias de requisitos
  • épicos e histórias
  • tarefas

O exercício realizado logo no início que começamos a discutir requisitos é o clássico planejamento de um churrasco da turma, quer no formato de uma jornada de usuário, com pacotes de trabalho e estrutura semelhante a uma WBS ou em rede. O exercício ajudou a acordar os alunos mais cansados em uma noite de sexta.

A aula foi bem prática, evoluímos bem no entendimento por cada grupo sobre as funcionalidades possíveis em cada um dos projetos, alguns discutindo a nível de requisitos, outros em épicos e histórias. A meta era um grande brainstorming para que na próxima aula tenhamos a WBS/User Story Mapping materializadas.

Faltando ainda uma hora e meia para o final, optei por um quebra gelo famoso por produzir muita adrenalina, conhecido como Kaa e Bagheera no escotismo ou Snakes como Team Building Games. Descemos do terceiro para o térreo, fiz um briefing sobre sistemas empurrados e puxados, organizei as filas, expliquei o objetivo, as regras e usei uma tira de papel de 50 cm x 15 cm como rabichos.

A adesão e empenho foi muito legal, todos voltaram à aula muito acordados e dispostos a mais uma hora para o braisntorming de escopo … a opção pelo jogo me fez postergar a dinâmica de pitchs e reconstrução, mas valeu a pena. Na próxima aula cada grupo/projeto terá 30 minutos para organizar seu escopo e apresentá-lo, permitindo que todos os outros cinco grupos possam questionar, sugerir, ajudar.

Durante a aula relembrei a charge das árvores sobre requisitos em um projeto, insisti na minha abordagem de profissionais de perfil T ou Pi, sobre nem só fazer errado a coisa certa, nem fazer certo a coisa errada, nossa meta é fazer certo a coisa certa. É entender o problema, para mapear alternativas e trabalhar a solução.

  • Pizzaria – O cliente liga e pede o tamanho, a massa, o recheio, a borda, não cabe à pizzaria ficar questionando se por acaso o pedido é inadequado, se vai sobrar, se alguém é alérgico, …
  • Médicos – O paciente não chega pedindo uma injeção de terramicina, é o médico que deve levantar dados o suficiente para diagnosticar e receitar a melhor medicação (ou não) para o momento.

Quem você é? O que você faz? Você ainda faz software como no século XX, quando o cliente dizia o diagnóstico e especificava o que queria ou você faz levantamentos, discute, levanta alternativas para só então trabalhar naquela que parece ser a melhor solução, mesmo assim receita e pede que o paciente volte dali a duas semanas após tomar a medicação para certificar-se de que esta certo?

Um bom Programa de Replicação pode surpreender você

Muitas empresas possuem um orçamento mínimo para eventos simplesmente porque não percebem ganhos reais no curto prazo. Usualmente temos três opções, podemos ficar reclamando, podemos nos acomodar ou então tentar juntar a galera e montar em conjunto uma proposta de participação com alto valor agregado à organização e a todos os envolvidos.

Eu defendo e implemento em empresas um programa que chamo de PROGRAMA DE REPLICAÇÃO. A pior coisa que pode acontecer é uma empresa mandar profissionais a eventos e o máximo que recebe em troca é um “estava muito bom!”. É obrigação moral do profissional e da empresa gerarem o máximo de valor a cada investimento em eventos, atingido somente se compartilhado entre todos.

1°) Planejamento é dinheiro

Muitas empresas não marcam presença nem em grandes ou mesmo pequenos eventos porque não se planejam, deixam tudo para a última hora, perdem as inscrições Early Birds, pagam taxas full de passagens e de hotel.

No início de cada semestre reúna a galera, mapeie os eventos possíveis, discutam quais os que agregam maior valor e porque, qual o custo e logística. Também é preciso ter um plano de participação, quem vai em qual evento e porque.

Lembre de incluir custo de viagem conforme localização, avião, ônibus, material, refeições, translados. Não seja simplista, faça um bom brainstorming, antecipar-se é igual a reduzir custos e é a diferença entre ir ou não ir.

Lembre de instigar na galera um bom Agile Subway Map, um bom mapa de competências, porque cada evento pode agregar de forma equilibrada no hoje e amanhã da empresa, equipes e profissionais … se todos tiverem um bom plano de carreira, de time e de competências essenciais da organização … todos ganham!

2°) Participe de verdade

Primeiro pense se você ou colegas possuem o que compartilhar em uma talk, lightning talk ou workshop, porque compartilhar é uma forma de aprender ainda mais e gera muita visibilidade para a empresa e para o palestrante.

Segundo, evite ir, asistir e voltar apenas, exija de você fazer o máximo de registros, fotos, anotações, pegue material e brindes, registre em vídeos. É inadmissível, inaceitável um profissional ir a um evento e voltar de mãos abanando.

3°) Replique o melhor

Comprometa-se com seus colegas e empresa, de forma que ao retornar possa realizar uma ou mais palestra relatando tudo o que de legal vistes por lá. Compartilhe tudo, desde networking, técnicas, bibliografia, agile games e tudo o mais … faça com quem não foi poder se sentir como se tivesse ido 🙂

Algumas empresas já praticam estes programas, porque se houver este acordo o custo x benefício de mandar profissionais é extremamente positivo. Os ganhos de programas desta natureza é benéfico para todos e garante crescimento e insights valorosos a todos e não só a quem foi, que muitas vezes gerava puro desperdício.

4°) Atrair, desenvolver e reter

As empresas criativas, inovadoras, ágeis, não só participam ativamente e geram muito valor em cada participação, como organizam e apoiam eventos. O custo destas iniciativas atraem a atenção de novos talentos, incentivam o desenvolvimento da sua galera e retém bons profissionais.

Curto muito aquela brincadeira em que um líder fala para outro: “Mas se nós enviarmos a galera para eventos e eles decidirem IR embora?”, enquanto o outro responde: “Mas se não mandarmos e não incentivarmos o crescimento, e eles decidirem NÃO ir embora?”.

O Deli Matsuo da Google e hoje da Appus disse uma coisa muito legal em uma palestra em 2012, mais ou menos assim – “Não queremos pessoas que queiram apenas se aposentar onde estão, queremos pessoas com sonhos e empenho em ir além, isso é um problema bom, porque enquanto estiverem ali farão muito além do esperado e se um dia crescerem tanto, é um problema bom, porque eles terão revolucionado onde estavam e mesmo se o perdermos para o mercado, deixará um legado de inovação, em fazer a diferença!”

eventos-2017

Dá uma olhada na minha página de eventos, tudo que fico sabendo vai pra lá, alguns eu organizo, como TTalks, outros ajudo a disseminar como os GU’s da SUCESU, vários deles eu submeto e participo e outros tantos eu curto. Pena, mas não dá para ir em todos – https://jorgekotickaudy.wordpress.com/agenda/

Fiz um post em 2012 sobre 12 princípios para começar a organizar pequenos eventos ágeis – https://jorgekotickaudy.wordpress.com/2012/11/01/doze-sugestoes-para-organizacao-de-eventos-ageis/

Opinião: A maioria das empresas e profissionais alimentam dia-a-dia a sua própria Alegoria da Caverna. Platão filosofou que não interagir com o “mundo exterior” nos faz ter um entendimento reduzido e míope do mundo, de quem somos e o que poderíamos ser. Investir na interação em GU’s e CoP’s, eventos e comunidades é a real execução, é Kaizen, é Gemba, porque senão é fácil dizer que somos bons em algo, mesmo não sendo nem “sombra” do que poderíamos ser …