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A pauta das meninas na TI inspira milhares de meninas e meninos de todas as áreas

Nos corredores do TDC POA do ano passado eu não resisti em tietar algumas das meninas mais influentes da nossa TI – Luana, Aline, Marcela, Desirée e Morvana. Metodologias ágeis, mundo maker, diferentes plataformas e tecnologias, onde cada uma sente-se a vontade para ir lá e fazer o seu melhor, aquilo que curte, que lhe faz bem, o que acaba sendo exemplo para jovens que querem fazer o mesmo … querem ser felizes fazendo aquilo que possuem talento de sobra para fazer.

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A TI nas últimas décadas transformou-se em um feudo masculino e nos últimos anos iniciou-se um movimento para mostrar para meninas que elas podem fazer a diferença, como já fizeram nos primórdios da área. Algumas das melhores profissionais que conheci em 30 anos de mercado eram meninas, analistas de sistemas, negócios e qualidade, desenvolvedoras, gerentes de projetos, etc, mesmo assim hoje ainda são minoria em empresas e equipes.

Acredito e já escrevi várias vezes sobre a força do exemplo, do espelho, de campos mórficos e da teoria da massa crítica. Quanto mais meninas despontarem em feudos onde poucas se aventuram, mais e mais desenvolverão empatia e quererão fazer o mesmo. A todos nós não cabe diferenciar, mas garantir ao máximo equidade, deixando assim que os esforços sejam recompensados.

A pauta deste post é a admiração que tenho por elas e o orgulho de conhecê-las, mas não se restringe à TI, minha cunhada é engenheira em grandes obras, minha filha está fazendo cinema, minha esposa é arquiteta e atua a 10 anos no universo Startup na Incubadora RAIAR. Não deveria ser surpresa se vou ser A, B ou C, pois cada um venho a este mundo com o desafio de descobrir onde e como mais agrega valor, ser exemplo e curtir a viagem.

No dia de hoje (21/03/2017), uma semana após a semana da mulher na TI, saiu a matéria abaixo sobre o espaço das meninas na TI. Sou professor universitário e ainda são algumas poucas a cada turma, muitas vezes intimidadas, rotuladas, com pérolas como “elas se dão melhor na área de testes” ou analistas de negócios. Em 30 anos de mercado já vi todo tipo de discriminação, assédios velados, contensão, e ainda vejo muito disso ainda.

Sobre a reportagem, a jovem, admirável e engajada Marcela Santos escreveu “Quem ta ali não é só a professora Marcela Santos, quem está ali é a a guria que quer fazer engenharia mas está com medo, a desenvolvedora que tem que colocar fone de ouvido pra não ficar ouvido piada sexista, é a gerente de projeto que ao ser incisiva em um assunto escuta um Deve estar de TPM, quem tá ali são todas as mulheres que me inspiram e que lutam essa luta comigo! LUGAR DE MULHER É ONDE ELA QUISER ESTAR!

Tenho uma filha de 19 anos e tenho um orgulho de lascar em ver meninas que dão o exemplo a ela e a outras de que é possível acreditar em ser e fazer do seu jeito. Na prática, não deveria fazer qualquer diferença o gênero, idade, credo, cor e tudo o mais para legitimar esforços para sermos nós mesmos. Lamentavelmente, o mundo não é assim, pelo contrário, há indução, imposição, discriminação e preconceito.

A alguns anos atrás, uma das melhores amigas de minha filha fez um desabafo no seu Face relatando o esgotamento e tristeza que sente em ter que aguentar assédio, insinuações, xingamentos, apenas por ser menina. Detalhe, quando ela fez o post era menor de idade, mas relatava a dificuldade em pegar ônibus, ter que escolher roupas conforme o local para não ser destratada, pois era constrangida e intimidada por homens adultos na rua e recintos.

No terceiro TecnoTalks de Janeiro deste ano discutimos a menina e sua relação com o mercado de trabalho, com frequência relações distorcidas por ações de chefes, colegas … homens. Nós criamos nossa pequena para ser o que ela quiser ser, sem induções em relação a tudo, ela é dona de si e da construção de seu futuro, mas a maioria dos pais “sem querer” ainda empurram meninos e meninas ao velho limbo, ele “audaz”, azul e “destemido”, elas “sensíveis”, rosas e “do lar”.

Todo o esforço destas meninas que são exemplo poderão gerar espelhamento em meninas que se inspirarão nelas, porém tudo isso é minimizado ou anulado se nós pais não passarmos a criar nossos filhos e filhas com maior equidade e liberdade. Cada criança vem com uma carga genética e potencialidades sem balizas, quem as coloca em uma caixa somos nós.

Na minha opinião a discussão sobre estes temas deveriam primordialmente focar principalmente na ação dos pais em gerar pessoas livres, para depois discutir empresas, hierarquia, psicopatias e tal. Esta luta é dos pais, das escolas, das empresas, do governo, é de todos – Não enquadre, pró crianças livres e criativas!

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A tempo, no dia seguinte a este post (22/03) com a arte-terapeuta Gislene Guimarães, tive o privilégio de contar com a presença das gurias da BPW Porto Alegre, uma instituição internacional que aproxima mulheres de negócios – executivas, gerentes, consultoras, empreendedoras, criativas, … que organizam eventos mensais na FNAC do Barra:

Para quem curtiu este post e não conhece as gurias e a BPW, ainda mais se for menina, fiquem ligadas – https://www.facebook.com/BPWPoA/

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Lei dos dois pés

Não interprete errado a lei dos dois pés, não é uma ameaça ou sugestão para desistir ou desperdiçar, ir embora, mas um ALERTA de que algo está acontecendo ali naquele momento e devemos aproveitar ao máximo:

Se você não está aprendendo, nem contribuindo, use seus dois pés e vá pra um lugar onde algo assim aconteça.

A primeira vez que li esta frase eu estava em Buenos Aires para o evento Ágiles Latino-america 2011, acima da porta das salas onde ocorriam os debates em Open Space havia uma placa grande bem legível com esta inscrição. Achei sensacional, provocativo e inspirador: entre na sala, arregace as mangas e aproveite o máximo.

Ao iniciar o semestre nas minhas disciplinas na faculdade de informática, sempre alerto à gurizada de que precisam desencanar com o mundo lá fora, que a noite deles de quinta ou sexta será comigo e que juntos podemos fazer funcionar. Até mesmo, porque o tempo passa mais depressa quando a gente está se divertindo.

Viver o momento

Buscar estar de corpo e mente presentes a cada momento é um desafio, mas antes ainda mais é uma questão de hábito. Muitas pessoas estão sempre insatisfeitas, sempre almejando algo fora de seu alcance por diferentes motivos, é preciso parar de sonhar acordado com o momento seguinte e viver o momento presente.

Refletindo o pensamento Lean, é um grande desperdício não aproveitar o agora, especialmente quando é inevitável, é preciso. De nada adianta estar em uma aula, reunião ou timeboxes do SCRUM e ficar distraído, não colaborando para seus resultados, de olho no celular ou simplesmente disperso em pensamentos.

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Inexiste forma mais esdrúxula de desperdiçar tempo do que isentar-se de vivê-lo, quer dizer, supondo que possa usar seus dois pés para ir para um lugar melhor e mais produtivo, ótimo, senão o mínimo que podemos fazer é aproveitar e fazer render ao máximo cada momento.

Motivação extrínseca x intrínseca

A motivação extrínseca origina-se em fatores externos a nós mesmos, como elogios e salários, de forma que possamos performar o necessário para sermos recompensados ou evitar sermos penalizados. O foco e o objetivo passa a ser a premiação ou evitar a punição, uma abordagem muito utilizada logo após a revolução industrial, sob a administração científica ou mecanicista.

A motivação intrínseca origina-se em fatores internos a nós mesmos, baseado em satisfação, carreira, crenças e valores. Desta forma, a recompensa pode ser um trabalho bem feito, um esforço constante com foco em resultados que podem não ser imediatos, como um mérito, promoção ou mesmo troca de empresa. Em sua essência, buscamos através dela nossa realização pessoal e profissional.

Qual é sua Motivação

No trabalho nossa motivação deve ser intrínseca, mas o que vejo com frequência é pessoas desmotivadas por motivos alheio a sua vontade e controle, normalmente que nada tem a ver com o momento e necessidade, algumas vão a reuniões e entram mudas e saem caladas, emburradas e tal.

Se motivação intrínseca é aprendizado, carreira, é fazer o nosso melhor, ficar negando ou sabotando a si mesmo enquanto sonega seu potencial é no mínimo perigoso, pois pode se acostumar a não se esforçar, ao invés de crescer passa a encolher, assumir uma zona de conforto que em nada lhe agrega.

Tenha um bom plano de carreira, mapeie seus gaps, planeje seu crescimento, a empresa, o emprego, o chefe e tudo o mais é passageiro se aproveitarmos ao máximo cada momento, aprendendo em cada situação, mantendo os olhos aberto, os ouvidos atentos e participando ativamente.

Não idealize nem improvise, conte com parceiros de viajem, mapeie sua matriz SWOT, sua Janela de Johari, seu Business Model You, seu mapa de CHA e vivências existente e necessárias. Assim como a Alice no país das maravilhas, é muito fácil desperdiçar seu tempo se não souber para onde ir, pois se não planejarmos, então qualquer resultado serve, mesmo a estática.

Pense bem, ou nos puxamos e somos reconhecidos, ou nos puxamos e ao não sermos reconhecidos pela empresa o mercado o fará. Quer dizer, se o chefe é ruim mostre valor, se o salário é ruim mostre valor, se está fazendo algo que não lhe agrada e quer mudar mostre valor, mas se não fizermos nada, nada vai acontecer!

Porque você é a média daqueles com quem mais interage …

É certo que todos nós temos ícones, referências, ídolos, são pessoas que você admira e pululam seu imaginário com passagens, ensinamentos, frases, artigos, etc. Eles possuem motivação humanista, religiosa, profissional, esportiva, social, política, normalmente relacionado a um aspecto relacionado a nossas vidas ou área de conhecimento e realizações de nosso interesse.

No trabalho, admiro muitas pessoas e consumo quase tudo que escrevem, acho que minhas maiores fontes são Nonaka e Takeushi (SECI, Ba, SCRUM, Estr Hipertexto, etc), alguns dos signatários do manifesto, mas tenho referências na psicologia, sociologia, ciências sociais. As vezes fico sabendo de algo legal e ao procurar acabo caindo nos mesmos mesmo sem querer.

Se ídolos e referências são importantes, imagina nossos gurus

Mas também temos nossos guias, bruxos, gurus, aqueles com quem interagimos e que de alguma forma nos desafiam a sermos hoje melhores que ontem, que nos instigam a querer ir além em nossas crenças, ideais e ideias. Tudo bem curtir Einstein, mas melhor ainda é ler sobre Einstein e curtir um ser vivo real e acessível a quem possa fazer uma pergunta, debater uma ideia, gerar empatia.

Acho engraçado quando alguém me diz que não tem ninguém perto que lhe seja exemplo a ser seguido. Se quer ser cientista da NASA, mesmo assim há mestres aqui no observatório da UFRGS, no clube de ciências da PUCRS, em projetos de engenharia, exemplos de dedicação, conhecimento, eu desconfio de quem só admira alguém que esteja a mais de 5 mil Km de distância … tenho pena deles!

O que digo para meus alunos e jovens com quem interajo é que fiquem ligados em suas referências próximas, interagindo com aqueles professores que admira, colegas com quem possua afinidade, aproximando-se de profissionais e pessoas que possuem seu respeito. No caso do ecossistema PUCRS-TecnoPUC, o difícil é escolher, no meu caso, não escolho, me aproximo de todos que me dão brecha.

Claro que tenho ícones a quem sigo em posts e artigos, leio seus livros, mas principalmente tenho muitos gurus, em sua maioria gaúchos ou radicados aqui. Admiração é uma palavra que não exprime a empatia e o desejo de aprender a cada interação, mesmo que tangencial. Assisti dezenas de eventos em que meus rumos alteraram pela proximidade a pessoas especiais naquele momento:

Luiz Cláudio Parzianello Aprendo a cada interação com ele sobre diferentes abordagens para discutir Business, estratégia, modelagem, sob um prisma Lean. Impossível eu fazer uma palestra ou treinamento sem citá-lo em frases que considero antológicas, como “Se cada um fizer a SUA parte, não vai dar certo!” de 2011 no segundo andar da Érico 400 e tantas outras;

Paulo Caroli Um dos seres humanos mais incríveis que já conheci, um exemplo a ser seguido como pessoa, pai, profissional e formador de opinião, o sigo desde 2011 e mesmo em uma troca de mensagens eu aprendo algo para minha vida. Minha atuação tem um contexto completamente diferente do da TW, mesmo assim, tento de alguma forma seguir seus ensinamentos;

Daniel Wildt Aprendi muito com ele em 2011, 2012 e 2013, devo muito do que sou hoje a aqueles anos em seus workshops, facilitações e exemplos, sempre pouco formais, muito lastreadas em empatia, firmaram-se como importante e poderoso aprendizado. Desde 2016 nos encontramos apenas em corredores de eventos, ele sempre com várias palestras de vários temas, como as +/- 10 no último TDC POA;

Rafael Prikladnicki Temos poucos pontos de contato, mas admiro e tento seguir alguns pontos que considero chave por serem aqueles em que menos invisto, uma visão holística focada em resultados, a aglutinação de pessoas e esforços em prol de projetos e valor declarado. Um líder institucional como meu irmão mais velho, talvez não por acaso muito próximos um do outro.

Eduardo Peres Passei a seguir em 2011 por ser um agilista realista e pragmático. Temos opiniões firmes sobre as coisas, as vezes só parcialmente convergentes no que mais interessa, o que acaba nos aproximando. Disse a ele que queria vir para a DB em Julho/2013, em 2014 me chamou para fazer o que faço – ajudar empresas a adotar Agile, energizar equipes e apoiar o uso de boas práticas.

Fabio Cruz  Em uma palestra que fiz em 2012 em SC conheci sua abordagem que SCRUM e PMBOK devem co-existir em grandes empresas. Desde então me vi prestando consultorias sob esta abordagem, na coexistência entre governança, escritórios de projetos e métodos ágeis. A solução não é abandonar tudo, menos ainda guilhotinar GP’s, mas agilizar e resignificar o que eles já tem de melhor.

Nesta estrada, li muitos posts e troquei várias mensagens e aprendizados do Abu Samra Rahal e seu blog desde 2009, o grande Vitor Massari pela vitalidade de quem dissemina por livros, cursos e vídeos sua abordagem de Agile e híbridos (nossas trend talks ganharam juntas o Troféu Luca Bastos no Agile Trends 2016), Alejandro Olchik é um daqueles caras que me influenciam indiretamente, interagimos relativamente pouco, mas sempre curto posts, approach e domínio.

Juntos somos mais

Tenho muitos gurus e bruxos, é um traço da minha personalidade, admiro quem possue empatia e compartilha, no TecnoTalks eu seria injusto se listasse alguém, pois a cada ano dezenas de pessoas especiais cruzaram meu caminho, se uniram para fazer grandes eventos, onde o conhecimento adquirido foi o ganho menos intenso em meio a tanto networking, energia, confidencias, sonhos e realizações.

Do trabalho, até hoje tenho grandes mentores e amigos, do tempo de ADP Brasil, no Grupo RBS, na DBServer e em tantos projetos de que participo, muitos nem tenho proximidade ou frequencia, mesmo assim é com grande prazer que nos encontramos esporadicamente, quando atualizamos notícias além daquelas que o Facebook facilita … sempre com um sorriso e boas energias.

Por ser gente como a gente e estarem tão próximos, de forma a permitir trocas em um café, almoço, durante um evento, as coisas mudam, as pessoas se mudam, trocam de empresa, cidade, estado e país. Nos afastamos, mas mantemos contatos pela rede, pelo menos acompanhando o que de legal acontece com cada um, mas a vida nos aproxima de outros e outros, a cada momento por semelhanças ou ideais.

Tenha parceiros de viagem, siga seus bruxos, assim nos desafiamos e sempre nos divertimos mais quando bem acompanhados. Só não faça isso por decreto ou interesse, não funciona, faça de coração, porque juntos somos mais.

Agile e democracia não é só a voz da maioria, é mais que isso

Agile tem muito a ver com experimentação e aprendizado, direto ou indireto, de forma que busquemos compreender o que aconteceu a cada ciclo, o que poderia ou deveria ter acontecido, estabelecendo um mindset de melhoria contínua. Com este fim, devemos buscar mais que “maioria”, que mesmo estabelecida, é preciso ouvir, mitigar ou potencializar desafios percebidos pelas minorias.

Não fosse assim, correríamos o risco da ditadura da maioria, acho que inexiste democracia ou agilidade se não houver um senso de corpo que nos mova a sempre tentar entender o outro, gerar empatia, buscar sinergia. Para tanto, além de conhecer a maioria, também é preciso entender e respeitar a minoria. A pena pode ser desperdício, negar a inovação, a disrupção.

Todos nós somos dados a crenças e ideais, ao compreendermos algo como útil, gerador de valor para o atingimento de nossos objetivos, tentamos utilizá-lo de forma melhor possível … tem muito a ver com o que o psicólogo Albert Bandura chamou de Aprendizado Vicariante, desde crianças repetimos aquilo que percebemos como bom e positivo para nós ou a quem queremos bem.

Por isso, lastreamos decisões e ações a nossos princípios, que agem em nossa vida de forma cumulativa e complementar desde a infância, por auto-preservação, bem ao próximo, religião, muitos são escoteiros, praticantes de artes marciais, conheço uma galera que é agilista. A soma disso tudo faz com que assumamos um papel colaborativo, que nos define enquanto seres sociais.

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Após entender isso é que agilidade começa a fazer sentido, porque a simples maioria pode ser tão perniciosa ou pior que comando-controle. Por isso os frameworks baseados em Lean iniciam pelo conceito de empatia, derrubando feudos, construindo um senso ampliado de time, liberdade e responsabilidade. É preciso relevar prós e contras, assumir riscos, convergir é mais que decidir!

No berço da democracia, Sócrates e Platão falaram sobre a Tirania da Maioria (oclocracia). Em agilidade, o conceito por trás de um senso ampliado de time, é investir e valorizar o protagonismo de todos. Todo e qualquer grupo humano possui formadores de opinião, que exercem algum tipo de liderança, cabe ao conjunto auto-conhecer-se e gerar decisões, executá-las, discuti-las e aprender.

Ter direito a opinião e feedback, valorizar a argumentação, buscar tomar decisões conscientes, não só pela maioria ou por conveniência, mas por estratégia. Se queremos gerar valor, é preciso ter a responsabilidade de entender seu contexto, que pode e é normal que mude a cada ciclo, a cada entrega, tomada de decisão, time to market, ROI, sustentabilidade, … fosse fácil, todo mundo já faria!

Agilidade é um grande desafio a todos os envolvidos, todos precisam mudar a forma como se relacionam – o cliente tem que participar de fato, o time deve se auto-organizar, as lideranças tem que se reinventar, praticar devops para gerar melhores resultados, todos em conjunto devem gerar mais valor, … tudo isso é mais que imposição ou maioria, porque maioria é a mesma Zona de Conforto!

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Último post de férias – A Nova Economia não é colaborativa nem sustentável

Na falsa globalização promovida pelos formadores de opinião, se por um lado gera pequenas bolhas de inovação e sucesso, esbarram em uma economia arcaica, com muita burocracia, jeitinhos e barreiras. No geral, mundo afora, a Nova Economia nada tem de colaborativa, é para os grandes, está mais para engôdo oportunista, marketeira para a maioria. Você pode dizer que alguns dão certo, sim, alguns sempre deram certo, desde o tempo de Roma.

Há anos posto sobre a grande variedade de gurus, eventos colaborativos, sustentáveis, a cada novo player que entra no rentável mercado de inovação macunaíma trazendo no portfólio mais do mesmo por um custo acessível, afinal, fizeram um curso na sede da IDEO. Gosto de repetir o mantra do Lord Becket – “É só um bom negócio!” que percebeu que queremos e pagamos por “mágica”, como bons brasileiros gostamos de receitas prontas em inglês, sem discutir ou entender.

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No Brasil e países de terceiro mundo, a inovação, empreendedorismo e economia colaborativa virou um grande negócio com muita buzzword e factóides, com pouco diferencial econômico e social. Inovação no Brasil gera muitos prêmios nacionais e internacionais, notícias e 15 minutos de fama. Tem muita gente ganhando com visitas ao Vale do Silício, cursos e eventos chancelados, mas com muito pouco resultado na bagagem, quer em produto, serviço ou patentes.

Estamos falando de muito dinheiro público (e algum privado), muito financiamento, isenções e projetos nas páginas de jornal. Sempre alerto aos jovens para tomarem cuidado com a máquina de purpurina e moagem do universo de inovação brasileiro, porque ao deixar se levar, vai parar nas páginas de jornais, revistas, palestras, eventos, para após alguns anos cair na real, cilada.

Tem muita gente ganhando dinheiro, criando modelos de aceleração, incubação, mentoria, coach, tem muitos espaços coloridos e divertidos para se fotografar, cursos variados de “auto-ajuda” dizendo que você é o máximo, com purpurina, holofotes, microfones. Isso até incentiva, mas precisamos estar atentos a cada passo, sonhar nessa seara é sinônimo de trabalho duro correndo contra o tempo.

Cases sintomáticos da Nova Economia

A nova economia colaborativa globalizada mundial é mais do mesmo com uma roupagem brilhante e conectada, nosso objetivo deveria ser trabalhar duro para tirar algum proveito ao invés de se deixar levar e entregar o ouro sem resistência. Pior que sem resistência é não ter opinião, é repetir pseudos-mantras, como crianças após assistir uma propaganda ou novo programa de TV.

Relato #1 – A China utilizou todo seu parque fabril, lastreado em um mercado altamente regulado pelo governo e carência absoluta de leis trabalhistas, para ganhar de assalto o mercado mundial de produção de bens. Há décadas a opção Chinesa de matriz semi-escravagista reduz custos de produção e gera uma chino-dependência ocidental, comprometendo mercados, empresas e trabalhadores.

Relato #2 – No mestrado discutimos empreendedorismo através do caso de uma rede de supermercados que entrou em um pequeno país asiático e rapidamente espalhou-se, atraindo clientes que antes se utilizavam de uma cultura baseada em pequenos mercadinhos de quadra, como na frança. Este case de sucesso acabou por decretar o fechamento de centenas de pequenos negócios familiares.

Relato #3 – Serviços incensados baseados em intermediação como o Uber aproveita lacunas e defasagem sociais, gerando remuneração sem contrapartida real além do uso por conveniência de aplicativos de integração de serviços. Um mau negócio para o motorista (-25%) que está desempregado e precisa, mas uma redução de custo para o cliente que está a merce de cartéis, máfias e corrupção.

Relato #4 – Há uma profusão de sites e apps que se (auto)promovem à economia colaborativa mundial, sempre intermediando pessoas que com frequência estão ao seu lado, mas por preguiça, desconfiança, segurança, legitimidade, etc, preferimos ficar em casa e pagar uma justa taxa de X% como comissão a alguém que está do outro lado do mundo que percebeu “seus” motivadores para o bem “dele”.

Relato #5 – A maioria muito pouco participa ou ajuda instituições sérias, mas postam no Face a ida no McDia Feliz, sabem que não é saudável, mas levam os filhos e amiguinhos para fazer o que a propaganda diz ser bom. Isso é um exemplo sintomático da nova economia colaborativa mundial, você precisa gastar dinheiro com o McDonalds para ajudar a instituição que fica a 1Km de sua casa.

Conclusão

A Nova Economia mundial, colaborativa e compartilhada ainda é uma grande mentira que só faz concentrar ainda mais a riqueza e benefícios baseada em premissas de igualdade e globalização que não existem. É como comparar a Black Friday em países de primeiro mundo e aqui nos trópicos, é comparar as propostas e postura do Shark Tank americano e brasileiro, é comparar os mecanismos de legitimidade, legalidade e resultados da política lá e cá.

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O que está acontecendo desde a virada do século, na prática, é a criação de uma névoa por formadores de opinião que se beneficiam tanto financeiramente quanto institucionalmente em fazer muito barulho, como tudo o mais no Brasil, desde o Eike Batista aos indicadores nacionais, mentiras sociais ou de inovação.

Quem diz e ganha para ajudar preocupa-se mais com a visibilidade e com os aportes, enquanto isso, muitas oportunidades e carreiras são postergadas ou jogadas fora em meio a purpurina, boas ideias são desperdiçadas, há muita preocupação com a forma e pouca com o resultado, é preciso acordar, para não desperdiçar anos … não se iluda, alguém vai ganhar na sua perda, fique ligado!

Use o sistema e deixe-se usar SOB CONTROLE, sempre atento à realidade que o cerca, um olho no gato e outro no peixe, para trabalhar de forma a contornar, mitigar e seguir em frente, cercar-se de pessoas que possuem o mesmo objetivo. A economia colaborativa está a seu entorno, são pessoas, mentes criativas, colaborativas, comunidades de prática, … não terceirize o que você vai pensar, tenha parceiros e planos, MAS SEMPRE PENSE POR VOCÊ MESMO!

ROI, você está calculando isso errado!

Desculpa ai, mas talvez você esteja calculando ROI errado. Evite usar uma visão restrita a resultados de curtíssimo prazo, não entre no lugar comum de avaliar o ROI apenas contra custos imediatos do projeto, o ônus posterior decorrente da ausência de domínio, qualidade, boa arquitetura, automação, não é acaso do destino, ele foi gerado conscientemente ou fruto do descaso. Softwares são ativos ou passivos, temos dezenas ou centenas deles em uma empresa, que gerarão um grande desperdício para mantê-los ou não.

Na década de 70 do século XX a relevância com os custos recorrentes e o valor agregado por um software já estava embutido nas Leis de Lehman, após 40 anos esta relação ficou ainda mais clara e racional. Se você demorou 6 meses para construir um produto que vai ser usado por 10 anos, é enganação calcular ROI apenas se atendo ao resultado dos 6 meses. Cada linha desnecessária ou de baixa qualidade gera sobre-custos e antecipa sua obsolescência, rasgando dinheiro na forma de mais e mais investimento, equipe, alocação, incidentes, insegurança.

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O racional de muitas empresas é produzir, quanto mais melhor, se depois gastar o dobro para manter e o triplo para refazer antes do previsto é outra história, o que importa é “seu projeto concluir com aparente sucesso”, “merecer parabéns e uma promoção por ter entregue” … quase ninguém considera ou reflete sobre débito técnico e qualidade-desperdício, no contraste entre o valor real e aparente.

A tempo, importante diferenciar CAPEX (CAPital EXpenditure) relativo a investimento e OPEX (OPerational EXpenditure) relativo a despesas operacionais, muitas empresas acabam dando especial atenção ao investimento para aquisição ou construção (temporário) em detrimento ao custo continuado (recorrente), que poderia ter sido amplamente mitigado, evitado ou melhor planejado.

Princípios e métodos ágeis, iterativo-incrementais-articulados, design thinking, devops, kanban, melhoria contínua, tantos fundamentos e argumentos são utilizados e o maior deles que é o desperdício em uma análise de ROI é muitas vezes esquecido. Como evitar? Lean Business Analysis, Métodos ágeis em projetos Scrum, Kanban para gestão de fluxo, XP para engenharia de software, qualidade e automação, sem esquecer DevOps, etc.

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1. Falta de boas práticas ágeis – Elicitação, modelagem, planejamento e execução colaborativas. O quanto não antecipamos riscos e oportunidades, validando e adaptando desde antes de construir, mitigando desperdícios?

2. Transição eterna – você inclui no cálculo de ROI daquele projeto que foi um “sucesso”, a necessidade de uma equipe de atendimento rápido para corrigir ou ajustar problemas em produção … que poderia ter sido evitado ou reduzido?

3. Retrabalho – Você calcula o tempo de vida do produto construído versus o custo de ter que refazer partes ou todo a cada tanto porque inviabiliza mantê-lo devido a tantos remendos pela falta de boas práticas de engenharia de software?

4. Não automação – Pesa no cálculo de ROI a falta de testes automatizados, inexistência de testes de regressão, de boas práticas de aceitação que pesarão contra a sua usabilidade, integridade e imagem futura junto ao mercado e clientes?

5. Insustentável – Você inclui no ROI o ônus de ter dito que a equipe virou semanas sem dormir gerando código feito sob pressão, stressados, cansados e com foco apenas na data, em entregar a qualquer custo (com baixa qualidade)?

6. Inutilidades funcionais – Você inclui no ROI o custo de ter feito requisitos e dados inúteis, que só tornaram o produto mais complexo e inchado, onerando sua evolução, escalabilidade e manutenção?

7. Insatisfação – Você inclui no ROI o turnover e seus desperdícios em eternamente estar treinando novos integrantes, porque acha que isso faz parte e não precisa de um programa de atração e retenção de talentos?

8. Hardware proprietário – Você inclui no ROI o custo de ter silos e feudos, um pedaço na cabeça de cada integrante e área, sem sinergia, investindo só em capital individual, pontos únicos de falha, na síndrome do super-herói?

Não tem mágica, precisamos atrair, valorizar e reter talentos, usar métodos ágeis, boas práticas em engenharia de software, investir no coletivo e senso de pertença, testes automatizados, code review, … Qualidade não é não ter bugs, é construir certo na medida certa, com uma empresa e equipe engajadas e conscientes, porque neste contexto a palavra sustentabilidade ganha outra dimensão e profundidade.

De toda forma, tem cada vez menos Baby Boomers enviando currículos e cada vez mais Millenials, talvez em breve possa faltar talentos querendo trabalhar para empresas que continuem dependentes de workaholics, peças fundamentais para manter códigos “eternamente legados”, onde ninguém assume a responsabilidade pelo futuro, mas ganha méritos por ter apagado mais um incêndio.

 

Post de férias – Estamos perdendo uma geração de talentos

O Brasil sempre foi terreno fértil para exportação de talentos, levas de brasileiros descontentes com a vida na republiqueta Macunaíma migram de bom grado para gerar riquezas mundo afora. Nas últimas décadas isso se transformou em êxodo.

Nos últimos anos, enquanto a política e economia brasileira degradam mais e mais, milhares de jovens talentosos migraram atrás de uma vida melhor, oferecendo seu intelecto e ideias a empresas no Canadá, Austrália, UE, EUA, Asia.

Fluxos migratórios fazem parte da saga humana, mas enquanto países de primeiro mundo possuem planos de atração, o Brasil não tem sequer a dignidade de ter um plano de retenção de talentos, estamos definhando intelectualmente por inépcia política, cidades sem segurança, saúde precária, educação ridícula.

“O gigante não está adormecido, ele está em coma induzido pela sua casta política e lideranças sanguessugas!”

Programas seletivos de migração

O Canadá e Oceania são ícones nesta atração … há décadas estão de braços abertos, atraindo profissionais em áreas de interesse a contribuírem em troca de fixarem residência em uma sociedade mais estável e crescente ao invés de uma insegura e imprevisível como a brasileira.

Meus sobrinhos estão radicados na Inglaterra e Alemanha, minha filha já passou meio ano na Europa e retornou só porque não tem dupla cidadania, postergando sua migração para depois de formada. Na minha timeline no Face, dezenas de amigos mundo afora, em 2016 o que mais atraiu é a Irlanda, Dublin.

Enquanto isso, aqui temos falta de segurança, burocracia, corrupção, uma política 100% contaminada onde a direita e a esquerda só querem encher a guaiaca e quanto mais perdermos gente que pensa melhor. É mais fácil “liderar” e roubar ignorantes … Quanto pior melhor, porque assim mais eles desviam dinheiro.

Sistema de patentes

O sistema de patentes surgiu com o intuito de assegurar ao inventor a exploração de seu invento, exploração ou concessão, desde meados do século XV na Itália. O conceito assegura investimentos em invenções – Thomas Edison registrou 2.332, Henry Ford 161, a Kodak vendeu por meio bilhão 1100 de suas patentes.

Em 2012 a Organização Mundial de Propriedade Intelectual apontou o Brasil como penúltimo país em escritórios de patentes. Os EUA com mais de 2 milhões de patentes, o Japão mais de 1 milhão, o Brasil em penúltimo lugar. Me pergunto, quantos brasileiros em empresas e equipes que geram patentes lá fora?

A seguir um mapa de volumes da produção científica mundial (link):mapa-mundo-artigos-cientificos-838x419

No Brasil, todo o sistema é corrompido, é cada um por si tentando tocar o barco, a não ser que a comissão seja polpuda, porque daí é possível ver extrema “direita” e “esquerda” macunaímas juntos no guichê para receber em cash. Quem diz que isso é igual em qualquer lugar do mundo é porque é cego, envolvido ou acomodado.

Nova Economia

A globalização intensificou muito o processo de concentração intelectual e econômica, se por um lado qualquer pessoa pode competir pelo mercado mundial a partir de um link com a internet, é mais intenso e profundo no 1° mundo, protagonizado por pessoas do mundo inteiro que para lá são atraídos.

Se o primeiro mundo sempre esteve a frente na geração de riquezas, a nova economia potencializou sua penetração. Como as incensadas soluções globais como airBnB e Uber, entre outras, intermediários de serviços locais. Eu pago R$20 para usar um serviço “do” UBER, dirigido por um autônomo gaúcho em um carro de sua propriedade, que envia R$5 para o UBER.

Antigamente o primeiro mundo tinha que abrir filiais, construir fábricas, investir em escritórios, contratar, etc … na nova economia isso absolutamente não é mais necessário, um App e alguns advogados são suficientes para usar a desagregação absoluta de países com políticas autofágicas, falta de projetos sociais sérios, ausência completa de protagonismo comunitário … é dinheiro fácil!

Conclusão

Eu sempre imaginei uma economia colaborativa, baseada em relações mais abertas, sustentável em toda a amplitude de seu significado, mas o século XXI vem mostrando que a Nova Economia possui efeitos colaterais decorrentes do enorme desequilíbrio sócio-político-econômico mundial que só tem intensificado as diferenças nacionais. Se há ganhos periféricos, tangenciais, eles mascaram a migração cada vez maior de recursos e intelectos, um e outro se retroalimentando.

O Brasil não só está perdendo grande parte de uma geração talentosa por seus desmandos, corrupção e caos social, como esta ajudando a gerar patentes e riquezas do outro lado do planeta, mantendo um ciclo vicioso secular que começou com o pau-brasil e que a falta de habilidade política só faz aumentar.