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Lei dos dois pés

Não interprete errado a lei dos dois pés, não é uma ameaça ou sugestão para desistir ou desperdiçar, ir embora, mas um ALERTA de que algo está acontecendo ali naquele momento e devemos aproveitar ao máximo:

Se você não está aprendendo, nem contribuindo, use seus dois pés e vá pra um lugar onde algo assim aconteça.

A primeira vez que li esta frase eu estava em Buenos Aires para o evento Ágiles Latino-america 2011, acima da porta das salas onde ocorriam os debates em Open Space havia uma placa grande bem legível com esta inscrição. Achei sensacional, provocativo e inspirador: entre na sala, arregace as mangas e aproveite o máximo.

Ao iniciar o semestre nas minhas disciplinas na faculdade de informática, sempre alerto à gurizada de que precisam desencanar com o mundo lá fora, que a noite deles de quinta ou sexta será comigo e que juntos podemos fazer funcionar. Até mesmo, porque o tempo passa mais depressa quando a gente está se divertindo.

Viver o momento

Buscar estar de corpo e mente presentes a cada momento é um desafio, mas antes ainda mais é uma questão de hábito. Muitas pessoas estão sempre insatisfeitas, sempre almejando algo fora de seu alcance por diferentes motivos, é preciso parar de sonhar acordado com o momento seguinte e viver o momento presente.

Refletindo o pensamento Lean, é um grande desperdício não aproveitar o agora, especialmente quando é inevitável, é preciso. De nada adianta estar em uma aula, reunião ou timeboxes do SCRUM e ficar distraído, não colaborando para seus resultados, de olho no celular ou simplesmente disperso em pensamentos.

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Inexiste forma mais esdrúxula de desperdiçar tempo do que isentar-se de vivê-lo, quer dizer, supondo que possa usar seus dois pés para ir para um lugar melhor e mais produtivo, ótimo, senão o mínimo que podemos fazer é aproveitar e fazer render ao máximo cada momento.

Motivação extrínseca x intrínseca

A motivação extrínseca origina-se em fatores externos a nós mesmos, como elogios e salários, de forma que possamos performar o necessário para sermos recompensados ou evitar sermos penalizados. O foco e o objetivo passa a ser a premiação ou evitar a punição, uma abordagem muito utilizada logo após a revolução industrial, sob a administração científica ou mecanicista.

A motivação intrínseca origina-se em fatores internos a nós mesmos, baseado em satisfação, carreira, crenças e valores. Desta forma, a recompensa pode ser um trabalho bem feito, um esforço constante com foco em resultados que podem não ser imediatos, como um mérito, promoção ou mesmo troca de empresa. Em sua essência, buscamos através dela nossa realização pessoal e profissional.

Qual é sua Motivação

No trabalho nossa motivação deve ser intrínseca, mas o que vejo com frequência é pessoas desmotivadas por motivos alheio a sua vontade e controle, normalmente que nada tem a ver com o momento e necessidade, algumas vão a reuniões e entram mudas e saem caladas, emburradas e tal.

Se motivação intrínseca é aprendizado, carreira, é fazer o nosso melhor, ficar negando ou sabotando a si mesmo enquanto sonega seu potencial é no mínimo perigoso, pois pode se acostumar a não se esforçar, ao invés de crescer passa a encolher, assumir uma zona de conforto que em nada lhe agrega.

Tenha um bom plano de carreira, mapeie seus gaps, planeje seu crescimento, a empresa, o emprego, o chefe e tudo o mais é passageiro se aproveitarmos ao máximo cada momento, aprendendo em cada situação, mantendo os olhos aberto, os ouvidos atentos e participando ativamente.

Não idealize nem improvise, conte com parceiros de viajem, mapeie sua matriz SWOT, sua Janela de Johari, seu Business Model You, seu mapa de CHA e vivências existente e necessárias. Assim como a Alice no país das maravilhas, é muito fácil desperdiçar seu tempo se não souber para onde ir, pois se não planejarmos, então qualquer resultado serve, mesmo a estática.

Pense bem, ou nos puxamos e somos reconhecidos, ou nos puxamos e ao não sermos reconhecidos pela empresa o mercado o fará. Quer dizer, se o chefe é ruim mostre valor, se o salário é ruim mostre valor, se está fazendo algo que não lhe agrada e quer mudar mostre valor, mas se não fizermos nada, nada vai acontecer!

Duas horas falando sobre Agile Transformation

Mais um bom papo com o pessoal de SP, profissionais de grandes empresas que compareceram no Impact Hub Pinheiros para falar sobre Agile Transformation. A primeira parte tem do início até o Coffee, com muito conteúdo:

A segunda parte tem menos de uma hora, do Coffee até o fim:

Muita interação, uma galera super interessada, um grande prazer ter podido estar mais uma vez em SanPa em meio a gente tão querida, desta vez na nova sede da DB, no Impact Hub Pinheiros, mas a talk foi em frente em uma galeria de arte.

A seguir colei todas as telas da apresentação e na sequência também compartilho um vídeo mostrando o Impact Hub Pinheiros, que em breve terá na área externas food truck, espaço tipo Arena e muito mais. A tempo, porque o fundo de cena do Scooby? Porque Agile Transformation é um grande mistério a ser desvendado, mas tem um porção de assombrações, o monstro de piche e o mineiro 🙂



Fiz um vídeo com a proposta do Impact Hub Pinheiros … é curtinho:

Até a próxima \o/

Savana Scrum – uma tira sobre brainstorming e fishbowl

Minha filha é ilustradora e faz o curso de cinema, propus a ela criar personagens para algumas tirinhas sobre técnicas e boas práticas ágeis. Assim, com o que ela sabe sobre agilidade em participações de alguns eventos meus e de conversar comigo ela criou o SAVANA SCRUM.

Serão personagens com personalidade e que aos poucos serão apresentados por ela, tem Scrum Master, Product Owner, tem equipe, cliente, devops e toda a galera, o primeiro eu pedi para ela ilustrar ao mesmo tempo um debate com votação dos tópicos mais relevantes, o uso de quadro kanban para fluxo e debate em fishbowl.

Sempre que ela tiver um tempinho livre na Wacom, entre tarefas e estudos acadêmicos, lazer e ilustrações como o meu livro de jogos e agora um livro de histórias infantis para uma prima da Marinês, radicada em Salvador.

Após os vários grupos fazerem seu brainstorming e criarem os agrupamento de temas escolhidos, os mais lembrados ficam no topo do quadro kanban que será usado para nortear o debate, que será em formato fishbowl.

A técnica de debate em grandes grupos se utiliza de cinco cadeiras, sempre quatro ocupadas e uma disponível, assim que iniciado, sempre que alguém da platéia sentar na cadeira livre, um dos ocupantes das outras quatro que se sentir menos participativo naquele momento levanta-se e libera a sua cadeira para o próximo.

O uso das cadeiras e participação em fishbowl é um ótimo exercício de auto-organização, cabe ao facilitador apoiar os debatedores no fluxo dos temas combinados, chamar a atenção para quando o debate esfria ou esquenta demais, a troca de temas e oportunidades que surgem em prol de valor em comum acordo.

Se você curtiu, comenta aqui, porque eu quero muito que a Luisinha se pilhe a fazer muitas destas tirinhas, mas preciso mostrar para ela que tem mais gente que curte. Se quiser compartilhar, curtir, mas o que tem mais valor é um comentário de incentivo … vou mostrar cada comentário para ela, essa trip vai ser muito legal!

Qualidade é grátis! – Philip Bayard Crosby

Assim como já fiz posts sobre Deming e Juran, estava devendo um sobre Crosby, apenas para registro aqui no blog, porque curto muito tentar entender os norteadores que aos poucos nos levaram ao que somos hoje. Entretanto, ao contrário de Deming e Juran, protagonistas na revolução protagonizada pela Toyota no Japão, Crosby atuou no mercado americano a partir da década de 50.

Foi um filósofo e destacado consultor americano, Philip Crosby desenvolveu conceitos práticos para definir, gerenciar e comunicar qualidade em processos fabris. É dele o livro “Quality is free” de 1979 e a partir de sua influência nesta área criou uma consultoria que chegou a atender a metade das maiores empresas americanas na década de 80.

Assim como Juran ou Deming, partia da premissa de que pensar qualidade como controle e correção era sinônimo de desperdício, pois a prevenção e o esforço em fazer certo e construir com qualidade desde o início é o desafio a ser atingido. Este post não faz juízo de valor, ele foi um ícone sobre cultura de qualidade.

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Mais que isso, de forma ímpar, ele defendia que este modelo mental focado na responsabilidade e engajamento de todos em fazer o seu melhor desde o início é uma responsabilidade primaz dos gestores. Um programa de qualidade é o resultado de uma política e estratégia organizacional, ela não pode ser resumida a pressão e esforço em técnicas para busca e solução de erros.

A seguir minha interpretação sobre sua abordagem dos anos 80, relacionado ao custo da qualidade e a busca pela excelência na construção com “Zero Defeito“:

1. Gestão – Qualidade começa pelo entendimento e comprometimento da gestão, também com a criação de políticas e substrato alinhados a este conceito;
2. Melhoria contínua – Uma equipe multidisciplinar composta por todas as áreas envolvidas devem reunir-se e focar em melhorar a qualidade;
3. Métricas – Devem existir métricas auto-gerenciadas pelas próprias equipes envolvidas, que devem pensar em prevenção;
4. Prioridade – Devemos estar atentos a priorização das ações em relação ao custo da qualidade, naquelas de maior e melhor retorno de valor;
5. Disseminação – É imprescindível que qualidade seja fruto da disseminação entre todos os envolvidos, que devem discutir e entender estes motivos;
6. Solução – A discussão sobre os problemas não deve focar em responsabilizar ou bonificar, mas sistematizar a percepção, antecipação de melhorias;
7. Zero Defeitos – Estabelecer um programa de gestão do conhecimento da qualidade transversalmente a toda a organização para produção com qualidade;
8. Capacitar – Saber ter bons profissionais nas posições adequadas, preparando-os para que façam um bom trabalho e cresçam como profissionais;
9. Dia Zero Defeitos – Promoção recorrente do conceito, políticas, programas;
10. Metas – É preciso estabelecer metas e desafios de curto, médio e longo prazos;
11. Remoção – As equipes devem reportar as causas que impeçam o seu trabalho ter mais qualidade;
12. Valorização – Ele não defendia bônus, mas reconhecimento e valorização;
13. Revisões – Realizar reuniões de acompanhamento
14. Reciclar – Uma cultura de qualidade se dá pela repetição e renovação, estabelecer um programa exige esforço contínuo, quer de seus comitês, participantes, técnicas, precisa manter-se vivo em todos os envolvidos.

Livro “Qualidade é Grátis!”

O livro é um marco nos conceitos de gestão da qualidade, além de suas convicções, curiosamente propôs um assessment, mais ou menos como abaixo descrito, que deveria ser respondido [Sim|Não] em relação a empresa, área ou trabalho:

1. Qualidade é uma medida de resultado do produto, que pode ser definido como bom ou excelente?
2. A economia da qualidade exige que a administração estabeleça níveis de qualidade aceitáveis como padrões de desempenho?
3. O custo da qualidade é a despesa em fazer coisas erradas?
4. A inspeção e o teste devem reportar-se à fabricação para que a fabricação possa ter as ferramentas adequadas para fazer o trabalho?
5. A qualidade é da responsabilidade do departamento de qualidade?
6. As atitudes dos trabalhadores são a principal causa de defeitos?
7. Tenho gráficos de tendências que me mostram os níveis de rejeição em cada operação chave?
8. Eu tenho uma lista dos dez maiores problemas de qualidade?
9. Zero defeitos é um programa de motivação do trabalhador?
10. O maior problema hoje é que os clientes não compreendem?

As respostas esperadas por ele: 1N 2N 3S 4N 5N 6N 7S 8N 9N 10N

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Agile e democracia não é só a voz da maioria, é mais que isso

Agile tem muito a ver com experimentação e aprendizado, direto ou indireto, de forma que busquemos compreender o que aconteceu a cada ciclo, o que poderia ou deveria ter acontecido, estabelecendo um mindset de melhoria contínua. Com este fim, devemos buscar mais que “maioria”, que mesmo estabelecida, é preciso ouvir, mitigar ou potencializar desafios percebidos pelas minorias.

Não fosse assim, correríamos o risco da ditadura da maioria, acho que inexiste democracia ou agilidade se não houver um senso de corpo que nos mova a sempre tentar entender o outro, gerar empatia, buscar sinergia. Para tanto, além de conhecer a maioria, também é preciso entender e respeitar a minoria. A pena pode ser desperdício, negar a inovação, a disrupção.

Todos nós somos dados a crenças e ideais, ao compreendermos algo como útil, gerador de valor para o atingimento de nossos objetivos, tentamos utilizá-lo de forma melhor possível … tem muito a ver com o que o psicólogo Albert Bandura chamou de Aprendizado Vicariante, desde crianças repetimos aquilo que percebemos como bom e positivo para nós ou a quem queremos bem.

Por isso, lastreamos decisões e ações a nossos princípios, que agem em nossa vida de forma cumulativa e complementar desde a infância, por auto-preservação, bem ao próximo, religião, muitos são escoteiros, praticantes de artes marciais, conheço uma galera que é agilista. A soma disso tudo faz com que assumamos um papel colaborativo, que nos define enquanto seres sociais.

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Após entender isso é que agilidade começa a fazer sentido, porque a simples maioria pode ser tão perniciosa ou pior que comando-controle. Por isso os frameworks baseados em Lean iniciam pelo conceito de empatia, derrubando feudos, construindo um senso ampliado de time, liberdade e responsabilidade. É preciso relevar prós e contras, assumir riscos, convergir é mais que decidir!

No berço da democracia, Sócrates e Platão falaram sobre a Tirania da Maioria (oclocracia). Em agilidade, o conceito por trás de um senso ampliado de time, é investir e valorizar o protagonismo de todos. Todo e qualquer grupo humano possui formadores de opinião, que exercem algum tipo de liderança, cabe ao conjunto auto-conhecer-se e gerar decisões, executá-las, discuti-las e aprender.

Ter direito a opinião e feedback, valorizar a argumentação, buscar tomar decisões conscientes, não só pela maioria ou por conveniência, mas por estratégia. Se queremos gerar valor, é preciso ter a responsabilidade de entender seu contexto, que pode e é normal que mude a cada ciclo, a cada entrega, tomada de decisão, time to market, ROI, sustentabilidade, … fosse fácil, todo mundo já faria!

Agilidade é um grande desafio a todos os envolvidos, todos precisam mudar a forma como se relacionam – o cliente tem que participar de fato, o time deve se auto-organizar, as lideranças tem que se reinventar, praticar devops para gerar melhores resultados, todos em conjunto devem gerar mais valor, … tudo isso é mais que imposição ou maioria, porque maioria é a mesma Zona de Conforto!

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TTalks – Keep Calm and Listen to the Scrum Master

A Luisa Audy foi ao Canal esta noite para ilustrar o evento, imagens que compartilho a seguir em três momentos, o da definição dos principais temas, mais desejados, a combinação da técnica Fishbowl e o debate propriamente dito.

Iniciamos do lado de fora do Canal Café, em pequenos grupos discutiu-se quais os temas mais relevantes a serem discutidos, para em seguida agrupar e estabelecer uma lista e escala de prioridades para  a noite. Estávamos em mais de 30 pessoas, os grupos para sugestão de temas foram de 3 a 6 pessoas, na medida em que iam discutindo, foram colando os postits, agrupando e assim definiram-se os temas:

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A técnica fishbowl para debates em grandes grupos é bem simples e eficiente ao que se propõe, foram cinco cadeiras a frente, quatro iniciaram ocupadas por quem dispôs-se a iniciar o debate pelo primeiro tópico (Papel e atuação do SM). Na medida em que alguém queria também perguntar, responder, argumentar, qualquer um podia sentar-se na quinta cadeira, mas ao sentar-se, um dos quatro que ali já estavam precisa levantar, mantendo uma cadeira das cinco livres:

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Iniciamos pelo tema do próprio papel e atuação do SM. Discutiu-se muito sobre alçada e envolvimento, o que diz o Scrum Guide, Curva de Tuckman, sobre o modelo de Fluência Ágil do James Shore, as diferentes maturidades de um time, ágil auto-organizado, conflitos ou não com os muitos e variados papéis existentes em empresas de médio-grande porte, como PMO, GP, Gestores e Lideranças. Este foi o tópico mais pegado e ocupou metade do tempo do evento …

Um tema apaixonante, que não tem respostas categóricas, pois o momento de adoção, piloto, rollout, mudança cultural, o quanto cada um dos profissionais envolvidos direta ou indiretamente podem ou não ter entendido os princípios ágeis e o modelo mental proposto mais que métodos e técnicas. Discutiu-se muito as dificuldades relativas a empresas, gestores ou líderes que ainda não se adaptaram ou não acreditam na mudança.

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O segundo tema começou já eram 20:30 e pautou a questão da mudança, da maturidade, transição, … discutimos sobre estratégias de mudança, de adoção, de rollout, sobre a dedicação do Scrum Master, retornamos a questões sobre atuação, dedicação e viabilidade. Tangenciamos perfis de empresas e profissionais, idealizações e vida real, métodos híbridos e timing para aculturação.

A primeira metade do debate eu gravei com a ajuda da Alice, mas minha bateria acabou e eu me envolvi mais no debate da segunda metade do evento, então fiquei devendo … para amanhã vou tentar ficar mais na logística e cobrir todo o evento. Hoje eu fui disposto a não entrar no debate, mas o tema é bom demais para ficar de fora, ao natural tem muito tempero e pimenta, por isso é tão relevante:

Para o evento sobre o papel de PO de amanhã foram sugeridas algumas melhorias, como provocar a sugestão de temas pela galera já desde hoje na página do evento no Facebook, definir slots de tempo de 10 minutos para check de troca para o próximo tema, permitir que a galera interaja com perguntas ou provocações sem a necessidade de entrar para uma das cadeiras do fishbowl.

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No final da noite tirei uma foto oficial, uma pena que quando percebi alguns já tinham saído, mas deu tempo de pegar a maioria. Muita gente querida e engajada, váááários Ttalkers de carteirinha. Tinha profissionais de várias empresas, muitas do parque e outras tantas de fora. Amanhã tem mais Açaí com morango e granola, para depois rolar um super debate mais pelo aspecto de PO, escopo, User Stories, ROI, senso de time, senso de pertença, e muitos outros etc 🙂

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Incremento fundamental ao Business Model You

No último TecnoTalks tivemos três dias de debate sobre planejamento de carreiras, no transcorrer desta pequena maratona com ampla cobertura via Face Live e posts, tive um insight sobre o fundo de cena para construção de um Business Model You. É só pegar uma folha A3 e usar na vertical ou uma A2.

É preciso esclarecer algumas coisas para nós mesmos, na maioria das vezes é a primeira vez que materializamos três informações fundamentais para um bom planejamento – Porque não elencar a essência de nossos Sonhos para o futuro, o CHA que possuímos como trunfo e Bruxos em quem nos inspiramos.

Se preferir um warmup de aquecimento, use SWOT (Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças) ou Johari (como você se vê e como o mundo vê você) ou sua matriz de CHAx5 para alinhar sua auto-imagem com seus conhecimentos.  Mas a proposta de incremento ao canvas conforme abaixo é exatamente para aquecer nossas sinapses e facilitar o mapeamento.

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Antes de começar, aqueça sua sinapses, contextualize sonhos, CHA e bruxos:

  • Sonhos, onde você quer estar daqui a 2,5 anos, 5 e 10. Quais seus planos, desejos mais profundos. Diga em postits os seus sonhos para o futuro, da esquerda para a direita como uma linha de tempo;
  • É importante colocar aqueles postits de CHA que lhe destacam, quer em conhecimento, habilidades, atitudes, know-how ou expertise, quanti ou qualitativamente, suas competências essenciais;
  • Quem lhe inspira e porque, em quem se espelha, com quem você deveria interagir mais, presencial ou remotamente. Exponha junto o porque, quais características tornam eles seus bruxo.

De posse destas informações é possível auto-conhecer-se melhor, depois destas reflexões sobre sonhos, armas e espelho futuro, fica mais fácil desenhar onde queremos trabalhar, qual valor agregar, canais, relacionamento e tudo o mais. Lembre que os postits são mais relevantes quanto mais para cima (vertical) e mais para a esquerda (horizontal):

Cliente – Qual a empresa que está na sua alça de mira? Onde quer trabalhar? pode ser a atual ou outra, se preferir pode ser o segmento, mas eu recomendo materializar, empresa, depto, cargo, assumir que é preciso escolher de forma realista. Assim é possível correr atrás, marcar um almoço com alguém de lá, conhecer melhor, entender e trabalhar para estar apto a se candidatar;

Valor – Qual o valor que o diferencia, especialmente para chegar onde quer chegar, porque aquela empresa dos sonhos te contrataria para aquele cargo dos sonhos? Qual o valor que ela busca e quais você oferece. Seja realista, use cores e celos para o que é desejo ou é fato. Assim fica mais fácil validar esta necessidade para criar planos de ação, qualificação, cursos, eventos, certificações, etc;

Canais – Como aquela empresa, que busca aquele valor, chega em você? Como você se candidata, como anda sua página no LinkedIn, busque recomendações, ilustre com projetos, sucessos e aprendizados. Se você não fizer nada claro para que esta contratação aconteça, como imagina que vai acontecer? Carreira diz respeito a esforço pessoal, mesmo usando de networking ou sorte, é pessoal;

Relacionamento – Como você interage com o mercado, como se expõe para mostrar que você é o cara, como compartilha seus conhecimentos, como adquiri novos, como garante um crescimento constante de seu networking. Aliás, só crescer o networking é pouco, ele precisa ser ativo, interativo, mantenha ele vivo, mesmo quando não precisa dele, senão quando precisar não vai ter;

Matriz de receita – Como, quando, quanto, … Parece desnecessário, mas seus sonhos, planos pessoais, desejos, possuem um custo que precisará ser quitado recorrentemente. Não deixe a vida lhe levar, planeje-se, sonhe, porque assim é mais provável que manterá no radar suas decisões e engajamento;

Recursos – Quais recursos necessita para que seus planos se potencializem e viabilizem-se, levando em conta valor e custo x benefício, pode haver aqui diferentes recursos físicos, móveis ou imóveis, produtos ou serviços;

Atividades – Como atividades chave temos aquele planejamento de ações que não podes deixar de realizar periodicamente, como estudo, eventos, interação, cursos, língua estrangeira, ativação de seu networking, entre outras tantas;

Parceiros – Afinal, quem são seus parceiros de viagem, quer por semelhanças, por esforço, por objetivos comuns, por vínculos, por apoio em qualquer direção, com quem voc~e pode contar, quer pessoa física ou jurídica. Networking é a chave, o uso interessado e responsável, dirigido, é o caminho!

Matriz de custos – Pelos mesmos motivos da matriz de receita, seus recursos tendem a ser finitos e é importante saber quais são as prioridades, quais estão ativos, quais aguardando, ao materializar fica mais fácil administrar.

Como toda mudança, de início é bom manter exposta para que você a veja, tempo suficiente para ser internalizada, depois o usual é fotografar, talvez digitalizar … o mais importante não é o Canvas, mas o auto-conhecimento e planejamento que ele proporciona \o/