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A pauta das meninas na TI inspira milhares de meninas e meninos de todas as áreas

Nos corredores do TDC POA do ano passado eu não resisti em tietar algumas das meninas mais influentes da nossa TI – Luana, Aline, Marcela, Desirée e Morvana. Metodologias ágeis, mundo maker, diferentes plataformas e tecnologias, onde cada uma sente-se a vontade para ir lá e fazer o seu melhor, aquilo que curte, que lhe faz bem, o que acaba sendo exemplo para jovens que querem fazer o mesmo … querem ser felizes fazendo aquilo que possuem talento de sobra para fazer.

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A TI nas últimas décadas transformou-se em um feudo masculino e nos últimos anos iniciou-se um movimento para mostrar para meninas que elas podem fazer a diferença, como já fizeram nos primórdios da área. Algumas das melhores profissionais que conheci em 30 anos de mercado eram meninas, analistas de sistemas, negócios e qualidade, desenvolvedoras, gerentes de projetos, etc, mesmo assim hoje ainda são minoria em empresas e equipes.

Acredito e já escrevi várias vezes sobre a força do exemplo, do espelho, de campos mórficos e da teoria da massa crítica. Quanto mais meninas despontarem em feudos onde poucas se aventuram, mais e mais desenvolverão empatia e quererão fazer o mesmo. A todos nós não cabe diferenciar, mas garantir ao máximo equidade, deixando assim que os esforços sejam recompensados.

A pauta deste post é a admiração que tenho por elas e o orgulho de conhecê-las, mas não se restringe à TI, minha cunhada é engenheira em grandes obras, minha filha está fazendo cinema, minha esposa é arquiteta e atua a 10 anos no universo Startup na Incubadora RAIAR. Não deveria ser surpresa se vou ser A, B ou C, pois cada um venho a este mundo com o desafio de descobrir onde e como mais agrega valor, ser exemplo e curtir a viagem.

No dia de hoje (21/03/2017), uma semana após a semana da mulher na TI, saiu a matéria abaixo sobre o espaço das meninas na TI. Sou professor universitário e ainda são algumas poucas a cada turma, muitas vezes intimidadas, rotuladas, com pérolas como “elas se dão melhor na área de testes” ou analistas de negócios. Em 30 anos de mercado já vi todo tipo de discriminação, assédios velados, contensão, e ainda vejo muito disso ainda.

Sobre a reportagem, a jovem, admirável e engajada Marcela Santos escreveu “Quem ta ali não é só a professora Marcela Santos, quem está ali é a a guria que quer fazer engenharia mas está com medo, a desenvolvedora que tem que colocar fone de ouvido pra não ficar ouvido piada sexista, é a gerente de projeto que ao ser incisiva em um assunto escuta um Deve estar de TPM, quem tá ali são todas as mulheres que me inspiram e que lutam essa luta comigo! LUGAR DE MULHER É ONDE ELA QUISER ESTAR!

Tenho uma filha de 19 anos e tenho um orgulho de lascar em ver meninas que dão o exemplo a ela e a outras de que é possível acreditar em ser e fazer do seu jeito. Na prática, não deveria fazer qualquer diferença o gênero, idade, credo, cor e tudo o mais para legitimar esforços para sermos nós mesmos. Lamentavelmente, o mundo não é assim, pelo contrário, há indução, imposição, discriminação e preconceito.

A alguns anos atrás, uma das melhores amigas de minha filha fez um desabafo no seu Face relatando o esgotamento e tristeza que sente em ter que aguentar assédio, insinuações, xingamentos, apenas por ser menina. Detalhe, quando ela fez o post era menor de idade, mas relatava a dificuldade em pegar ônibus, ter que escolher roupas conforme o local para não ser destratada, pois era constrangida e intimidada por homens adultos na rua e recintos.

No terceiro TecnoTalks de Janeiro deste ano discutimos a menina e sua relação com o mercado de trabalho, com frequência relações distorcidas por ações de chefes, colegas … homens. Nós criamos nossa pequena para ser o que ela quiser ser, sem induções em relação a tudo, ela é dona de si e da construção de seu futuro, mas a maioria dos pais “sem querer” ainda empurram meninos e meninas ao velho limbo, ele “audaz”, azul e “destemido”, elas “sensíveis”, rosas e “do lar”.

Todo o esforço destas meninas que são exemplo poderão gerar espelhamento em meninas que se inspirarão nelas, porém tudo isso é minimizado ou anulado se nós pais não passarmos a criar nossos filhos e filhas com maior equidade e liberdade. Cada criança vem com uma carga genética e potencialidades sem balizas, quem as coloca em uma caixa somos nós.

Na minha opinião a discussão sobre estes temas deveriam primordialmente focar principalmente na ação dos pais em gerar pessoas livres, para depois discutir empresas, hierarquia, psicopatias e tal. Esta luta é dos pais, das escolas, das empresas, do governo, é de todos – Não enquadre, pró crianças livres e criativas!

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A tempo, no dia seguinte a este post (22/03) com a arte-terapeuta Gislene Guimarães, tive o privilégio de contar com a presença das gurias da BPW Porto Alegre, uma instituição internacional que aproxima mulheres de negócios – executivas, gerentes, consultoras, empreendedoras, criativas, … que organizam eventos mensais na FNAC do Barra:

Para quem curtiu este post e não conhece as gurias e a BPW, ainda mais se for menina, fiquem ligadas – https://www.facebook.com/BPWPoA/

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Duas horas falando sobre Agile Transformation

Mais um bom papo com o pessoal de SP, profissionais de grandes empresas que compareceram no Impact Hub Pinheiros para falar sobre Agile Transformation. A primeira parte tem do início até o Coffee, com muito conteúdo:

A segunda parte tem menos de uma hora, do Coffee até o fim:

Muita interação, uma galera super interessada, um grande prazer ter podido estar mais uma vez em SanPa em meio a gente tão querida, desta vez na nova sede da DB, no Impact Hub Pinheiros, mas a talk foi em frente em uma galeria de arte.

A seguir colei todas as telas da apresentação e na sequência também compartilho um vídeo mostrando o Impact Hub Pinheiros, que em breve terá na área externas food truck, espaço tipo Arena e muito mais. A tempo, porque o fundo de cena do Scooby? Porque Agile Transformation é um grande mistério a ser desvendado, mas tem um porção de assombrações, o monstro de piche e o mineiro 🙂



Fiz um vídeo com a proposta do Impact Hub Pinheiros … é curtinho:

Até a próxima \o/

Agile e democracia não é só a voz da maioria, é mais que isso

Agile tem muito a ver com experimentação e aprendizado, direto ou indireto, de forma que busquemos compreender o que aconteceu a cada ciclo, o que poderia ou deveria ter acontecido, estabelecendo um mindset de melhoria contínua. Com este fim, devemos buscar mais que “maioria”, que mesmo estabelecida, é preciso ouvir, mitigar ou potencializar desafios percebidos pelas minorias.

Não fosse assim, correríamos o risco da ditadura da maioria, acho que inexiste democracia ou agilidade se não houver um senso de corpo que nos mova a sempre tentar entender o outro, gerar empatia, buscar sinergia. Para tanto, além de conhecer a maioria, também é preciso entender e respeitar a minoria. A pena pode ser desperdício, negar a inovação, a disrupção.

Todos nós somos dados a crenças e ideais, ao compreendermos algo como útil, gerador de valor para o atingimento de nossos objetivos, tentamos utilizá-lo de forma melhor possível … tem muito a ver com o que o psicólogo Albert Bandura chamou de Aprendizado Vicariante, desde crianças repetimos aquilo que percebemos como bom e positivo para nós ou a quem queremos bem.

Por isso, lastreamos decisões e ações a nossos princípios, que agem em nossa vida de forma cumulativa e complementar desde a infância, por auto-preservação, bem ao próximo, religião, muitos são escoteiros, praticantes de artes marciais, conheço uma galera que é agilista. A soma disso tudo faz com que assumamos um papel colaborativo, que nos define enquanto seres sociais.

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Após entender isso é que agilidade começa a fazer sentido, porque a simples maioria pode ser tão perniciosa ou pior que comando-controle. Por isso os frameworks baseados em Lean iniciam pelo conceito de empatia, derrubando feudos, construindo um senso ampliado de time, liberdade e responsabilidade. É preciso relevar prós e contras, assumir riscos, convergir é mais que decidir!

No berço da democracia, Sócrates e Platão falaram sobre a Tirania da Maioria (oclocracia). Em agilidade, o conceito por trás de um senso ampliado de time, é investir e valorizar o protagonismo de todos. Todo e qualquer grupo humano possui formadores de opinião, que exercem algum tipo de liderança, cabe ao conjunto auto-conhecer-se e gerar decisões, executá-las, discuti-las e aprender.

Ter direito a opinião e feedback, valorizar a argumentação, buscar tomar decisões conscientes, não só pela maioria ou por conveniência, mas por estratégia. Se queremos gerar valor, é preciso ter a responsabilidade de entender seu contexto, que pode e é normal que mude a cada ciclo, a cada entrega, tomada de decisão, time to market, ROI, sustentabilidade, … fosse fácil, todo mundo já faria!

Agilidade é um grande desafio a todos os envolvidos, todos precisam mudar a forma como se relacionam – o cliente tem que participar de fato, o time deve se auto-organizar, as lideranças tem que se reinventar, praticar devops para gerar melhores resultados, todos em conjunto devem gerar mais valor, … tudo isso é mais que imposição ou maioria, porque maioria é a mesma Zona de Conforto!

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ROI, você está calculando isso errado!

Desculpa ai, mas talvez você esteja calculando ROI errado. Evite usar uma visão restrita a resultados de curtíssimo prazo, não entre no lugar comum de avaliar o ROI apenas contra custos imediatos do projeto, o ônus posterior decorrente da ausência de domínio, qualidade, boa arquitetura, automação, não é acaso do destino, ele foi gerado conscientemente ou fruto do descaso. Softwares são ativos ou passivos, temos dezenas ou centenas deles em uma empresa, que gerarão um grande desperdício para mantê-los ou não.

Na década de 70 do século XX a relevância com os custos recorrentes e o valor agregado por um software já estava embutido nas Leis de Lehman, após 40 anos esta relação ficou ainda mais clara e racional. Se você demorou 6 meses para construir um produto que vai ser usado por 10 anos, é enganação calcular ROI apenas se atendo ao resultado dos 6 meses. Cada linha desnecessária ou de baixa qualidade gera sobre-custos e antecipa sua obsolescência, rasgando dinheiro na forma de mais e mais investimento, equipe, alocação, incidentes, insegurança.

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O racional de muitas empresas é produzir, quanto mais melhor, se depois gastar o dobro para manter e o triplo para refazer antes do previsto é outra história, o que importa é “seu projeto concluir com aparente sucesso”, “merecer parabéns e uma promoção por ter entregue” … quase ninguém considera ou reflete sobre débito técnico e qualidade-desperdício, no contraste entre o valor real e aparente.

A tempo, importante diferenciar CAPEX (CAPital EXpenditure) relativo a investimento e OPEX (OPerational EXpenditure) relativo a despesas operacionais, muitas empresas acabam dando especial atenção ao investimento para aquisição ou construção (temporário) em detrimento ao custo continuado (recorrente), que poderia ter sido amplamente mitigado, evitado ou melhor planejado.

Princípios e métodos ágeis, iterativo-incrementais-articulados, design thinking, devops, kanban, melhoria contínua, tantos fundamentos e argumentos são utilizados e o maior deles que é o desperdício em uma análise de ROI é muitas vezes esquecido. Como evitar? Lean Business Analysis, Métodos ágeis em projetos Scrum, Kanban para gestão de fluxo, XP para engenharia de software, qualidade e automação, sem esquecer DevOps, etc.

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1. Falta de boas práticas ágeis – Elicitação, modelagem, planejamento e execução colaborativas. O quanto não antecipamos riscos e oportunidades, validando e adaptando desde antes de construir, mitigando desperdícios?

2. Transição eterna – você inclui no cálculo de ROI daquele projeto que foi um “sucesso”, a necessidade de uma equipe de atendimento rápido para corrigir ou ajustar problemas em produção … que poderia ter sido evitado ou reduzido?

3. Retrabalho – Você calcula o tempo de vida do produto construído versus o custo de ter que refazer partes ou todo a cada tanto porque inviabiliza mantê-lo devido a tantos remendos pela falta de boas práticas de engenharia de software?

4. Não automação – Pesa no cálculo de ROI a falta de testes automatizados, inexistência de testes de regressão, de boas práticas de aceitação que pesarão contra a sua usabilidade, integridade e imagem futura junto ao mercado e clientes?

5. Insustentável – Você inclui no ROI o ônus de ter dito que a equipe virou semanas sem dormir gerando código feito sob pressão, stressados, cansados e com foco apenas na data, em entregar a qualquer custo (com baixa qualidade)?

6. Inutilidades funcionais – Você inclui no ROI o custo de ter feito requisitos e dados inúteis, que só tornaram o produto mais complexo e inchado, onerando sua evolução, escalabilidade e manutenção?

7. Insatisfação – Você inclui no ROI o turnover e seus desperdícios em eternamente estar treinando novos integrantes, porque acha que isso faz parte e não precisa de um programa de atração e retenção de talentos?

8. Hardware proprietário – Você inclui no ROI o custo de ter silos e feudos, um pedaço na cabeça de cada integrante e área, sem sinergia, investindo só em capital individual, pontos únicos de falha, na síndrome do super-herói?

Não tem mágica, precisamos atrair, valorizar e reter talentos, usar métodos ágeis, boas práticas em engenharia de software, investir no coletivo e senso de pertença, testes automatizados, code review, … Qualidade não é não ter bugs, é construir certo na medida certa, com uma empresa e equipe engajadas e conscientes, porque neste contexto a palavra sustentabilidade ganha outra dimensão e profundidade.

De toda forma, tem cada vez menos Baby Boomers enviando currículos e cada vez mais Millenials, talvez em breve possa faltar talentos querendo trabalhar para empresas que continuem dependentes de workaholics, peças fundamentais para manter códigos “eternamente legados”, onde ninguém assume a responsabilidade pelo futuro, mas ganha méritos por ter apagado mais um incêndio.

 

Primeira ação comunitária 2017 é Volta as Aulas

Já estou recebendo doações de amigos que queiram participar com material escolar, primeira ação comunitária do ano terá mutirão no dia 11/03 para montar os kits (todos são bem-vindos) e no dia 12/03 vamos todos de ônibus cedido pela CoNorte levar e entregar a 100 crianças carentes na Escola Alvarenga Peixoto da Ilha Grande dos Marinheiros.

O foco principal das ações são as crianças da Ilha Grande dos Marinheiros – Volta as aulas, Páscoa, Inverno, Dia da Criança e Natal:

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Não é uma ONG formal, não recebe recursos nem do governo nem de empresas, não mexe com dinheiro. O nome diz tudo, a cada ano a Amigos Anjos realiza pelo menos 5 grandes ações, beneficiando as crianças e famílias da Ilha Grande dos Marinheiros, as vezes Ilha do Pavão, algumas casas de passagem e indígenas.

Cada evento é organizado pela Cacau e o nome “Amigos Anjos” diz tudo, somos apenas um grupo de amigos que tentam ativar seu networking e força de vontade a favor das crianças da periferia menos privilegiada, sempre contando com cedência de ônibus e caminhão para transportar a galera e as doações. As vezes uma empresa ou indústria doa a quantidade integral de um dos ítens.

#1 – Fevereiro – Volta as Aulas – Primeira ação do ano é sempre a do Material Escolar e qualquer doação é bem-vinda, cadernos, canetinhas e lápis, apontador e borracha, hidrocôr, régua, tempera e giz, no ano passado uma empresa doou as mochilinhas, mas pastas e mochilas sempre são importantes.
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#2 – Abril – Ação de Páscoa – É uma ação com o objetivo de oferecer à criançada uma festa que ofereça a todas elas um kit com achocolatado, biscoitos, chocolate e algumas guloseimas. Este ano pensamos em um esforço extra para recolher escovinhas de dentes e pasta para fazer uma oficina de higiene bucal.
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#3 – Junho – Ação de Inverno – É nossa campanha do agasalho, período do ano em que há uma grande doação de roupas, agasalhos e cobertas para os pequenos e suas famílias quando da chegada do inverno. Há um cadastro das famílias e as doações já respeitam tamanho e quantidades por família.
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#4 – Outubro – Dia da Criança – É um dia de festa contando com um lanche bem gostoso, cachorro-quente e bebida, além de um presentinho para cada criança, que fazem fila desde cedo para entrar na sede da associação e participar. Houveram 2 anos que aplicamos jogos escoteiros para divertir a meninada.
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#5 – Dezembro – Natal – No final de cada ano acontece a ação mais abrangente, pois são recolhidas mais de uma tonelada em alimentos não o perecíveis e montados mini-ranchos, focados também para a ceia de Natal, além de muitos brinquedos usados e novos distribuídos pelo papai-noel  :o)
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Nosso objetivo não é assistencialismo, é integração e diversão, um trabalho continuado junto as crianças e jovens, conversando, mostrando boas ações, valorizando os estudos e a escola, a família e a fraternidade. Mesmo em uma realidade dura, manter a esperança e um pouco de alegria!

Sempre tem brincadeiras, diversão, quando possível tem um lanche, maquiagem, jogos, as vezes é na associação junto ao galpão de reciclagem, as vezes na escola junto a BR290 quase sob a ponte, houveram anos em que foi na faixa porque a ilha estava inundada. Toda doação é bem-vinda!

PMBOK e Agile – Quem mexeu no meu queijo?

O lançamento da 6ª edição do guia PMBOK entrará para a história como um marco, pois traduziu uma postura eclética imposta pelo mercado e profissionais contra o Taboo de que gerenciamento de projetos é uma coisa e métodos ágeis para gerenciamento de projetos, como SCRUM, são outra.

Vaticínio: “Em alguns anos ninguém vai perguntar se você é PMBOK ou Agile, eles vão perguntar se você gerencia bem seus projetos, se há desperdício ou sinergia na geração de valor às partes!”

Reflita comigo, o PMI foi criado em 1969, apenas quinze anos depois começaram a pipocar práticas, técnicas e métodos chamados inicialmente de lightwave, batizados de Ágeis em 2001. O artigo seminal do SCRUM foi “The new new product development game” de T&N na Harward Business Review em 1986.

Na minha visão, um grande acelerador desta quebra de barreiras com certeza foi o lançamento dos conceitos de Pace Layered e TI-Bi Modal pelo Gartner, que desde então acelerou a inserção de métodos e práticas ágeis nas grandes empresas e corporações, antes dominadas por processos hierarquizados e preditivos.

Meta: “Atrair e reter talentos, com empatia e sinergia, gerando valor em equidade, de forma que empresa, fornecedor e cliente, tanto quanto seus integrantes, cresçam e melhorem continuamente!”

Convergindo à isso, no início deste século era difícil imaginar grandes eventos do PMI com grandes palestras sobre Agile, mas no início dos anos 10 deste século passei a ver grandes agilistas passarem a frequentar os grandes eventos do PMI, bem como grandes nomes do PMI começarem a se aproximar da comunidade ágil.

Acredito que muito em breve deixará de existir o monopólio dos GP’s ditos tradicionais versus Agilistas, isto ao mesmo tempo é inspirador e curioso, porque estamos falando de cifras na faixa dos bilhões de dólares em cursos oficiais (PMBOK, Scrum Alliance, Scrum Org, etc), certificações e consultorias.

Aos que acreditam que sua metodologia ou processo é sagrado, quase uma religião onde os “outros” ou mudanças no seu Be-a-Ba são profanos, muito em breve terão que mudar suas posturas e atitudes. Haverá sempre espaço para os xiitas, mas o futuro organizacional será iterativo-incremental-articulado, evolutivo, adaptativo.

Foco: “Sentar-se a mesa em uma organização, antecipar e promover mudanças no sentido certo é mais importante que a intensidade e profundidade! Se não pode mudar tudo, faça algo, fazer nada não é opção!”

Muitas empresas e profissionais já perceberam que “mexeram no queijo delas“, negar iniciativas de experimentação de técnicas em qualquer escala é negar os benefícios que eles trazem às pessoas e empresas. Eu acredito que dado o primeiro passo, percebido os primeiros ganhos, a tendência é dar o próximo, um a um.

Quem mexeu no meu queijo?

Em Setembro de 1998 Spencer Johnson lançou o livro “Quem mexeu no meu queijo?” – uma parábola sobre adaptar-se às mudança, pela história de quatro personagens pequeninos acomodados ou pró-ativos em relação ao seu estoque de queijo. Um best seller que discutiu acomodação, adaptação e antecipação.

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Lembra um pouco o conceito de exploration x exploitation, escancarando os principais motivos pelo qual muitas empresas líderes de um mercado em determinado momento, faliram após anos comendo queijo, acomodados na sua liderança, vendo o queijo acabar pouco a pouco e não fazendo nada.

Momento: “Vivemos uma era de inovações, oportunidades em meio a crises continentais, profissionais Millenials, revoluções tecnológicas sem precedentes. Pequenas startups com um link concorrendo com corporações!”

Muitos profissionais, assim como empresas, se utilizam de técnicas obsoletas para tentar perpetuar-se de forma sintética, em busca de sobrevida ao seu negócio, mas não trabalhando para reinventar-se, encontrar o próximo estoque de “queijo”, preferem tentar impor, reclamar, culpar, apenas postergando o inevitável.

Especialmente em períodos de crise, a experimentação voluntária ou pressionada na procura de métodos, técnicas e boas práticas que gerem antecipação, pertença e melhores resultados é benéfico a todos, empresa e profissionais. Conquistado os primeiros ganhos, a tendência é retrospectivas trazerem ao natural os próximos.

Defendo que mesmo a empresa não acreditando, se uma equipe praticar o que está ao seu alcance, como daily e ciclos com retrospectivas, só isto já gerará ganhos na redução do stress, aumento da auto-organização, melhorias dos resultados. Se isso for verdade, ao natural quererão experimentar mais e mais.

Bem-vinda a edição 6, a considero um marco em um processo irreversível de convergência metodológica que defendo a anos nos meus posts. Compartilho a seguir um link da PMTECH, um artigo do Mauro Sotille sobre o que muda na edição 6, com um parágrafo em especial sobre “queijos” ágeis:

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Teço elogios a iniciativa da TI-BiModal do Gartner neste mesmo sentido, de quebrar o gelo, abrir estradas, porque muitas vezes o mais difícil é dar o primeiro passo, perder o medo. Acredito muito em uma frase do Juan Bernabó, keynote no Agile Brazil de 2016 – “Esperemos que as retrospectivas façam seu trabalho!”

Incremento fundamental ao Business Model You

No último TecnoTalks tivemos três dias de debate sobre planejamento de carreiras, no transcorrer desta pequena maratona com ampla cobertura via Face Live e posts, tive um insight sobre o fundo de cena para construção de um Business Model You. É só pegar uma folha A3 e usar na vertical ou uma A2.

É preciso esclarecer algumas coisas para nós mesmos, na maioria das vezes é a primeira vez que materializamos três informações fundamentais para um bom planejamento – Porque não elencar a essência de nossos Sonhos para o futuro, o CHA que possuímos como trunfo e Bruxos em quem nos inspiramos.

Se preferir um warmup de aquecimento, use SWOT (Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças) ou Johari (como você se vê e como o mundo vê você) ou sua matriz de CHAx5 para alinhar sua auto-imagem com seus conhecimentos.  Mas a proposta de incremento ao canvas conforme abaixo é exatamente para aquecer nossas sinapses e facilitar o mapeamento.

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Antes de começar, aqueça sua sinapses, contextualize sonhos, CHA e bruxos:

  • Sonhos, onde você quer estar daqui a 2,5 anos, 5 e 10. Quais seus planos, desejos mais profundos. Diga em postits os seus sonhos para o futuro, da esquerda para a direita como uma linha de tempo;
  • É importante colocar aqueles postits de CHA que lhe destacam, quer em conhecimento, habilidades, atitudes, know-how ou expertise, quanti ou qualitativamente, suas competências essenciais;
  • Quem lhe inspira e porque, em quem se espelha, com quem você deveria interagir mais, presencial ou remotamente. Exponha junto o porque, quais características tornam eles seus bruxo.

De posse destas informações é possível auto-conhecer-se melhor, depois destas reflexões sobre sonhos, armas e espelho futuro, fica mais fácil desenhar onde queremos trabalhar, qual valor agregar, canais, relacionamento e tudo o mais. Lembre que os postits são mais relevantes quanto mais para cima (vertical) e mais para a esquerda (horizontal):

Cliente – Qual a empresa que está na sua alça de mira? Onde quer trabalhar? pode ser a atual ou outra, se preferir pode ser o segmento, mas eu recomendo materializar, empresa, depto, cargo, assumir que é preciso escolher de forma realista. Assim é possível correr atrás, marcar um almoço com alguém de lá, conhecer melhor, entender e trabalhar para estar apto a se candidatar;

Valor – Qual o valor que o diferencia, especialmente para chegar onde quer chegar, porque aquela empresa dos sonhos te contrataria para aquele cargo dos sonhos? Qual o valor que ela busca e quais você oferece. Seja realista, use cores e celos para o que é desejo ou é fato. Assim fica mais fácil validar esta necessidade para criar planos de ação, qualificação, cursos, eventos, certificações, etc;

Canais – Como aquela empresa, que busca aquele valor, chega em você? Como você se candidata, como anda sua página no LinkedIn, busque recomendações, ilustre com projetos, sucessos e aprendizados. Se você não fizer nada claro para que esta contratação aconteça, como imagina que vai acontecer? Carreira diz respeito a esforço pessoal, mesmo usando de networking ou sorte, é pessoal;

Relacionamento – Como você interage com o mercado, como se expõe para mostrar que você é o cara, como compartilha seus conhecimentos, como adquiri novos, como garante um crescimento constante de seu networking. Aliás, só crescer o networking é pouco, ele precisa ser ativo, interativo, mantenha ele vivo, mesmo quando não precisa dele, senão quando precisar não vai ter;

Matriz de receita – Como, quando, quanto, … Parece desnecessário, mas seus sonhos, planos pessoais, desejos, possuem um custo que precisará ser quitado recorrentemente. Não deixe a vida lhe levar, planeje-se, sonhe, porque assim é mais provável que manterá no radar suas decisões e engajamento;

Recursos – Quais recursos necessita para que seus planos se potencializem e viabilizem-se, levando em conta valor e custo x benefício, pode haver aqui diferentes recursos físicos, móveis ou imóveis, produtos ou serviços;

Atividades – Como atividades chave temos aquele planejamento de ações que não podes deixar de realizar periodicamente, como estudo, eventos, interação, cursos, língua estrangeira, ativação de seu networking, entre outras tantas;

Parceiros – Afinal, quem são seus parceiros de viagem, quer por semelhanças, por esforço, por objetivos comuns, por vínculos, por apoio em qualquer direção, com quem voc~e pode contar, quer pessoa física ou jurídica. Networking é a chave, o uso interessado e responsável, dirigido, é o caminho!

Matriz de custos – Pelos mesmos motivos da matriz de receita, seus recursos tendem a ser finitos e é importante saber quais são as prioridades, quais estão ativos, quais aguardando, ao materializar fica mais fácil administrar.

Como toda mudança, de início é bom manter exposta para que você a veja, tempo suficiente para ser internalizada, depois o usual é fotografar, talvez digitalizar … o mais importante não é o Canvas, mas o auto-conhecimento e planejamento que ele proporciona \o/