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Assessment (+20) não gera diagnóstico, mas é uma usina de insights

Compartilho a seguir alguns assessments que tenho usado na minha estrada como Agile Coach e consultor, a do James Shore eu aprendi com o grande parceiro Alejandro Olchik em 2015, os outros fui  encontrando em meio a milhares de páginas e artigos que fui lendo e compartilhando nos últimos sete anos.

A seguir um mapa geral dos assessments que compartilhei neste post, clique aqui para baixar se quiser te-lo em tamanho A3 como um guia:

ASSESSMENTS

Não acredito em assessments para diagnósticos, mas se bem escolhido frente ao momento do time, é uma ferramenta relevante para ampliar horizontes e fomentar o debate construtivo, aumentar o auto-conhecimento e embasar os próximos passos e planos de ação. Clique nas imagens para ir às páginas e arquivos originais:

1. Roda da Vida

Se você não tem domínio sobre você mesmo, se não dedica algum tempo para auto-conhecer-se, querer fazer isso para o grupo é amadorismo. Pessoas que se conhecem bem pessoal e profissionalmente tendem a se posicionar e propôr soluções mais assertivamente … A roda da vida é uma preliminar pessoal para SWOT, BMY, Johari, CHAx5, antes de discutir sonhos e planos coletivos.

2. Assessment James Shore

Este aqui tem questões muito objetivas sobre valores e boas práticas em áreas como Agile Thinking, Colaboração, Planejamento, Desenvolvimento e Entrega. Em grupos grandes eu divido em sub-grupos de 3 pessoas, que respondem e depois convergimos juntos no entendimento de pontos fortes e fracos, propondo pequenos planos de ação para melhorias:

art of agile - shore map

3. Maturity Assessment Model for Scrum Teams

No site da Scrum Alliance tem este assessment sobre os 12 princípios ágeis, já o utilizei como warmup, antes de uma retrospectiva e gerou bons insights sobre nossos valores ágeis. A proposta original diferencia a opinião de cada um, mas eu normalmente faço uma primeira discussão em sub-grupos de 2 ou 3, depois consolidamos, assim cada coluna passa a representar um grupo e não uma pessoa:

4. Comparative Agility

Eu realizei o assessment online e salvei todas as questões para poder me debruçar e analisá-las com mais calma … até mesmo porque meu objetivo não era nos comparar com outras empresas e equipes, mas proporcionar reflexões sobre quesitos relevantes e montar planos de ações para melhoria contínua:

5. Agilometer PRINCE2

PRINCE2 é um framework tradicional para gerenciamento de projetos que vem se propondo a flexibilizar-se e agregar valor com princípios e boas práticas oriundas do Scrum e Kanban. De toda forma, compartilho um assessment muito simples, é só imprimir colorido e colocar “botões” deslizantes, que podem ser postits:

6. SAFe Team self-assessment

Esse é bem conhecido da galera do SAFe, o que restringe seu uso a poucas e grandes empresas, aquelas que usam o framework para projetos que contam com muitas equipes trabalhando juntas no mesmo release … no início pode parecer um tanto desafiador, e é, mas mais pelo tanto de atitude e realismo que exige de todos:

7. Squad Health Check Model

Esse é muito legal e seu uso é bem mais amplo, podendo ter nas colunas a auto-avaliação do time a cada sprint, uma forma de manter no radar os resultados obtidos com os planos de ação e iniciativas realizadas no transcorrer do projeto. O pdf já disponibiliza os cartões e semáforos, usamos as setas para dar a tendência – www.barryovereem.com/how-i-used-the-spotify-squad-health-check

8. The Unoficial Check-list SCRUM

Já fiz posts sobre este e outros, mas os links são para as páginas originais. Este eu achei muito legal e já usei com bons resultados, lembrando que o meu objetivo nunca é diagnóstico, mas reflexão pelo próprio time durante uma retrospectiva, que decide a partir disto quais as ações melhores a serem priorizadas:

Há uma lista com sugestões de assessments listadas por Barry Overeem, que relaciono abaixo, para estes sugiro o post original e seguir os links abaixo:

20. SCHNEIDER’S CULTURE ASSESSMENT – Para terminar compartilho um assessment lastreado na teoria sobre cultura organizacional de Schneider para descontrair e lembrar do que eu disse no início sobre tudo iniciar na pessoa, sendo assim, também é preciso lembrar que pessoas e times estão imersos em um contexto organizacional que pode ajudar ou atrapalhar se não estiver em equilíbrio. Ela é muito intuitiva e busca estabelecer o debate acerca da orientação cultural em equilíbrio ou não:

Spoiler dos meus ppt’s do Agile Trends 2017

Serão duas sessões, a primeira é um jogo que será apresentado e jogado fora da grade do evento, no final do primeiro dia em uma das salas do Centro de Convenções cedida pela organização, a segunda é uma apresentação formal de um artefato que venho usando, chamado Scrum Setup Canvas.

Se você vai ao Agile Trends SP no dia 12/04, não esquece de passar no stand da DBServer e te inscrever para a apresentação e mão-na-massa do Desafio ToolBox que vai rolar logo após o término da grade oficial.

Se estiver por lá no dia 13/04 pela manhã, não perca o bloco comigo e com o Paulo Caroli … sim, não dá para pedir mais nada, o meu bloco ano passado foi com o Vitor Massari, este ano será com o grande Paulo Caroli.

12/04 as 18:10 – Desafio ToolBox 360°

Nesta quarta-feira, logo após as palestras do primeiro dia do Agile Trends 2017, as 18:10 no Centro de Convenções Rebouças, vai rolar a primeira edição aberta do Desafio ToolBox 360°. O jogo está evoluindo e ainda vai evoluir muito, mas após os primeiros Play Tests já ajustei o suficiente para ter a certeza de que agrega valor, provocações construtivas e passa um recado bem bacana.

O jogo é ao mesmo tempo colaborativo no atendimento de cenários reais e competitivo, posto que ao final temos um vencedor. Mas é preciso muita transparência, inspeção e adaptação para montar a melhor solução no somatório de forças de todos.

O jogo de início pode parecer complexo, mas para quem já jogou uma rodada é muito simples e divertido, ele possui um tabuleiro, cartas de cenário a serem atendidos, baralho com mais de 70 técnicas e boas práticas, além de um dado. Para o Agile Trends 2017 vou rodar com algumas simplificações, o jogo foi criado para ser jogado em empresas, fomentando sua capacidade absortiva.

A facilitação contará com um passo-a-passo em powerpoint e impresso para cada equipe, que contarão com um kit contendo o tabuleiro, fichas e baralhos. É para ser acima de tudo um momento de provocação quanto a conhecimento e domínio de técnicas oriundas de metodologias ágeis, design thinking, management 3.0, além de algumas bem tradicionais e ainda muito utilizadas.


Estou ao mesmo tempo pilhado e angustiado para que chegue de uma vez, já rodei vários play tests, com amigos, com Tecnotalkers, até com alunos na FACIN, o início sempre é um tanto aflitivo, mas conforme a galera vai jogando e entendendo é muito legal, quer profissionais ou alunos o feedback final sempre é muito bom.

Mas no tocante a ser um tanto complexo de início, não abri mão até aqui, pois é um jogo que nos induz a jogar três rodadas pelo menos, um tempo de mais ou menos uma hora. Para isso, são dois fluxos, um usando o baralho de Toolbox para atender um cenário e outro resultante do primeiro para mover sua ficha pelo perímetro do tabuleiro … é 100% colaborativo, mas alguém sairá vencedor.

13/04 as 10:50 – Trilha Comunidade – SSC

Finalmente vou apresentar para a comunidade ágil o artefato que batizei de Scrum Setup Canvas, criado para materializar e expôr acordos e combinações coletivas, quer metodológicas ou técnicas antes de uma inception ou planejamento. Muitas equipes deixam questões importantes como acordar boas práticas, frameworks, DoR, DoD, etc, para o acaso ou fragmentado entre diferentes pessoas e gavetas.

Assim como o jogo, este artefato ainda não parou de evoluir, a cada tanto mexo em algo de suas colunas e linhas, posto que a experimentação vai mostrando os caminhos. Mas está na hora de por a prova se ele é útil para muitas outras equipes e Agile Coachs, sendo para muitos já de conhecimento através aqui do Blog.

O formato final do Scrum Setup Canvas está como colado a seguir e os thumbs da apresentação em ppt está logo na sequência. Prometo que darei o máximo de detalhes dos meus 25 minutos de Trend Talk e interação com a galera logo após o evento encerrar, talvez o faça a caminho do aeroporto ou logo que chegar em POA.

Não garanto se é um Canvas a ser deixado a vista ou utilizado como aquecimento e depois defenestrado, caberá a empresas e equipes definirem, talvez alterar seus campos, mas tenho profunda convicção de que é útil, posto que por enquanto não há uma alternativa equivalente.

Vou postar muito mais detalhes do jogo e deste Canvas assim que passe o Agile Trends, neste mesmo batcanal … é o tempo de ir a SP e voltar rapidinho  \o/

5ª aula de GP e Tópicos Especiais

Mais uma semana de aulas e a satisfação em dizer que amo muito tudo isso, pensar aulas participativas, com muito valor prático agregado, baseado mais em cases e fatos preponderantes de mercado que teoria, apontando a realidade esperada de profissionais do século XXI.

Compartilhei um super guia rápido de frameworks e boas práticas relacionadas a equipes ágeis na auna de Tópicos, facilitei a ideação e escolha do projeto que cada grupo de GP irá planejar, já construindo o elevator statement e termo de abertura.

 Tópicos Especiais em Engenharia de Software (5ª feira)

foi resultado de várias noites dormindo bem tarde, trabalhando em um volume de 10 páginas com um grande resumo de tudo o que conheço, aplico e recomendo sobre métodos ágeis, análogos e complementares, como adoção, planejamento de carreiras, Scrum, Kanban, XP, Design Thinking, Management 3.0 e DevOps.

Compartilho aqui via dropbox este super guia rápido, um resumão mais que completo com o conteúdo condensado de dezenas de posts aqui publicados sobre cada um desses temas, espero que baixe, curta e compartilhe, porque acho que ficou bem completo mesmo – [clique aqui para baixar o super guia rápido].

Gerenciamento de Projetos (6ª  feira)

A aula de gerenciamento de projetos inicia sempre da mesma forma, com uma revisão dos principais pontos ou referências acumulados nas aulas anteriores. Em uma disciplina tão densa, é uma forma de fixar os quesitos mínimos de cada conteúdo e a partir dele gerar as questões de provas.

Esta aula tinha como principal objetivo a prática de uma técnica para ideação e escolha de um aplicativo ou solução por cada uma das equipes formadas para este fim, entre 4 e 5 alunos, que desenvolverão o planejamento das 10 áreas do PMBOK usando diferentes técnicas, a maioria delas oriunda de boas práticas ágeis.

O quebra-gelo foi o da laranja, cada equipe listou palavras que uma laranja tinham relação ou lhe remetiam a laranja … primeiro fomos falando uma palavra por equipe e depois um integrante fez mímica e a galera tinha que descobrir qual seria a palavra que ele estava representando da sua lista … 🙂

Para ideação usei uma reinterpretação da árvore dos sonhos da dinâmica de Oficina de Futuro. A árvore possui raízes (problemas ou desafios), tronco (valor), galhos (barreiras e facilitadores). Alguns grupos idearam várias opções e outros de primeira escolheram um aplicativo a partir de sugestão de um deles. Sobre a copa resta espaço para informações sobre a ideia e tudo o que sabemos ou queremos, uma forma de registrar tudo e fazer deste brainstorming o ponto de partida para o nosso termo de abertura, para o qual usei Project Model Canvas.

Nesta aula, resgatei e insisti no papel de GP e equipes de TI, ao contrário do passado onde atendíamos os pedidos do cliente, hoje temos a responsabilidade de entender o problema, propôr e discutir alternativas, modelar e planejar soluções. Não somos mais um pizzaria atendendo pedidos, mas médicos, realizando diagnósticos, receitando e realizando procedimentos, não por deliberação do paciente, mas com a responsabilidade Lean de não jogar energia e dinheiro fora.

As imagens abaixo são os tópicos trabalhados, sempre com exercícios práticos, mas sem fugir dos fundamentos e teoria antes de cada experimentação. Aula não é para ser recreio, é para introduzir conceito e experimentá-los, quer para fixação ou para gerar pertença e discussão. A aula 5 foi gestão de inovação e portfólio, ideação e priorização, conceitos de Customer Development e o primeiro processo do grupo de iniciação do PMBOK – Termo de Abertura:

O feedback ao final foi legal, como nas aulas anteriores saio satisfeito por ter mantido a atenção e empenho da maioria, mas o processo é bilateral, de um lado o esforço de ensino e de outro o de aprendizado. Conceitos lúdicos, experienciais, vicariantes, construtivistas, tudo isso é para gerar o link entre estas duas pontas.

Savana SCRUM: O que é a Zona de (des)conforto

Desenvolvimento de software envolve processos sócio-técnicos complexos, que demandam tempo e esforço continuado para mudar e consolidar. Conceitos pesquisados desde o início do século XX, onde mudança gera algum grau de ansiedade, pois abrimos mão do que conhecemos por algo ainda desconhecido.

Durante este processo em desaprender o velho para aprender o novo, preconizados por Schein, Tofler ou Argyris, geramos maior valor se comemorarmos cada avanço e conquista, porque valorizar demais o meio-copo vazio nos momentos errados e de forma errada, muitas vezes nos fará desanimar e esquecer o meio-copo cheio.

Você que acha que é “transparente” só porque fica reclamando e resmungando a cada chance para dizer o que falta, desculpa aí, mas “Você não entendeu nada!”. O cérebro humano responde melhor ao conceito de auto-eficácia, valorizando o potencial de cada um, cada pequeno sucesso, valorizando a caminhada.

Você que exige que toda a sua equipe seja igual a você, já que você acredita ter a legitimidade de apontar erros nos outros, na empresa, no cliente, não valorizando o que já avançamos, pense bem. Muitas vezes aquele que se acha arauto da dura verdade, é quem desmotiva e empurra a galera para a zona de (des)conforto.

Há retrospectivas para apontar, discutir e planejar problemas e mudanças, apenas em casos excepcionais vamos ficar fazendo isso fora delas. Assim como o Sprint Planning é para entender o Selected Backlog e pactuar o Sprint Backlog, assim como daily é para relembrar o objetivo de ter sucesso no sprint, a pós-daily para tomadas de decisão. Cada timeboxe tem uma natureza e pensada para gerar valor.

A seguir alguns pensadores e pesquisadores que admiro no campo da psicologia, filosofia, sociologia, educação, que muito tem a ver conosco e com este tema, por favor, leia com atenção e de cabeça aberta:

Auto-eficácia de Albert Bandura – Sustenta-se no senso de auto-estima, frases célebres como Ford em que “se você acredita que pode ou não acredita que pode fazer alguma coisa, provavelmente você sempre estará certo”. Pessoas com muita auto-eficácia possuem maior confiança em si mesmos, tendem a ser mais empreendedoras, enquanto o contrário demonstra pessoas mais acomodadas e sem resiliência. A auto-eficácia pode ser incentivada através do incentivo, pela  valorização dos pontos fortes, incentivando a capacidade de cada um em superar obstáculos, de aprender com os erros, de crescer e se superar.

Aprendizagem significativa de David Ausubel – A aprendizagem significativa de Ausubel segue o princípio construtivista de que cada um de nós é uno, temos vivências e conhecimentos prévios que devem ser utilizados para que o processo de aprendizado aconteça a bom termo. Para alguém aprender algo é preciso que este aprendizado faça sentido, de forma que ancorem cada nova informação a seus conhecimentos prévios, criando assim novos conhecimentos. A teoria propõe unir o novo ao pré-existente (subsunçores), que atuam como âncoras entre o antigo e o novo.

A Curva de Tuckman para formação de times – O modelo de Tuckman é uma aula sobre a práxis da composição, crescimento e amadurecimento de um time e nos dá bons insights sobre modelos de liderança mais efetivos. Muitas equipes aparentam manter-se permanentemente em storming devido a falta de aceitação ou não entendimento de um mindset de melhoria contínua, procurando culpados, exercitando muita dissonância cognitiva, perpetuando atitudes negativas, atrasando sua evolução.

A Psicologia Positiva – Czikszentmihalyi do livro Flow com Seligman trataram desta abordagem em 2000, apontando aspectos positivos das pessoas e suas interações. A Psicologia Positiva pode ser um argumento a mais no processo de mudança para modelos sociais mais virtuosos, algo que esta Teoria propõe chamar de florescimento é manter explícitos as condições e aspectos positivos da vida como combustível no esforço de melhoria contínua, natural, aproveitando a estrada e não apenas sofrendo à espera do pote de ouro no final da estrada.

A síndrome de BurnOut – Consequência do acúmulo de estresse em trabalhadores que têm uma profissão muito competitiva e de responsabilidade, tornando o dia de trabalho um sacrifício. Planejando objetivos de trabalho muito difíceis, abalando a auto-eficácia e auto-estima. Após anos trabalhando neste purgatório, não é incomum ter pessoas só sobrevalorizando o que falta, é fácil identificar: cara amarrada, mesmo com coisas boas acontecendo, o que importa para eles é o que falta, reclamando do que não vai mudar tão cedo, reiterando diariamente sua contrariedade e irritação, marcas do tempo de purgatório.

Resumo: O bom é inimigo do ótimo, se não valorizarmos o que fazemos, será muito mais difícil convencer a nós mesmos que podemos ir além. Opinião é diferente de assombração, aproveite uma retrospectiva para pontuar pontos de melhoria, sempre olhando para a frente, mas no dia-a-dia seja positivo e trabalhe para otimizar o que cada um tem de melhor … ou então vá fazer pesquisas no campo da psicologia aplicada para mostrar que todos estes pesquisadores estavam errados! Se conseguir, garantirá fama, fortuna e seu nome no meu próximo post!

Savana SCRUM: Como ter garantia de que tudo vai dar certo?

Tem uma brincadeira que faço em meus cursos, diz respeito a compreensão de que Agile não traz garantias, mas modelos e técnicas que nos ajudam a usar a plenitude do capital intelectual e vivencial de todos, juntos, antecipando a percepção e aproveitamento de riscos e oportunidades.

Quando em um curso alguém me pergunta: Como garantir que o planejamento dê certo? Como fazer com que riscos sejam anulados? Como evitar surpresas, desde necessidades imprevistas de negócio a dificuldades técnicas excepcionais? Como garantir que os colegas realmente entendam e se engajem? etc etc etc

Após as primeiras perguntas em busca de garantias e mágicas, eu brinco enrolando uma folha A4 até ficar um rolinho bem fino e longo, enquanto alguém desenvolve a sua pergunta, vou enrolando e colo dois postits pequenos em uma das pontas, um colado no outro com uma das pontas do rolo no meio.

Ao final, é engraçado quando alguns percebem eu desenhando uma estrela em cada postit … transformando aquela folha enrolada e seus postits em uma varinha de condão. A partir dali, de forma bem divertida, a varinha troca de mãos a cada pergunta sobre a necessidade de garantias.

A garantia são pessoas engajadas em entender, colaborar, estimar, trabalhar naquilo que chamamos de ciclos iterativos-incrementais-articulados, tentando nos antecipar, mas nos adaptando frente a questões complexas imprevistas. Certos de que elas estão por aí, queremos entender e perceber o mais breve possível, não garantir que elas deixem de existir … porque estaremos sempre sujeitos a isso.

Eu respondo com a Lei de Tuckmann, Cynefin, Fluência Ágil de Shore & Larsen, reflito sobre a relevância da experimentação, estabelecer um mindset de melhoria contínua, lembrando diferentes técnicas oriundas do SCRUM, XP, Kanban, todos reaprendendo a trabalhar sob novos paradigmas, desde o diretor, gerentes, clientes, fornecedores, SM, PO, equipe de desenvolvimento, devops, …

A Lei de Tuckman não nos sugere que após entrarmos em alta performance os problemas deixam de existir, mas que estaremos maduros para em conjunto termos maior probabilidade de percebê-los, compreendê-los e resolvê-los … sempre atentos e aproveitando ao máximo a sinergia do conhecimento e vivências de todos os envolvidos ou convidados a se envolver \o/

O Modelo Cynefin nos sugere que vivenciamos sistemas complexos, os quais não podemos controlar 100%, mas trabalhar de forma a compreender sua complexidade e usarmos modelos e frameworks preparados para esta realidade. Novamente, não basta ser iterativo-incremental, só funciona se nos adaptarmos, se formos articulados de acordo com o andamento.

Esta foi a segunda tira do Savana SCRUM, porque Agile não é uma varinha de condão, não é uma bala de prata, mas é sim muito realismo, é trabalho engajado, coletivo e transparente, imersos em sistema sócio-técnicos muito complexos.

Obs: A primeira história do Savana SCRUM foi – Brainstorming e Fishbowl.

Lei dos dois pés

Não interprete errado a lei dos dois pés, não é uma ameaça ou sugestão para desistir ou desperdiçar, ir embora, mas um ALERTA de que algo está acontecendo ali naquele momento e devemos aproveitar ao máximo:

Se você não está aprendendo, nem contribuindo, use seus dois pés e vá pra um lugar onde algo assim aconteça.

A primeira vez que li esta frase eu estava em Buenos Aires para o evento Ágiles Latino-america 2011, acima da porta das salas onde ocorriam os debates em Open Space havia uma placa grande bem legível com esta inscrição. Achei sensacional, provocativo e inspirador: entre na sala, arregace as mangas e aproveite o máximo.

Ao iniciar o semestre nas minhas disciplinas na faculdade de informática, sempre alerto à gurizada de que precisam desencanar com o mundo lá fora, que a noite deles de quinta ou sexta será comigo e que juntos podemos fazer funcionar. Até mesmo, porque o tempo passa mais depressa quando a gente está se divertindo.

Viver o momento

Buscar estar de corpo e mente presentes a cada momento é um desafio, mas antes ainda mais é uma questão de hábito. Muitas pessoas estão sempre insatisfeitas, sempre almejando algo fora de seu alcance por diferentes motivos, é preciso parar de sonhar acordado com o momento seguinte e viver o momento presente.

Refletindo o pensamento Lean, é um grande desperdício não aproveitar o agora, especialmente quando é inevitável, é preciso. De nada adianta estar em uma aula, reunião ou timeboxes do SCRUM e ficar distraído, não colaborando para seus resultados, de olho no celular ou simplesmente disperso em pensamentos.

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Inexiste forma mais esdrúxula de desperdiçar tempo do que isentar-se de vivê-lo, quer dizer, supondo que possa usar seus dois pés para ir para um lugar melhor e mais produtivo, ótimo, senão o mínimo que podemos fazer é aproveitar e fazer render ao máximo cada momento.

Motivação extrínseca x intrínseca

A motivação extrínseca origina-se em fatores externos a nós mesmos, como elogios e salários, de forma que possamos performar o necessário para sermos recompensados ou evitar sermos penalizados. O foco e o objetivo passa a ser a premiação ou evitar a punição, uma abordagem muito utilizada logo após a revolução industrial, sob a administração científica ou mecanicista.

A motivação intrínseca origina-se em fatores internos a nós mesmos, baseado em satisfação, carreira, crenças e valores. Desta forma, a recompensa pode ser um trabalho bem feito, um esforço constante com foco em resultados que podem não ser imediatos, como um mérito, promoção ou mesmo troca de empresa. Em sua essência, buscamos através dela nossa realização pessoal e profissional.

Qual é sua Motivação

No trabalho nossa motivação deve ser intrínseca, mas o que vejo com frequência é pessoas desmotivadas por motivos alheio a sua vontade e controle, normalmente que nada tem a ver com o momento e necessidade, algumas vão a reuniões e entram mudas e saem caladas, emburradas e tal.

Se motivação intrínseca é aprendizado, carreira, é fazer o nosso melhor, ficar negando ou sabotando a si mesmo enquanto sonega seu potencial é no mínimo perigoso, pois pode se acostumar a não se esforçar, ao invés de crescer passa a encolher, assumir uma zona de conforto que em nada lhe agrega.

Tenha um bom plano de carreira, mapeie seus gaps, planeje seu crescimento, a empresa, o emprego, o chefe e tudo o mais é passageiro se aproveitarmos ao máximo cada momento, aprendendo em cada situação, mantendo os olhos aberto, os ouvidos atentos e participando ativamente.

Não idealize nem improvise, conte com parceiros de viajem, mapeie sua matriz SWOT, sua Janela de Johari, seu Business Model You, seu mapa de CHA e vivências existente e necessárias. Assim como a Alice no país das maravilhas, é muito fácil desperdiçar seu tempo se não souber para onde ir, pois se não planejarmos, então qualquer resultado serve, mesmo a estática.

Pense bem, ou nos puxamos e somos reconhecidos, ou nos puxamos e ao não sermos reconhecidos pela empresa o mercado o fará. Quer dizer, se o chefe é ruim mostre valor, se o salário é ruim mostre valor, se está fazendo algo que não lhe agrada e quer mudar mostre valor, mas se não fizermos nada, nada vai acontecer!

PMBOK e Agile – Quem mexeu no meu queijo?

O lançamento da 6ª edição do guia PMBOK entrará para a história como um marco, pois traduziu uma postura eclética imposta pelo mercado e profissionais contra o Taboo de que gerenciamento de projetos é uma coisa e métodos ágeis para gerenciamento de projetos, como SCRUM, são outra.

Vaticínio: “Em alguns anos ninguém vai perguntar se você é PMBOK ou Agile, eles vão perguntar se você gerencia bem seus projetos, se há desperdício ou sinergia na geração de valor às partes!”

Reflita comigo, o PMI foi criado em 1969, apenas quinze anos depois começaram a pipocar práticas, técnicas e métodos chamados inicialmente de lightwave, batizados de Ágeis em 2001. O artigo seminal do SCRUM foi “The new new product development game” de T&N na Harward Business Review em 1986.

Na minha visão, um grande acelerador desta quebra de barreiras com certeza foi o lançamento dos conceitos de Pace Layered e TI-Bi Modal pelo Gartner, que desde então acelerou a inserção de métodos e práticas ágeis nas grandes empresas e corporações, antes dominadas por processos hierarquizados e preditivos.

Meta: “Atrair e reter talentos, com empatia e sinergia, gerando valor em equidade, de forma que empresa, fornecedor e cliente, tanto quanto seus integrantes, cresçam e melhorem continuamente!”

Convergindo à isso, no início deste século era difícil imaginar grandes eventos do PMI com grandes palestras sobre Agile, mas no início dos anos 10 deste século passei a ver grandes agilistas passarem a frequentar os grandes eventos do PMI, bem como grandes nomes do PMI começarem a se aproximar da comunidade ágil.

Acredito que muito em breve deixará de existir o monopólio dos GP’s ditos tradicionais versus Agilistas, isto ao mesmo tempo é inspirador e curioso, porque estamos falando de cifras na faixa dos bilhões de dólares em cursos oficiais (PMBOK, Scrum Alliance, Scrum Org, etc), certificações e consultorias.

Aos que acreditam que sua metodologia ou processo é sagrado, quase uma religião onde os “outros” ou mudanças no seu Be-a-Ba são profanos, muito em breve terão que mudar suas posturas e atitudes. Haverá sempre espaço para os xiitas, mas o futuro organizacional será iterativo-incremental-articulado, evolutivo, adaptativo.

Foco: “Sentar-se a mesa em uma organização, antecipar e promover mudanças no sentido certo é mais importante que a intensidade e profundidade! Se não pode mudar tudo, faça algo, fazer nada não é opção!”

Muitas empresas e profissionais já perceberam que “mexeram no queijo delas“, negar iniciativas de experimentação de técnicas em qualquer escala é negar os benefícios que eles trazem às pessoas e empresas. Eu acredito que dado o primeiro passo, percebido os primeiros ganhos, a tendência é dar o próximo, um a um.

Quem mexeu no meu queijo?

Em Setembro de 1998 Spencer Johnson lançou o livro “Quem mexeu no meu queijo?” – uma parábola sobre adaptar-se às mudança, pela história de quatro personagens pequeninos acomodados ou pró-ativos em relação ao seu estoque de queijo. Um best seller que discutiu acomodação, adaptação e antecipação.

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Lembra um pouco o conceito de exploration x exploitation, escancarando os principais motivos pelo qual muitas empresas líderes de um mercado em determinado momento, faliram após anos comendo queijo, acomodados na sua liderança, vendo o queijo acabar pouco a pouco e não fazendo nada.

Momento: “Vivemos uma era de inovações, oportunidades em meio a crises continentais, profissionais Millenials, revoluções tecnológicas sem precedentes. Pequenas startups com um link concorrendo com corporações!”

Muitos profissionais, assim como empresas, se utilizam de técnicas obsoletas para tentar perpetuar-se de forma sintética, em busca de sobrevida ao seu negócio, mas não trabalhando para reinventar-se, encontrar o próximo estoque de “queijo”, preferem tentar impor, reclamar, culpar, apenas postergando o inevitável.

Especialmente em períodos de crise, a experimentação voluntária ou pressionada na procura de métodos, técnicas e boas práticas que gerem antecipação, pertença e melhores resultados é benéfico a todos, empresa e profissionais. Conquistado os primeiros ganhos, a tendência é retrospectivas trazerem ao natural os próximos.

Defendo que mesmo a empresa não acreditando, se uma equipe praticar o que está ao seu alcance, como daily e ciclos com retrospectivas, só isto já gerará ganhos na redução do stress, aumento da auto-organização, melhorias dos resultados. Se isso for verdade, ao natural quererão experimentar mais e mais.

Bem-vinda a edição 6, a considero um marco em um processo irreversível de convergência metodológica que defendo a anos nos meus posts. Compartilho a seguir um link da PMTECH, um artigo do Mauro Sotille sobre o que muda na edição 6, com um parágrafo em especial sobre “queijos” ágeis:

pmtech

Teço elogios a iniciativa da TI-BiModal do Gartner neste mesmo sentido, de quebrar o gelo, abrir estradas, porque muitas vezes o mais difícil é dar o primeiro passo, perder o medo. Acredito muito em uma frase do Juan Bernabó, keynote no Agile Brazil de 2016 – “Esperemos que as retrospectivas façam seu trabalho!”