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A pauta das meninas na TI inspira milhares de meninas e meninos de todas as áreas

Nos corredores do TDC POA do ano passado eu não resisti em tietar algumas das meninas mais influentes da nossa TI – Luana, Aline, Marcela, Desirée e Morvana. Metodologias ágeis, mundo maker, diferentes plataformas e tecnologias, onde cada uma sente-se a vontade para ir lá e fazer o seu melhor, aquilo que curte, que lhe faz bem, o que acaba sendo exemplo para jovens que querem fazer o mesmo … querem ser felizes fazendo aquilo que possuem talento de sobra para fazer.

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A TI nas últimas décadas transformou-se em um feudo masculino e nos últimos anos iniciou-se um movimento para mostrar para meninas que elas podem fazer a diferença, como já fizeram nos primórdios da área. Algumas das melhores profissionais que conheci em 30 anos de mercado eram meninas, analistas de sistemas, negócios e qualidade, desenvolvedoras, gerentes de projetos, etc, mesmo assim hoje ainda são minoria em empresas e equipes.

Acredito e já escrevi várias vezes sobre a força do exemplo, do espelho, de campos mórficos e da teoria da massa crítica. Quanto mais meninas despontarem em feudos onde poucas se aventuram, mais e mais desenvolverão empatia e quererão fazer o mesmo. A todos nós não cabe diferenciar, mas garantir ao máximo equidade, deixando assim que os esforços sejam recompensados.

A pauta deste post é a admiração que tenho por elas e o orgulho de conhecê-las, mas não se restringe à TI, minha cunhada é engenheira em grandes obras, minha filha está fazendo cinema, minha esposa é arquiteta e atua a 10 anos no universo Startup na Incubadora RAIAR. Não deveria ser surpresa se vou ser A, B ou C, pois cada um venho a este mundo com o desafio de descobrir onde e como mais agrega valor, ser exemplo e curtir a viagem.

No dia de hoje (21/03/2017), uma semana após a semana da mulher na TI, saiu a matéria abaixo sobre o espaço das meninas na TI. Sou professor universitário e ainda são algumas poucas a cada turma, muitas vezes intimidadas, rotuladas, com pérolas como “elas se dão melhor na área de testes” ou analistas de negócios. Em 30 anos de mercado já vi todo tipo de discriminação, assédios velados, contensão, e ainda vejo muito disso ainda.

Sobre a reportagem, a jovem, admirável e engajada Marcela Santos escreveu “Quem ta ali não é só a professora Marcela Santos, quem está ali é a a guria que quer fazer engenharia mas está com medo, a desenvolvedora que tem que colocar fone de ouvido pra não ficar ouvido piada sexista, é a gerente de projeto que ao ser incisiva em um assunto escuta um Deve estar de TPM, quem tá ali são todas as mulheres que me inspiram e que lutam essa luta comigo! LUGAR DE MULHER É ONDE ELA QUISER ESTAR!

Tenho uma filha de 19 anos e tenho um orgulho de lascar em ver meninas que dão o exemplo a ela e a outras de que é possível acreditar em ser e fazer do seu jeito. Na prática, não deveria fazer qualquer diferença o gênero, idade, credo, cor e tudo o mais para legitimar esforços para sermos nós mesmos. Lamentavelmente, o mundo não é assim, pelo contrário, há indução, imposição, discriminação e preconceito.

A alguns anos atrás, uma das melhores amigas de minha filha fez um desabafo no seu Face relatando o esgotamento e tristeza que sente em ter que aguentar assédio, insinuações, xingamentos, apenas por ser menina. Detalhe, quando ela fez o post era menor de idade, mas relatava a dificuldade em pegar ônibus, ter que escolher roupas conforme o local para não ser destratada, pois era constrangida e intimidada por homens adultos na rua e recintos.

No terceiro TecnoTalks de Janeiro deste ano discutimos a menina e sua relação com o mercado de trabalho, com frequência relações distorcidas por ações de chefes, colegas … homens. Nós criamos nossa pequena para ser o que ela quiser ser, sem induções em relação a tudo, ela é dona de si e da construção de seu futuro, mas a maioria dos pais “sem querer” ainda empurram meninos e meninas ao velho limbo, ele “audaz”, azul e “destemido”, elas “sensíveis”, rosas e “do lar”.

Todo o esforço destas meninas que são exemplo poderão gerar espelhamento em meninas que se inspirarão nelas, porém tudo isso é minimizado ou anulado se nós pais não passarmos a criar nossos filhos e filhas com maior equidade e liberdade. Cada criança vem com uma carga genética e potencialidades sem balizas, quem as coloca em uma caixa somos nós.

Na minha opinião a discussão sobre estes temas deveriam primordialmente focar principalmente na ação dos pais em gerar pessoas livres, para depois discutir empresas, hierarquia, psicopatias e tal. Esta luta é dos pais, das escolas, das empresas, do governo, é de todos – Não enquadre, pró crianças livres e criativas!

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A tempo, no dia seguinte a este post (22/03) com a arte-terapeuta Gislene Guimarães, tive o privilégio de contar com a presença das gurias da BPW Porto Alegre, uma instituição internacional que aproxima mulheres de negócios – executivas, gerentes, consultoras, empreendedoras, criativas, … que organizam eventos mensais na FNAC do Barra:

Para quem curtiu este post e não conhece as gurias e a BPW, ainda mais se for menina, fiquem ligadas – https://www.facebook.com/BPWPoA/

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Lei dos dois pés

Não interprete errado a lei dos dois pés, não é uma ameaça ou sugestão para desistir ou desperdiçar, ir embora, mas um ALERTA de que algo está acontecendo ali naquele momento e devemos aproveitar ao máximo:

Se você não está aprendendo, nem contribuindo, use seus dois pés e vá pra um lugar onde algo assim aconteça.

A primeira vez que li esta frase eu estava em Buenos Aires para o evento Ágiles Latino-america 2011, acima da porta das salas onde ocorriam os debates em Open Space havia uma placa grande bem legível com esta inscrição. Achei sensacional, provocativo e inspirador: entre na sala, arregace as mangas e aproveite o máximo.

Ao iniciar o semestre nas minhas disciplinas na faculdade de informática, sempre alerto à gurizada de que precisam desencanar com o mundo lá fora, que a noite deles de quinta ou sexta será comigo e que juntos podemos fazer funcionar. Até mesmo, porque o tempo passa mais depressa quando a gente está se divertindo.

Viver o momento

Buscar estar de corpo e mente presentes a cada momento é um desafio, mas antes ainda mais é uma questão de hábito. Muitas pessoas estão sempre insatisfeitas, sempre almejando algo fora de seu alcance por diferentes motivos, é preciso parar de sonhar acordado com o momento seguinte e viver o momento presente.

Refletindo o pensamento Lean, é um grande desperdício não aproveitar o agora, especialmente quando é inevitável, é preciso. De nada adianta estar em uma aula, reunião ou timeboxes do SCRUM e ficar distraído, não colaborando para seus resultados, de olho no celular ou simplesmente disperso em pensamentos.

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Inexiste forma mais esdrúxula de desperdiçar tempo do que isentar-se de vivê-lo, quer dizer, supondo que possa usar seus dois pés para ir para um lugar melhor e mais produtivo, ótimo, senão o mínimo que podemos fazer é aproveitar e fazer render ao máximo cada momento.

Motivação extrínseca x intrínseca

A motivação extrínseca origina-se em fatores externos a nós mesmos, como elogios e salários, de forma que possamos performar o necessário para sermos recompensados ou evitar sermos penalizados. O foco e o objetivo passa a ser a premiação ou evitar a punição, uma abordagem muito utilizada logo após a revolução industrial, sob a administração científica ou mecanicista.

A motivação intrínseca origina-se em fatores internos a nós mesmos, baseado em satisfação, carreira, crenças e valores. Desta forma, a recompensa pode ser um trabalho bem feito, um esforço constante com foco em resultados que podem não ser imediatos, como um mérito, promoção ou mesmo troca de empresa. Em sua essência, buscamos através dela nossa realização pessoal e profissional.

Qual é sua Motivação

No trabalho nossa motivação deve ser intrínseca, mas o que vejo com frequência é pessoas desmotivadas por motivos alheio a sua vontade e controle, normalmente que nada tem a ver com o momento e necessidade, algumas vão a reuniões e entram mudas e saem caladas, emburradas e tal.

Se motivação intrínseca é aprendizado, carreira, é fazer o nosso melhor, ficar negando ou sabotando a si mesmo enquanto sonega seu potencial é no mínimo perigoso, pois pode se acostumar a não se esforçar, ao invés de crescer passa a encolher, assumir uma zona de conforto que em nada lhe agrega.

Tenha um bom plano de carreira, mapeie seus gaps, planeje seu crescimento, a empresa, o emprego, o chefe e tudo o mais é passageiro se aproveitarmos ao máximo cada momento, aprendendo em cada situação, mantendo os olhos aberto, os ouvidos atentos e participando ativamente.

Não idealize nem improvise, conte com parceiros de viajem, mapeie sua matriz SWOT, sua Janela de Johari, seu Business Model You, seu mapa de CHA e vivências existente e necessárias. Assim como a Alice no país das maravilhas, é muito fácil desperdiçar seu tempo se não souber para onde ir, pois se não planejarmos, então qualquer resultado serve, mesmo a estática.

Pense bem, ou nos puxamos e somos reconhecidos, ou nos puxamos e ao não sermos reconhecidos pela empresa o mercado o fará. Quer dizer, se o chefe é ruim mostre valor, se o salário é ruim mostre valor, se está fazendo algo que não lhe agrada e quer mudar mostre valor, mas se não fizermos nada, nada vai acontecer!

Porque você é a média daqueles com quem mais interage …

É certo que todos nós temos ícones, referências, ídolos, são pessoas que você admira e pululam seu imaginário com passagens, ensinamentos, frases, artigos, etc. Eles possuem motivação humanista, religiosa, profissional, esportiva, social, política, normalmente relacionado a um aspecto relacionado a nossas vidas ou área de conhecimento e realizações de nosso interesse.

No trabalho, admiro muitas pessoas e consumo quase tudo que escrevem, acho que minhas maiores fontes são Nonaka e Takeushi (SECI, Ba, SCRUM, Estr Hipertexto, etc), alguns dos signatários do manifesto, mas tenho referências na psicologia, sociologia, ciências sociais. As vezes fico sabendo de algo legal e ao procurar acabo caindo nos mesmos mesmo sem querer.

Se ídolos e referências são importantes, imagina nossos gurus

Mas também temos nossos guias, bruxos, gurus, aqueles com quem interagimos e que de alguma forma nos desafiam a sermos hoje melhores que ontem, que nos instigam a querer ir além em nossas crenças, ideais e ideias. Tudo bem curtir Einstein, mas melhor ainda é ler sobre Einstein e curtir um ser vivo real e acessível a quem possa fazer uma pergunta, debater uma ideia, gerar empatia.

Acho engraçado quando alguém me diz que não tem ninguém perto que lhe seja exemplo a ser seguido. Se quer ser cientista da NASA, mesmo assim há mestres aqui no observatório da UFRGS, no clube de ciências da PUCRS, em projetos de engenharia, exemplos de dedicação, conhecimento, eu desconfio de quem só admira alguém que esteja a mais de 5 mil Km de distância … tenho pena deles!

O que digo para meus alunos e jovens com quem interajo é que fiquem ligados em suas referências próximas, interagindo com aqueles professores que admira, colegas com quem possua afinidade, aproximando-se de profissionais e pessoas que possuem seu respeito. No caso do ecossistema PUCRS-TecnoPUC, o difícil é escolher, no meu caso, não escolho, me aproximo de todos que me dão brecha.

Claro que tenho ícones a quem sigo em posts e artigos, leio seus livros, mas principalmente tenho muitos gurus, em sua maioria gaúchos ou radicados aqui. Admiração é uma palavra que não exprime a empatia e o desejo de aprender a cada interação, mesmo que tangencial. Assisti dezenas de eventos em que meus rumos alteraram pela proximidade a pessoas especiais naquele momento:

Luiz Cláudio Parzianello Aprendo a cada interação com ele sobre diferentes abordagens para discutir Business, estratégia, modelagem, sob um prisma Lean. Impossível eu fazer uma palestra ou treinamento sem citá-lo em frases que considero antológicas, como “Se cada um fizer a SUA parte, não vai dar certo!” de 2011 no segundo andar da Érico 400 e tantas outras;

Paulo Caroli Um dos seres humanos mais incríveis que já conheci, um exemplo a ser seguido como pessoa, pai, profissional e formador de opinião, o sigo desde 2011 e mesmo em uma troca de mensagens eu aprendo algo para minha vida. Minha atuação tem um contexto completamente diferente do da TW, mesmo assim, tento de alguma forma seguir seus ensinamentos;

Daniel Wildt Aprendi muito com ele em 2011, 2012 e 2013, devo muito do que sou hoje a aqueles anos em seus workshops, facilitações e exemplos, sempre pouco formais, muito lastreadas em empatia, firmaram-se como importante e poderoso aprendizado. Desde 2016 nos encontramos apenas em corredores de eventos, ele sempre com várias palestras de vários temas, como as +/- 10 no último TDC POA;

Rafael Prikladnicki Temos poucos pontos de contato, mas admiro e tento seguir alguns pontos que considero chave por serem aqueles em que menos invisto, uma visão holística focada em resultados, a aglutinação de pessoas e esforços em prol de projetos e valor declarado. Um líder institucional como meu irmão mais velho, talvez não por acaso muito próximos um do outro.

Eduardo Peres Passei a seguir em 2011 por ser um agilista realista e pragmático. Temos opiniões firmes sobre as coisas, as vezes só parcialmente convergentes no que mais interessa, o que acaba nos aproximando. Disse a ele que queria vir para a DB em Julho/2013, em 2014 me chamou para fazer o que faço – ajudar empresas a adotar Agile, energizar equipes e apoiar o uso de boas práticas.

Fabio Cruz  Em uma palestra que fiz em 2012 em SC conheci sua abordagem que SCRUM e PMBOK devem co-existir em grandes empresas. Desde então me vi prestando consultorias sob esta abordagem, na coexistência entre governança, escritórios de projetos e métodos ágeis. A solução não é abandonar tudo, menos ainda guilhotinar GP’s, mas agilizar e resignificar o que eles já tem de melhor.

Nesta estrada, li muitos posts e troquei várias mensagens e aprendizados do Abu Samra Rahal e seu blog desde 2009, o grande Vitor Massari pela vitalidade de quem dissemina por livros, cursos e vídeos sua abordagem de Agile e híbridos (nossas trend talks ganharam juntas o Troféu Luca Bastos no Agile Trends 2016), Alejandro Olchik é um daqueles caras que me influenciam indiretamente, interagimos relativamente pouco, mas sempre curto posts, approach e domínio.

Juntos somos mais

Tenho muitos gurus e bruxos, é um traço da minha personalidade, admiro quem possue empatia e compartilha, no TecnoTalks eu seria injusto se listasse alguém, pois a cada ano dezenas de pessoas especiais cruzaram meu caminho, se uniram para fazer grandes eventos, onde o conhecimento adquirido foi o ganho menos intenso em meio a tanto networking, energia, confidencias, sonhos e realizações.

Do trabalho, até hoje tenho grandes mentores e amigos, do tempo de ADP Brasil, no Grupo RBS, na DBServer e em tantos projetos de que participo, muitos nem tenho proximidade ou frequencia, mesmo assim é com grande prazer que nos encontramos esporadicamente, quando atualizamos notícias além daquelas que o Facebook facilita … sempre com um sorriso e boas energias.

Por ser gente como a gente e estarem tão próximos, de forma a permitir trocas em um café, almoço, durante um evento, as coisas mudam, as pessoas se mudam, trocam de empresa, cidade, estado e país. Nos afastamos, mas mantemos contatos pela rede, pelo menos acompanhando o que de legal acontece com cada um, mas a vida nos aproxima de outros e outros, a cada momento por semelhanças ou ideais.

Tenha parceiros de viagem, siga seus bruxos, assim nos desafiamos e sempre nos divertimos mais quando bem acompanhados. Só não faça isso por decreto ou interesse, não funciona, faça de coração, porque juntos somos mais.

Savana Scrum – uma tira sobre brainstorming e fishbowl

Minha filha é ilustradora e faz o curso de cinema, propus a ela criar personagens para algumas tirinhas sobre técnicas e boas práticas ágeis. Assim, com o que ela sabe sobre agilidade em participações de alguns eventos meus e de conversar comigo ela criou o SAVANA SCRUM.

Serão personagens com personalidade e que aos poucos serão apresentados por ela, tem Scrum Master, Product Owner, tem equipe, cliente, devops e toda a galera, o primeiro eu pedi para ela ilustrar ao mesmo tempo um debate com votação dos tópicos mais relevantes, o uso de quadro kanban para fluxo e debate em fishbowl.

Sempre que ela tiver um tempinho livre na Wacom, entre tarefas e estudos acadêmicos, lazer e ilustrações como o meu livro de jogos e agora um livro de histórias infantis para uma prima da Marinês, radicada em Salvador.

Após os vários grupos fazerem seu brainstorming e criarem os agrupamento de temas escolhidos, os mais lembrados ficam no topo do quadro kanban que será usado para nortear o debate, que será em formato fishbowl.

A técnica de debate em grandes grupos se utiliza de cinco cadeiras, sempre quatro ocupadas e uma disponível, assim que iniciado, sempre que alguém da platéia sentar na cadeira livre, um dos ocupantes das outras quatro que se sentir menos participativo naquele momento levanta-se e libera a sua cadeira para o próximo.

O uso das cadeiras e participação em fishbowl é um ótimo exercício de auto-organização, cabe ao facilitador apoiar os debatedores no fluxo dos temas combinados, chamar a atenção para quando o debate esfria ou esquenta demais, a troca de temas e oportunidades que surgem em prol de valor em comum acordo.

Se você curtiu, comenta aqui, porque eu quero muito que a Luisinha se pilhe a fazer muitas destas tirinhas, mas preciso mostrar para ela que tem mais gente que curte. Se quiser compartilhar, curtir, mas o que tem mais valor é um comentário de incentivo … vou mostrar cada comentário para ela, essa trip vai ser muito legal!

Agile e democracia não é só a voz da maioria, é mais que isso

Agile tem muito a ver com experimentação e aprendizado, direto ou indireto, de forma que busquemos compreender o que aconteceu a cada ciclo, o que poderia ou deveria ter acontecido, estabelecendo um mindset de melhoria contínua. Com este fim, devemos buscar mais que “maioria”, que mesmo estabelecida, é preciso ouvir, mitigar ou potencializar desafios percebidos pelas minorias.

Não fosse assim, correríamos o risco da ditadura da maioria, acho que inexiste democracia ou agilidade se não houver um senso de corpo que nos mova a sempre tentar entender o outro, gerar empatia, buscar sinergia. Para tanto, além de conhecer a maioria, também é preciso entender e respeitar a minoria. A pena pode ser desperdício, negar a inovação, a disrupção.

Todos nós somos dados a crenças e ideais, ao compreendermos algo como útil, gerador de valor para o atingimento de nossos objetivos, tentamos utilizá-lo de forma melhor possível … tem muito a ver com o que o psicólogo Albert Bandura chamou de Aprendizado Vicariante, desde crianças repetimos aquilo que percebemos como bom e positivo para nós ou a quem queremos bem.

Por isso, lastreamos decisões e ações a nossos princípios, que agem em nossa vida de forma cumulativa e complementar desde a infância, por auto-preservação, bem ao próximo, religião, muitos são escoteiros, praticantes de artes marciais, conheço uma galera que é agilista. A soma disso tudo faz com que assumamos um papel colaborativo, que nos define enquanto seres sociais.

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Após entender isso é que agilidade começa a fazer sentido, porque a simples maioria pode ser tão perniciosa ou pior que comando-controle. Por isso os frameworks baseados em Lean iniciam pelo conceito de empatia, derrubando feudos, construindo um senso ampliado de time, liberdade e responsabilidade. É preciso relevar prós e contras, assumir riscos, convergir é mais que decidir!

No berço da democracia, Sócrates e Platão falaram sobre a Tirania da Maioria (oclocracia). Em agilidade, o conceito por trás de um senso ampliado de time, é investir e valorizar o protagonismo de todos. Todo e qualquer grupo humano possui formadores de opinião, que exercem algum tipo de liderança, cabe ao conjunto auto-conhecer-se e gerar decisões, executá-las, discuti-las e aprender.

Ter direito a opinião e feedback, valorizar a argumentação, buscar tomar decisões conscientes, não só pela maioria ou por conveniência, mas por estratégia. Se queremos gerar valor, é preciso ter a responsabilidade de entender seu contexto, que pode e é normal que mude a cada ciclo, a cada entrega, tomada de decisão, time to market, ROI, sustentabilidade, … fosse fácil, todo mundo já faria!

Agilidade é um grande desafio a todos os envolvidos, todos precisam mudar a forma como se relacionam – o cliente tem que participar de fato, o time deve se auto-organizar, as lideranças tem que se reinventar, praticar devops para gerar melhores resultados, todos em conjunto devem gerar mais valor, … tudo isso é mais que imposição ou maioria, porque maioria é a mesma Zona de Conforto!

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Último post de férias – A Nova Economia não é colaborativa nem sustentável

Na falsa globalização promovida pelos formadores de opinião, se por um lado gera pequenas bolhas de inovação e sucesso, esbarram em uma economia arcaica, com muita burocracia, jeitinhos e barreiras. No geral, mundo afora, a Nova Economia nada tem de colaborativa, é para os grandes, está mais para engôdo oportunista, marketeira para a maioria. Você pode dizer que alguns dão certo, sim, alguns sempre deram certo, desde o tempo de Roma.

Há anos posto sobre a grande variedade de gurus, eventos colaborativos, sustentáveis, a cada novo player que entra no rentável mercado de inovação macunaíma trazendo no portfólio mais do mesmo por um custo acessível, afinal, fizeram um curso na sede da IDEO. Gosto de repetir o mantra do Lord Becket – “É só um bom negócio!” que percebeu que queremos e pagamos por “mágica”, como bons brasileiros gostamos de receitas prontas em inglês, sem discutir ou entender.

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No Brasil e países de terceiro mundo, a inovação, empreendedorismo e economia colaborativa virou um grande negócio com muita buzzword e factóides, com pouco diferencial econômico e social. Inovação no Brasil gera muitos prêmios nacionais e internacionais, notícias e 15 minutos de fama. Tem muita gente ganhando com visitas ao Vale do Silício, cursos e eventos chancelados, mas com muito pouco resultado na bagagem, quer em produto, serviço ou patentes.

Estamos falando de muito dinheiro público (e algum privado), muito financiamento, isenções e projetos nas páginas de jornal. Sempre alerto aos jovens para tomarem cuidado com a máquina de purpurina e moagem do universo de inovação brasileiro, porque ao deixar se levar, vai parar nas páginas de jornais, revistas, palestras, eventos, para após alguns anos cair na real, cilada.

Tem muita gente ganhando dinheiro, criando modelos de aceleração, incubação, mentoria, coach, tem muitos espaços coloridos e divertidos para se fotografar, cursos variados de “auto-ajuda” dizendo que você é o máximo, com purpurina, holofotes, microfones. Isso até incentiva, mas precisamos estar atentos a cada passo, sonhar nessa seara é sinônimo de trabalho duro correndo contra o tempo.

Cases sintomáticos da Nova Economia

A nova economia colaborativa globalizada mundial é mais do mesmo com uma roupagem brilhante e conectada, nosso objetivo deveria ser trabalhar duro para tirar algum proveito ao invés de se deixar levar e entregar o ouro sem resistência. Pior que sem resistência é não ter opinião, é repetir pseudos-mantras, como crianças após assistir uma propaganda ou novo programa de TV.

Relato #1 – A China utilizou todo seu parque fabril, lastreado em um mercado altamente regulado pelo governo e carência absoluta de leis trabalhistas, para ganhar de assalto o mercado mundial de produção de bens. Há décadas a opção Chinesa de matriz semi-escravagista reduz custos de produção e gera uma chino-dependência ocidental, comprometendo mercados, empresas e trabalhadores.

Relato #2 – No mestrado discutimos empreendedorismo através do caso de uma rede de supermercados que entrou em um pequeno país asiático e rapidamente espalhou-se, atraindo clientes que antes se utilizavam de uma cultura baseada em pequenos mercadinhos de quadra, como na frança. Este case de sucesso acabou por decretar o fechamento de centenas de pequenos negócios familiares.

Relato #3 – Serviços incensados baseados em intermediação como o Uber aproveita lacunas e defasagem sociais, gerando remuneração sem contrapartida real além do uso por conveniência de aplicativos de integração de serviços. Um mau negócio para o motorista (-25%) que está desempregado e precisa, mas uma redução de custo para o cliente que está a merce de cartéis, máfias e corrupção.

Relato #4 – Há uma profusão de sites e apps que se (auto)promovem à economia colaborativa mundial, sempre intermediando pessoas que com frequência estão ao seu lado, mas por preguiça, desconfiança, segurança, legitimidade, etc, preferimos ficar em casa e pagar uma justa taxa de X% como comissão a alguém que está do outro lado do mundo que percebeu “seus” motivadores para o bem “dele”.

Relato #5 – A maioria muito pouco participa ou ajuda instituições sérias, mas postam no Face a ida no McDia Feliz, sabem que não é saudável, mas levam os filhos e amiguinhos para fazer o que a propaganda diz ser bom. Isso é um exemplo sintomático da nova economia colaborativa mundial, você precisa gastar dinheiro com o McDonalds para ajudar a instituição que fica a 1Km de sua casa.

Conclusão

A Nova Economia mundial, colaborativa e compartilhada ainda é uma grande mentira que só faz concentrar ainda mais a riqueza e benefícios baseada em premissas de igualdade e globalização que não existem. É como comparar a Black Friday em países de primeiro mundo e aqui nos trópicos, é comparar as propostas e postura do Shark Tank americano e brasileiro, é comparar os mecanismos de legitimidade, legalidade e resultados da política lá e cá.

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O que está acontecendo desde a virada do século, na prática, é a criação de uma névoa por formadores de opinião que se beneficiam tanto financeiramente quanto institucionalmente em fazer muito barulho, como tudo o mais no Brasil, desde o Eike Batista aos indicadores nacionais, mentiras sociais ou de inovação.

Quem diz e ganha para ajudar preocupa-se mais com a visibilidade e com os aportes, enquanto isso, muitas oportunidades e carreiras são postergadas ou jogadas fora em meio a purpurina, boas ideias são desperdiçadas, há muita preocupação com a forma e pouca com o resultado, é preciso acordar, para não desperdiçar anos … não se iluda, alguém vai ganhar na sua perda, fique ligado!

Use o sistema e deixe-se usar SOB CONTROLE, sempre atento à realidade que o cerca, um olho no gato e outro no peixe, para trabalhar de forma a contornar, mitigar e seguir em frente, cercar-se de pessoas que possuem o mesmo objetivo. A economia colaborativa está a seu entorno, são pessoas, mentes criativas, colaborativas, comunidades de prática, … não terceirize o que você vai pensar, tenha parceiros e planos, MAS SEMPRE PENSE POR VOCÊ MESMO!

Jogo – Caixa de Pandora

Um quebra-gelo clássico que está lá no meu livro Jogos 360º, uma dinâmica de grupo que incentiva a empatia e sinergia, improvisar uma história de ficção dentro de regras e fundo de cena pré-acordados. É um jogo típico em alcateias de grupos escoteiros, criado para incentivar a criatividade e a imaginação em uma história irreal ou real com liberdades poéticas.

Aprendi e usei nos anos em que fui Kotick no ramo lobinho, as vezes para deixar voar a imaginação em histórias deles (lobinhos são crianças de 07 a 10 anos), as vezes em uma viagem pela mata, um passei em uma ilha misteriosa, muitas vezes novas histórias que poderiam compôr um Jungle Book II, mas também pode ser algo direcionado, sobre um acantonamento ou evento próximo.

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O que precisa de material é uma caixa ou saco com dezenas de itens planejados e/ou inusitados dentro, vários objetos comuns e peculiares, de forma a desenvolver um jogo divertido e que exija criatividade e perspicácia. Enquanto escoteiros, tinha uma corda, uma tampa de panela, um graveto, etc, ítens que deveriam instigar a imaginação deles em um acampamento, por exemplo.

Pode ser um misto de KIM (Jogo de memória), de forma que a medida que o jogo se desenvolve os participantes tem que lembrar o que já foi contado (I), podemos ter papel e lápis em mãos para exercitar uma facilitação visual, de forma a irem ilustrando o que está sendo contado (II) ou irem registrando a história de forma narrativa resumida (III). Eu curto o KIM ou a facilitação visual.

  • Existe uma só caixa com dezenas de itens dentro;
  • Coloque a caixa no meio da sala;
  • O primeiro a retirar deve criar o início de uma história;
  • Se existir um fundo de cena combinado, devem se contextualizar nele;
  • As cegas, uma pessoa após a outra retira um objeto da caixa;
  • Cada integrante retira e continua a história de onde parou, usando ele;
  • O grupo aceita ou não a continuação, em comum acordo;

Pode-se combinar que os outros não podem ajudar, podem ajudar na parte de relembrar a história até ali ou pode ser tido DOJO em que só quem o precedeu pode ajudar. A ajuda é para apoio, não deixe que uma ou outra pessoa conduza sozinha a história, o divertido é terem que se adaptar a imaginação daquele que o precedeu.

Por uma questão de logística, podem ser feitos medalhões com imagens coladas neles representando os objetos, facilita o transporte e nos casos em que são vários grupos. Quando em vários grupos é possível retirar uma só sequência de forma a que cada grupo crie sua história e faça o seu registro visual, para ao final expôr e fazer um pitch para vermos que cada história seguiu seu caminho.

PRINCÍPIOS: Um exercício de memória, criatividade, perspicácia, imaginação e adaptação, usado como quebra-gelo antes de dinâmicas mais densas. Dá para falar de empatia, integração, senso de time e superação.

DICA: Na caixa pode ter um celular, copo, bola, durex, dado, ampulheta, alguns brinquedos de plástico como carro, bonecos, panelas, bichos de pelúcia, relógio, caixas e embalagens. Se não for possível ter objetos, use medalhões com eles impressos ou com recortes de revistas. É possível direcionar o jogo com objetos ou situações específicas, contextualizado (eu tenho até hoje os cards contendo em cada um itens certos e errados de um acampamento).